As polêmicas das eleições dos Estados Unidos - urnas falsas, coação de adversários e ameaças do presidente Trump - reacendem o debate sobre a segurança de eleições em cédulas de papel e os modelos de eleições eletrônicas ao redor do mundo.
Entre as tecnologias que oferecem transparência e inviolabilidade, a blockchain se destaca, sendo usada com sucesso por milhares de empresas do mundo em busca de seguranca de dados e acessibilidade. Mas por que a blockchain não é usada globalmente em eleições?
A primeira resposta pode ser óbvia: a blockchain é uma tecnologia relativamente jovem e faltam casos de sucesso do uso da tecnologia em eleições. A Rússia realizou votações em blockchain, assim como nações menores como a Geórgia
A segunda resposta envolve a resistência das populações para confiar em um sistema de votações eletrônicas e à distância, especialmente depois que as redes sociais trouxeram teorias da conspiração que colocam em xeque mesmo experiências de sucesso, como o caso do Brasil.
No Brasil, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, abriu uma licitação para buscar uma alternativa mais barata para as urnas eletrônicas, considerando inclusive testes com votos online, na busca de diminuir as abstenções. O coordenador do projeto "Eleições do Futuro" no TSE, Sandro Vieira, disse à BBC News Brasil:
"Do ponto de vista teórico, não temos dúvida que o modelo online é mais barato e eficiente. Agora temos que fazer os estudos para ver se, do ponto vista prático, ele é viável, se nós conseguimos evitar as fraudes, se conseguimos garantir que o eleitor tenha respeitada sua vontade no momento da eleição"
Há países que adotam o voto online para cidadãos que residem no exterior, como Armênia, Austrália, Canadá, Estados Unidos, México, Nova Zelândia, Panamá e Suíça.
Na Estônia, famosa pela adoção de tecnologias disruptivas, 44% dos eleitores já usam o voto online há mais de uma década.
Em 2018, os Estados Unidos também começou a usar o app blockchain Voatz em parte das jurisdições eleitorais, confirmando a identidade dos eleitores com blockchain e criptografia. No fim do voto, é emitido um "recibo" ao cidadão e ao colégio eleitoral, para garantir a autenticidade em caso de necessidade de recontagem.
O app, porém, foi alvo de críticas de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que apontaram uma série de vulnerabilidades na plataforma, incluindo brechas para ataques hackers. A empresa contestou.
Já a Suíça também busca lançar o voto online a partir de 2021, inaugurando o que pode ser uma tendência a ser adotada em toda a Europa.
No Brasil, apesar da posição cética do presidente Jair Bolsonaro - que foi eleito por voto eletrônico - as urnas eletrônicas já sobrevivem a 23 anos e 12 eleições, sem escândalos nem fraudes. Com a aceleração da adoção de blockchain em procedimentos estatais, é de se esperar que o debate sobre a blockchain em eleições também entre na pauta, cedo ou tarde.
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