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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Policia lança cartilha sobre criptomoedas com dicas para evitar golpes

“Os investimentos têm demonstrado valores expressivos nos últimos anos. E os golpes estão cada vez mais comuns", destaca Polícia Civil em cartilha sobre criptomoedas

Policia lança cartilha sobre criptomoedas com dicas para evitar golpes
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) anunciou o lançamento de uma cartilha especial voltada aos investidores de criptomoedas e destinada a auxiliar os interessados em criptoativos a não serem vítimas de golpes.

A cartilha chamada “Criptomoedas: golpes e dicas de prevenção” destaca que as atividades envolvendo criptoativos exigem conhecimento sobre o tema e que portanto, os investidores neste mercado não podem acreditar em propostas de lucros irreais.

“Os investimentos têm demonstrado valores expressivos nos últimos anos. E os golpes estão cada vez mais comuns. A garantia de valorização rápida é um indicativo de fraude, pois o preço da criptomoeda varia de acordo com a demanda de mercado”, advertiu a titular da Delegacia Especializada em Defesa do Consumidor, delegada Danúbia Quadros.

Segundo Danúbia Quadros, entre as armadilhas mais comuns estão os sites impositores (phishing), criados para parecer uma empresa real e consolidada no mercado. Outro alerta é sobre aplicativos móveis falsos de criptomoedas, bem como empresas e corretoras falsas.

Na lista, ainda, aparecem as pirâmides financeiras, esquemas fraudulentos que atraem investidores com a promessa de ganho rápido, rendimentos elevados e lucros garantidos.

Criptoativos demandam cuidados

Para o advogado Rafael Marenco Barella, da área de tecnologia e propriedade intelectual do escritório Cescon Barrieu, a tendência é que a regulamentação das criptomoedas no Brasil ajude a eliminar muitas práticas fraudolentas no mercado.

“Uma das mais importantes foi uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul sobre a validade e eficácia da venda de um imóvel por meio de um Token. Dadas as inúmeras aplicabilidades da utilização deste meio e dos bens que podem ser Tokenizados, o Legislativo também tem se movimentado e o Senado já analisa um projeto sobre o assunto”, diz.

Ele se refere ao Projeto de Lei nº 3825/2019, aprovado em 22 de fevereiro na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e que visa a disciplinar os serviços referentes a operações realizadas com criptoativos em plataformas eletrônicas de negociação. Caso o projeto não tenha nenhum outro recurso, poderá seguir direto para a aprovação do plenário do Senado.

Segundo a advogada Julia Franco, sócia na área de mercado de capitais do escritório Cescon Barrieu, até o momento não existe regulamentação expressa que determine se a oferta de Tokens ou NFTs está sujeita – ou não – a registro perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de modo que a resposta dependerá das características específicas de cada Token ou NFT e da forma como eles são oferecidos ao público investidor.

Por isso, é preciso ter cuidados ao adquirir esses ativos, especialmente com a comprovação de que existe um registro.

“O Token ou NFT é uma representação de um ativo e a propriedade dessa representação é comprovada pelo registro no blockchain e é importante ter a certeza de que ele realmente existe. Como o processo de tokenização é considerado simples, o comprador deve se certificar de que a negociação é legítima e realmente resulta na transferência da propriedade de um bem específico, bem como que o vendedor pode efetivamente dispor desse bem”, alerta.

Por outro lado, para Tania Liberman, sócia da área de tecnologia e propriedade intelectual do escritório Cescon Barrieu, o comprador deve sempre analisar toda a documentação relacionada ao Token ou NFT.

“As ofertas dessa natureza são tipicamente acompanhadas de outros documentos, incluindo o White Paper, termos e condições, regulamento, relatórios de auditorias (inclusive do código fonte) e contratos, que descrevem de forma completa quais são os direitos que uma pessoa está efetivamente adquirindo ao comprar aquele Token ou NFT”, diz.

De acordo com Tania, a decisão de adquirir criptoativos deve sempre ser muito bem pensada e calculada.

“Trata-se de ativo de alta volatilidade, não protegido por nenhuma entidade ou regulação no Brasil e que causa prejuízos financeiros sem o devido cuidado e expertise”, conclui.

Confira a cartilha da Polícia Civil

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