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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Sarcophagus usa contratos inteligentes para transmitir heranças em criptomoedas após morte de investidores

Protocolo apresenta solução para que criptomoedas possam ser repassadas a herdeiros em caso de morte dos investidores sem que seja necessário o compartilhamento de chaves privadas em vida.

Sarcophagus usa contratos inteligentes para transmitir heranças em criptomoedas após morte de investidores
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Até pouco tempo a única forma de fazer com que as criptomoedas sobrevivessem à morte dos investidores seria compartilhando as chaves privadas com os possíveis herdeiros. Agora, o Sarcophagus (SARCO) permite que seus usuários definam instruções a serem executadas por contratos inteligentes caso os investidores morram ou tornem-se incapacitados por razão de doenças graves ou acidentes, reportou o site Decrypt.

O Sarcophagus também pode ser acionado em razão da perda de chaves privadas. Nesse caso, ao invés de os ativos manterem-se inacessíveis para sempre há a possibilidade de transferi-los para alguém de confiança e posteriormente recuperá-los.

Apresentando-se como um protocolo de herança descentralizado e auto-soberano para o metaverso, Sarcophagus se propõe a criar soluções à prova de falhas que desencadeiam uma ação a partir do momento em que determinado usuário não consegue provar que está vivo - ou ao menos ativo e dono de suas plenas faculdades mentais. 

A funcionalidade não se restringe à transmissão de criptoativos a herdeiros pré-determinados, mas também tem utilidade para "desligar o interruptor" em outros sistemas digitais vinculados aos usuários, tornando-o um elemento fundamental para autogestão de personalidades digitais no metaverso, de acordo com seus desenvolvedores. Os usuários poderão decidir de antemão qual será o destino do seu avatar digital após a morte no plano físico.

Funcionamento na prática

Na prática, os usuários do Sarcophagus poderão armazenar com segurança documentos e informações que são reveladas automaticamente a um destinatário se eles deixarem de assinar mensagens criptográficas que garantem a sua existência. Ao armazenar uma transação assinada, mas não publicada, qualquer ação on-chain pode ser condicionada à falha do usuário em provar que é quem diz ser e, em última instância, que está vivo.

A verificação da personalidade se baseia em uma série de ações que devem ser cumpridas e o "interruptor do homem morto" é acionado caso o usuário seja incapaz de proceder corretamente com todas as etapas de verificação.

Então, os ativos vinculados a um determinado endereço são herdados por um outro endereço especificado colocando uma transação assinada, mas não publicada em um Sarcófago. O destinatário tem permissão de publicar a transação para executar a transmissão da herança, uma vez que o processo de verificação falhar.

O mesmo sistema é útil para configurações de assinatura múltipla em DAOs (organizações autônomas descentralizadas) para garantir que um determinado usuário ainda é capaz de cumprir suas funções ou então transferir os direitos sobre a assinatura direitos a um outro usuário.

Outros casos de uso incluem a salvaguarda de ativistas políticos que desejem garantir que informações críticas sejam reveladas caso eles desapareçam (agindo como uma forma garantir sua própria segurança), integrações com serviços de backup auto-soberanos, como o Ardrive, permitindo, por exemplo, o backup frequente de pesquisa de determinado usuário ou até mesmo como um dispositivo de segurança a ser liberado em caso de perda de chaves privadas).

Para criar seu "sarcófago digital", os usuários devem vincular um endereço na rede Ethereum (ETH) que concederá acesso a um arquivo quando o protocolo for acionado. O endereço público do destinatário e a data em que o arquivo foi acessado são registrados na blockchain.

O Sarcophagus usa operadores de nós incentivados para manter a rede que são denominados “arqueólogos” e são recompensados em tokens SARCO. O acordo entre os usuários, chamados “embalsamadores”, e os arqueólogos é chamado de “maldição” e “ressurreição” e determina quando a "abertura" do sarcófago será executada caso o usuário não seja capaz de completar a verificação. Os contratos inteligentes do protocolo são implementados no Ethereum e os dados são armazenados no Arweave (AR).

DAO

O token nativo do protocolo foi lançado há um ano atrás e no meio do ano passado uma DAO foi formada para gerenciar o projeto. Recentemente, o Sarcophagus arrecadou US$ 5,47 milhões vendendo seus tokens firmas de capital de risco.

No momento em que este texto está sendo escrito, o SARCO está cotado a US$ 1,01. O preço do token parece ter sido impactado positivamente pelo aporte de capital divulgado nesta quinta-feira e registra uma valorização intradiária de 4,9%, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Desempenho do SARCO nas últimas 24 horas. Fonte: CoinMarketCap

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, as organizações autônomas descentralizadas estão se apresentando como um modelo alternativo de financiamento de projetos em oposição ao das grandes corporações e dos fundos de capital de risco.

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