Se alguém tinha dúvida de que o comitê de política monetária (Fomc) do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, deverá manter sua forte política monetária contracionista durante a reunião da divisão executiva da instituição na próxima semana com a elevação, possivelmente em 0,75%, na taxa de juros da principal economia do planeta, a incerteza virou pó entre a maioria dos analistas, o que, de quebra, já resvalava no mercado de criptomoedas na manhã desta sexta-feira (28).
Isso porque os dados divulgados pelo Departamento de Comércio na última quinta surpreenderam o mercado com o crescimento de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nos EUA entre julho e setembro deste ano, já que as previsões mais otimistas eram de 2,4%. A considerar que parte da alta do PIB se deve aos consumidores, o mercado enxergou que o Fed deverá aumentar os juros para conter a inflação. Tanto que o índice DXY, que mede a força do dólar americano frente a uma cesta de divisas mundiais consideradas fortes, registrava alta de 0,35%.
A exemplo do que aconteceu com as principais bolsas ao redor do mundo, o mercado de criptomoedas operava em baixa, de 1,65%, com uma capitalização de mercado em US$ 981 bilhões. O Bitcoin (BTC) recuava 2% ao ser trocado de mãos pouco acima de US$ 20,1 mil e responder por 39,5% de dominância de mercado, segundo o monitoramento do CoinMarketCap.
A correção se repetia entre as principais altcoins por capitalização de mercado, cujo recuo, em sua maioria, girava entre 1% e 2%. Em caminhos opostos, duas altcoins se destacarm neste grupo, o ADA, trocado de mãos por US$ 0,38 (-6%) e o DOGE, avaliado em US$ 0,079 (+4,5%), possivelmente surfando no hype da carteira de Elon Musk no Twitter.
O que está por vir
Nesta sexta, a plataforma de dados on-chain Santiment foi ao Twitter compartilhar um relatório do dia anterior que apresenta dados relevantes sobre o passado recente de grandes investidores institucionais e baleias do Bitcoin, que pode jogar luz sobre o mercado de criptomoedas em 2023.
🐳 #Bitcoin whales have dumped this past year. But typically, dumped $BTC will largely be in #stablecoins until prices are intriguing enough for them to jump back in. Our latest insight touches on where their money has likely been moving since May. https://t.co/8hVXhENthZ pic.twitter.com/fUpBhw66EZ
— Santiment (@santimentfeed) October 28, 2022
Segundo a empresa, os grandes players provavelmente correram para os Treasuries, os títulos do Tesouro dos EUA, de maio para cá. Isso porque, até então, eles estavam se refugiando nas stablecoins, mas os sucessivos aumentos na taxa de juros pelo Fed e o medo de recessão tornou “muito mais difícil para os grandes detentores justificarem manter uma quantidade tão grande de criptomoedas atreladas ao dólar à margem”, razão pela qual, agora, os traders estão de olho no valor de mercado das stablecoins, que pode sinalizar o retorno destes investidores.
Outro sinal foi emitido pelo Banco Mundial na última quinta (26) com a divulgação do relatório Commodity Markets Outlook, por meio do qual a entidade projetou que a energia deverá cair até 11% no próximo ano, após um aumento de 60% em 2022, retração semelhante à do petróleo, que deverá cair dos atuais US$ 94,5 o barril do Brent para US$ 92 em 2023 e US$ 80 em 2024. Recuo que deverá se refletir em outras commodities, entre elas as agrícolas, que devem perder 5% de valor de mercado em 2023 e, inclusive, o cobre e o alumínio que, segundo a entidade, já estão em declínio. Resta saber se, caso as commodities sejam menos atrativas em 2023 e o Fed comece a aliviar sua política monetária, parte dos investidores retornarão ou não para o mercado de criptomoedas.
Quem está animado com o futuro cripto é o ex-executivo do Goldman Sachs Raoul Pal, dizendo que este mercado será “maior que o do petróleo” ao crescer 30.000% e que um segmento vai explodir, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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