A participação dos bancos tradicionais no Índice Bovespa foi reduzida em quase um terço durante a pandemia.

É o que mostra um levantamento do site 6 Minutos, que mostrou que a participação das ações ordinárias e preferenciais dos bancos no Ibovespa despencou de 26.6% para 19% nos últimos 12 meses.

O Ibovespa é montado com as ações mais representativas do mercado, o que indica que a pandemia afetou duramente o desempenho de ações dos bancos, em espeical os maiores: Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Santander e BTG.

O maior motivo apontado é a perda no valor das ações, que durante a pandemia despencaram. A queda total é de mais de 26% entre os bancos, segundo o Investing.com.

Enquanto os bancos caíram drasticamente, ações de commodities e varejo cresceram em bom ritmo. As maiores varejistas do país, que aderiram ao digital com força - Magalu, Americanas, Renner, Via Varejo e B2W - , cresceram no Ibovespa de 5% para quase 10%.

Em nota, o Itaú Unibanco ressalta que ampliou a composição dos ativos, o que diluiu o peso de suas ações:

“É importante observar que a carteira de 2019 continha 68 ativos em sua composição, enquanto a carteira vigente contém 77. O incremento de 9 ativos causa diluição dos pesos das ações na carteira teórica”.

O peso da inadimplência, com um país que enfrenta recessão econômica, fuga de capitais, desvalorização de moeda, alta histórica do desemprego e inflação à vista, também influenciou na confiança dos investidores nos bancos.

Mas há outros fatores em jogo. O crescimento exponencial de fintechs na crise, com bancos digitais que oferecem até carteiras de criptomoedas, e as inovações do Pix e do Open Banking também impactam o setor.

Com o lançamento do cadastramento das chaves do Pix, os bancos já conseguem ter uma ideia do quanto serão impactados pelo lançamento do novo sistema. Quem lidera o número de chaves cadastradas é o banco digital Nubank, com quase três vezes mais chaves de clientes do que o primeiro banco da lista, o Bradesco.

A competição do Pix vai colocar exchanges e fundos de criptomoedas em maior igualdade de condições com bancos e fintechs também. Se antes era preciso passar pela burocracia bancária para saques e depósitos, com o Pix os procedimentos serão instantâneos, fazendo com que o mercado de criptomoedas seja mais acessível à população em geral e integrando melhor as exchanges ao sistema financeiro.

Carlos Macedo, da Omninvest, diz que o maior impacto ainda não é mensurável, já que o Pix não está no ar, mas os bancos terão de acompanhar a inovação para não perderem ainda mais mercado:

“O maior impacto do uso da tecnologia em serviços financeiros virá de modelos de negócios que ainda não conseguimos ver agora, que ainda serão inventados. O modelo do Pix vai levar muitas empresas a repensarem como funciona o seu relacionamento com o cliente”

Ele, porém, ressalta que os bancos ainda têm a seu favor a confiança e robustez de seus modelos de negócios e aposta que, se a economia se recuperar, as ações das instuições tradicionais devem seguir este caminho:

“Não quer dizer que os grandes bancos vão encolher. Tem muita gente competente nessas instituições. O que vai acontecer é que no espaço de 10 anos, as fintechs vão crescer tão mais que terão 20% do mercado”

Enquanto isso, como noticiou o Cointelegraph Brasil, os fundos de criptomoedas brasileiros têm registrado os melhores desempenhos no ano, com crescimento expressivo apesar da pandemia.

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