O sistema de transações rápidas do Banco Central, o Pix, entrou no ar em novembro de 2020, mas ainda é alvo de criminosos e propagadores de fake news na internet.
Em levantamento recente, a empresa de segurança digital Kaspersky encontrou mais de 60 sites falsos, que usam as técnicas de "phishing" para o roubo de informações de usuários do Pix.
Segundo uma matéria do programa Fala, Brasil!, da TV Record, os casos de phishing são considerados os mais comuns para tentar ludibriar a população em transações do Pix.
Os criminosos fazem uso de links, mensagens e QR Codes falsos para atrair as vítimas e roubar o dinheiro das transações, tentando até mesmo obter o controle de contas através de conteúdo malicioso.
A especialista em transformação digital Sandra Turchi diz na matéria:
"Precisa se assegurar antes de ir pagando. Acho que o grande problema é que no dia a dia estamos naquela pressa e não colocamos essas questões no meio da nossa rotina e isso pode nos pegar distraídos"
Os criminosos também têm entrado em contato com as vítimas através de ligações telefônicas e SMS, passando-se por conhecidos ou entidades financeiras e dizendo que precisam fazer determinada transação "com urgência", pedindo dados como CPF, senhas ou até pedem para a vítima cadastrar suas chaves em um site falso.
Muitas vezes eles também conseguem hackear contas de aplicativos como o WhatsApp, conseguindo acesso à rede de contatos das potenciais vítimas para dar sequência ao golpe. A especialista recomenda não repassar nenhum dos dados e ter atenção a movimentações estranhas na conta corrente.
Além de sites falsos e outras tentativas de phishing, o Pix também tem sido alvo de fake news, algo que virou parte da rotina dos brasileiros.
Conforme apurou a Agência Lupa, um vídeo no WhatsApp tem circulado com um homem dizendo que o Pix é uma "conta no Banco Central" e seria uma forma de controle social por órgãos governamentais, já que BC e Receita Federal teriam acesso a "informações detalhadas das compras dos brasileiros". O homem diz no vídeo:
“O PIX é uma conta que você vai ter dentro do Banco Central e através do Pix tudo que você for comprar, vai ler o QR Code, vai ler um código de barras, essa informação vai para o seu banco, vai para o Banco Central e vai para a Receita Federal. Então, hoje à tarde, parei tomei um café na padaria. Se eu pagar através do Pix, o banco central vai saber em qual padaria eu estive, em que horário eu estive e qual foi a bebida que eu tomei (…) O Banco Central vai saber que o Marcelo, no dia 10 às 15h tomou um café expresso. A Receita Federal vai saber. E se eu tiver, sei lá, um infarto, e for usar lá o INSS, o meu plano de saúde, os caras vão falar: ó, você tá tomando muita cafeína, a gente não vai cobrir”
A Lupa desmontou a mentira propagada na rede de mensagens, lembrando que o Pix não é uma "conta no Banco Central" e que a instituição não recebe informações específicas de transferências. A assessoria do BC também esclarece que "o Pix é um sistema de pagamento instantâneo que utiliza as contas que os clientes já possuem em instituições financeiras. Sendo assim, não é preciso abrir uma conta no BC — algo que nem sequer existe — para usar o Pix."
O Banco Central ainda garante que o Pix é seguro e que possui sistemas antifraude, operados pelas instituições que oferecem o serviço. Uma dúvida que é levantada desde o lançamento do sistema é qual das partes se responsabilizaria por ressarcir o consumidor em caso de fraudes como as relatadas nos últimos meses. Pelas regras impostas pelo BC, essa responsabilidade é das instituições financeiras, embora haja insegurança jurídica sobre o tema. Especialistas dizem que o sistema atende aos padrões de segurança digital.
Ainda sobre o Pix, parte dos clientes da exchange de criptomoedas Binance no Brasil têm reclamado de atrasos nas transferências em real da exchange para a conta corrente usando o sistema, como noticiou o Cointelegraph Brasil.
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