O CEO da exchange de criptomoedas argentina Ripio, Sebastian Serrano, deu uma entrevista nesta segunda-feira comentando a recente aquisição da brasileira BitcoinTrade pela exchange e lamentou a "falta de profissionalismo" do mercado brasileiro, a matéria do Portal do Bitcoin.

Na entrevista, Serrano fala sobre a compra de uma das maiores exchanges do mercado brasileiro, a BitcoinTrade, e garante que as duas exchanges devem coexistir, Ripio e BitcoinTrade, pelo o menos por enquanto.

Segundo ele, a BitcoinTrade vai se especializar no setor de trading em busca de traders profissionais, enquanto a Ripio vai apostar ainda mais em novos investidores interessados em comprar e manter criptomoedas:

"Estamos unificando os sistemas agora para termos um mesmo compliance e permitir que os usuários usem o mesmo login e senha para as duas contas. Agora somamos 1.3 milhão usuários entre as duas empresas, incluindo os argentinos."

Ele também tratou sobre as diferenças entre o mercado brasileiro, o maior da América Latina, e o argentino, onde a tração do mercado cripto é maior, por conta da economia dolarizada e inflação real.

"Os argentinos usam o Bitcoin (BTC) mais como reserva de valor. O brasileiro adquire o Bitcoin como uma oportunidade mais ligada a investimento e trading", analisou ele, completando:

"O Brasil é o maior mercado da América Latina, mas o país tem uma coisa bem diferente do mercado argentino. Na Argentina, o produto mais importante são as carteiras, no Brasil são as exchanges. O usuário brasileiro é mais investidor/trader e, para termos uma participação no mercado, precisávamos ter uma boa exchange."

O CEO da Ripio diz que o que chamou atenção da empresa para a BitcoinTrade foi o profissionalismo, segundo ele algo raro na criptoesfera brasileira. Ele reconhece que conversou com outras exchanges no processo:

"É verdade que conversamos com outras empresas. Em alguns casos, o tempo do mercado não era bom para a operações; em outros tinham operações não tão profissionais. O mercado brasileiro não tem muitas equipes profissionais trabalhando com criptomoedas. É algo que tem na Ripio, em boa medida por ter recebido investimentos até do Vale do Silício, gente muito profissional. Lamentavelmente, no mercado brasileiro não houve muito investimento de venture capital nas exchanges, então são operações talvez menos profissionais e isso dificultou muitas conversas."

Sobre a concorrência no mercado brasileiro, a aquisição da exchange brasileira deve ampliar a atuação da Ripio no país, um movimento que traz a argentina para a concorrência com outra exchange internacional, a Bitso, que também está se expandindo no país com novos investimentos de venture capital.

Serrano diz que a Ripio leva vantagem por já ter um escritório no país há alguns anos, comandado por Ricardo Da Ros, Country Manager da exchange argentina no país. A maior concorrente segue sendo a brasileira Mercado Bitcoin, maior exchange do continente:

"Hoje claramente o líder é o Mercado Bitcoin. A Binance tem um produto um pouco diferente porque é uma empresa mais global, outro tipo de trading, mas muito usado no Brasil. Mas a Ripio está trabalhando muito para tomar esta posição."

Na entrevista, ele ainda diz que não acredita que o governo argentino tente regular o setor de criptomoedas muito cedo, já que a maior preocupação do país é com as reservas em dólares, e não sobre a negociação de criptomoedas em pesos. Apesar disso, desde novembro o congresso do país discute um projeto de lei para tentar regular o setor.

LEIA MAIS