Um dos sócios da Telexfree,  empresa acusada de comandar uma das maiores pirâmides financeiras da história do país, perdeu sua cidadania brasileira por decisão do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira, 18 de fevereiro, e deverá ser julgado nos Estados Unidos. A notícia é do Valor Econômico.

Segundo a matéria, Carlos Natanael Wanzeler perdeu sua nacionalidade brasileira após ter requerido a cidadania estadunidense, com a maioria do STF seguindo a recomendação do relator do processo, o ministro Ricardo Lewandowsky.

O único voto contra a perda da cidadania do colegiado foi do ministro Edson Fachin.

A perda de cidadania acompanha uma decisão de 2018, do então Ministro da Justiça do governo Michel Temer, Torquato Jardim, que naquele ano havia determinado que Wanzeler deveria responder por seus crimes nos Estados Unidos, onde havia requerido nova cidadania.

Na época, o Ministro da Justiça justificou a perda de cidadania pois Wanzeler entrou com um pedido para tornar-se cidadão estadunidense mesmo já possuindo green card, que é a autorização de residência nos EUA. Segundo o ministério, ele se refugiou no Brasil para fugir da prisão na América do Norte. Seus advogados negam.

No Brasil, são mais de 11 mil ações civis movidas por pessoas físicas, três ações penais e uma ação civil pública contra a Telexfree, considerada uma das maiores pirâmides financeiras do país e que depois cederia a estrutura do esquema e uma série de líderes estelionatários para outras pirâmides, entre elas as envolvendo Bitcoin, como a Unick Forex.

Nos Estados Unidos, Wanzeler responde a uma ação penal e tem um pedido de prisão expedido contra si desde maio de 2014. Segundo o Ministério do Trabalho, a perda da cidadania deu-se porquê Wanzeler requeriu uma segunda cidadania nos EUA mesmo já possuindo Green Card, a autorização de residência estadonidense. A pasta argumentava que ele havia fugido para o Brasil para fugir da prisão, o que seus advogados negam.

Como noticiou o Cointelegraph Brasil, os dois sócios da Telexfree, Wanzeler e Carlos Costa, foram presos pela Polícia Federal em dezembro de 2019. Pouco depois, Costa apareceu promovendo uma nova empresa de "marketing multinível".

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