Pirâmide Financeira: o que é, como funciona e como não cair em armadilhas?

O esquema de “pirâmide” tem chamado a atenção da mídia nacional. O golpe, com pena prevista de 6 meses a 2 anos de detenção e multa, ainda é visto como opção de renda fácil. Além de desinformação, dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dão pistas do porquê da adesão às pirâmides financeiras.

De acordo com a pesquisa, o número de desempregados no Brasil foi de 12,6 milhões no 2º trimestre de 2019, junto do aumento de empregos informais (41,4% da população ocupada). Mais informalidade, mais busca por fontes de renda “alternativas”. Somada a isso está toda a burocracia que não estimula a população a investir sem ter que apelar para “formas” menos complexas de fazer dinheiro.

Diariamente, brasileiros caem em promessas de “retorno financeiro garantido” na internet — onde estão golpistas experts em pirâmides financeiras. Para falar sobre o tema, a reportagem do DINO (Divulgador de Notícias) entrevistou duas autoridades sobre criptomoedas: Cassio Gusson, diretor de notícias do Cointelegraph e Cláudio Goldberg Rabin, editor-chefe do Portal do Bitcoin.

DINO: Por que criptomoedas são alvo de pirâmides?

Cassio Gusson: Criptomoedas, principalmente o Bitcoin, são muito usadas em esquemas de pirâmide por diversos fatores. Um deles é a volatilidade do ativo. Ao contrário do mercado tradicional, ele oscila muito. Movimentos como 10% de valorização em um dia são comuns, assim como quedas do mesmo valor, o que traz a ilusão de que operações de trader são altamente vantajosas pois “compram na baixa e vendem na alta”. Isso não é verdade. Como no mercado tradicional, é difícil saber o exato momento de comprar e vender.

Cláudio Rabin: Pela facilidade de esconder o dinheiro das vítimas após o golpe, já que a pirâmide transforma ele em criptomoeda. É mais difícil para a polícia ou Justiça encontrar e confiscar. Na maioria das pirâmides atuais, o dinheiro não passa pelo sistema financeiro tradicional.

D - Quais foram os casos mais "criativos" de pirâmides que vocês já se depararam?

CG: Já vi pirâmide de energia solar e produtos de cachorro. Mas o caso mais inusitado é a Plustoken, uma pirâmide chinesa que se fazia passar por carteira de criptomoedas. O golpe foi tão bem orquestrado que os operadores conseguiram faturar mais de 201 mil Bitcoins e 10 milhões de Ethereum. Isso dá mais de R$ 6 bilhões. 

CR: Duas grandes empresas brasileiras de arbitragem sumiram com milhões de reais em 2019. Em uma, o cliente fazia um tipo de arbitragem infinita entre as plataformas e, segundo relatos, era possível dobrar o capital em menos de uma semana. Na outra, o processo era mais lento, no estilo pirâmide de madoff. A criatividade dessas empresas foi se diferenciar da pirâmide clássica ao não ser necessário indicar ninguém.

D: Quais características óbvias podem ser detectadas facilmente na internet?

CG: Oferece planos de investimento? Procure a CVM [Comissão de Valores Mobiliários]. Se não tiver autorização é ilegal. Prometeu retorno garantido? Possível golpe. Aplicações no mercado Forex? Golpe. Planos de rentabilidade com produtos que envolvem a compra fixa de pacotes destes produtos? Possível golpe. Pagamento de rentabilidade em uma criptomoeda própria? Possível golpe. “Líderes ostentação” (com carros e festas)? Possível golpe.

CR: Se a empresa tem “líderes” que convocam as pessoas oferecendo rendimentos e bônus por convidar mais investidores, pode ter certeza que é pirâmide. Outro alerta é a promessa de rendimentos diários de 1.5% a 5%. Esses valores altos só servem para seduzir os incautos. Não existe empresa no mercado que pague isso.

D: Qual é o futuro das pirâmides financeiras e do combate a elas? O Governo, por exemplo, pode ajudar mais?

CG: a pirâmide financeira deve se tornar crime federal, diferente de hoje, considerada “crime contra a economia popular”. Teria que punir os “donos” e também os líderes e influencers que divulgam o golpe. O governo deve facilitar a entrada de pessoas no mercado de capitais. As pirâmides mostram que as pessoas querem investir e aplicar seu dinheiro, mas há tantas taxas e o acesso ao mercado é tão complicado que acabam indo no “vizinho que estudou e tá ficando rico”.

CR: Pirâmides dificilmente têm novas caras. Geralmente são lideradas por pessoas que já deram golpes anteriormente. Mudam de nome e, de tempos em tempos, voltam reformuladas. Sempre verifique o passado de quem chefia a empresa ou de quem ajuda na sua divulgação. O Portal do Bitcoin, por exemplo, possui amplo arquivo de golpes e estelionatários. O governo precisa ser ágil na atuação. A autarquia é importante nesse mercado, pois nenhum esquema conseguiu sobreviver depois de uma notificação da CVM.

D - Como denunciar casos de pirâmide? Vocês possuem canais de denúncia em seus portais? 

CG: O Cointelegraph também possui seu canal de denúncias: cassio.gusson@cointelegraph.com.

R: É importante denunciar para a CVM, que alerta o mercado e comunica o MPF [Ministério Público Federal] sobre os casos. O Portal do Bitcoin tem um e-mail para receber denúncias

Ação Antifraude

Recentemente, o DINO adotou medidas contra conteúdos maliciosos que buscam visibilidade na mídia. A empresa levou seu time para um seminário com Rudá Pellini, fundador e Head of Business Development da Wise&Trust, em São Paulo.

“A ideia foi trazer bagagem sólida para que nossos colaboradores pudessem entender como o sistema funciona e quais são os limites de ganhos. Assim, capacitamos o time para identificar empresas com má intenção”, explica Felipe Pestana, Diretor de Operações do DINO.

Segundo Ralph Pereira, Gestor de Experiência do Cliente, o Divulgador está preparado para identificar golpes. “Aprendemos a cada dia enquanto trocamos informações com parceiros e especialistas do mercado. É uma ação antifraude e garanto: nosso time está aplicado em identificar e barrar golpistas”, finaliza.

Nota: Este texto foi construído pela Dino em parceria com o Cointelegraph e o Porta do Bitcoin. A união de forças é essencial para trazer práticas boas e saudáveis para o mercado.

Confira mais notícias