Em 2021, foi registrada pela primeira vez a diminuição do valor de dinheiro em circulação no Brasil. Segundo dados divulgados recentemente pelo Banco Central, o total passou de R$ 370 bilhões para R$ 340 bilhões circulando em cédulas e moedas.

Essa foi a primeira redução de moeda corrente em circulação no país desde a criação do plano real em 1994. E a popularização dos meios de pagamento digitais, como cartões, pix e criptomoedas é um mais forte motivo.

O Banco Central calcula que 90% das transações bancárias registradas no período foram realizadas por dispositivos móveis ou pela internet. Além do PIX, que é uma solução nacional, há cada vez mais opções de pagamento digitais conectando empresas e consumidores no mudo todo.

Uma pesquisa promovida pela Rapyd, fintech unicórnio fundada em Israel, revelou que sem papel-moeda nem cartões plásticos, o consumidor já se sente, no geral, confiante em usar alternativas virtuais para transferir e receber valores.

Ainda segundo a pesquisa, das tecnologias que estariam dispostos a experimentar, podendo escolher mais de uma opção, 80% marcaram redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp, por exemplo) ou plataforma como GooglePay e Apple Pay. 36% optaram por criptomoedas e 22% por pagamentos por voz (Siri e Alexa, por exemplo).

“Esses dados reforçam a impressão que já tínhamos do Brasil, um país de perfil mais receptivo e menos desconfiado que outros da América Latina. O brasileiro já mostrou que está pronto para que o digital faça a economia girar.”, destacou Ximena Azcuy, diretora de parcerias e desenvolvimento de negócios para as Américas da Rapyd.

O futuro do dinheiro

Diante deste dados que apontam cada vez mais o aumento das soluções de dinheiro digital o Cointelegraph ouviu diversos especialistas sobre o qual é o futuro do dinheiro. 

Para Mani Thawani, Fundador do Mundo Crypto, o universo dos criptoativos impulsionou a criação das CBDCs mas elas são totalmente diferentes já que enquanto os criptoativos são descentralizados o CBDC é o mesmo dinheiro fiduciário, só que em versão digital.

"As criptomoedas são normalmente armazenadas em um livro descentralizado, seguro e público, onde as transações são realizadas, autenticadas e registradas, livrando-se das autoridades centralizadas. No entanto, as CBDCs são apenas moedas digitais que não têm nada a ver com o setor de criptomoedas e são completamente reguladas e controladas por uma autoridade ou banco centralizado", disse.

Desta forma, Thawany argumenta que a sociedade futura caminha para a descentralização, embora isso não seja um determinante para pontuar qual será o dinheiro dominante no futuro.

"A sociedade futura caminha para a descentralização recuperando assim a liberdade que a centralização roubou de nossas vidas. Não podemos prever qual forma de dinheiro acabará dominando o mercado, pois provavelmente ambas as formas coexistirão. No entanto, sabemos para onde o mundo está se movendo", disse.

Dan Khomenko, CEO da Sidus Heroes, aponta que estamos em um ponto histórico no tempo, testemunhando grandes mudanças no sistema financeiro global e, neste ponto, há vários anos, o dinheiro fiduciário vem perdendo a confiança das pessoas.

"Isso se deve em grande parte à impressão de dinheiro não regulamentado, o que leva à inflação permanente e à depreciação da poupança. Isso está direcionando as pessoas para uma forma de pagamento completamente nova – criptomoeda", destacou.

Dinheiro em papel irá morrer

Porém a falta de regulamentação ainda prejudica o mercado de criptomoedas, mas Khomenko acredita que no futuro não haverá espaço para o dinheiro físico.

"Com um número crescente de seguidores aliado ao aumento de atividades fraudulentas, as criptomoedas em todo o mundo estão cada vez mais sujeitas a medidas regulatórias. Se os governos encontrem uma maneira de regular o mercado sem impedir a inovação, as criptomoedas, incluindo as CBDCs, poderão substituir a moeda fiduciária no devido tempo", aponta.

Na mesma linha Thawani, também aponta que o dinheiro físico tem sido uma parte crucial da história humana por mais de 2.000 anos e embora as criptomoedas e as diferentes formas de dinheiro digital estarem moldando a sociedade do presente e do futuro o papel moeda ainda permanecerá no futuro.

"Um pequeno grupo de pessoas iniciou a chamada revolução econômica criptografada buscando adoção em massa. Hoje em dia, sua missão está sendo cumprida, mas isso não significa que as criptomoedas vão quebrar de repente o papel-moeda. O papel-moeda ainda existirá por muito tempo e provavelmente será a primeira transição e coexistirá com os CBDCs, enquanto mais tarde o papel-moeda, os CBDCs e as criptomoedas coexistirão no mesmo modelo econômico", argumentou.

Segundo aponta, o poder de transformar o papel-moeda em lenda ainda reside nos bancos.

"No entanto, os bancos finalmente precisarão se adaptar ao modelo econômico emergente, que pode acabar no desaparecimento do papel-moeda. A força da população em geral não pode ser detida por nenhum indivíduo ou grupo de autoridades centralizadas", destacou.

Mundo não será dominado por apenas 1 forma de dinheiro

Serge Baloyan, cofundador da X10 Agency, uma das principais agências que trabalham com projetos web3 e cripto, destaca que o mundo não será dominado por apenas 1 forma de dinheiro. No entanto, em algum momento o papel moeda será totalmente eliminado do mercado.

"Acho que os dois tipos de moedas digitais existirão: cripto e CBDC. Nos últimos dois anos, entendemos que a criptomoeda não é apenas uma tendência temporária, ela permanecerá com a humanidade mesmo sob restrições, crise financeira e outros possíveis problemas. Ao mesmo tempo, os CBDCs são o tópico em que muitos grandes governos estão trabalhando no momento", apontou.

Desta forma, a questão do futuro será quais governos permitirão que CBDCs e criptomoedas coexistam e quais restringirão as criptomoedas.

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