Pesquisa mostra aumento na busca por profissionais de blockchain no Brasil; advogados lideram

Após pesquisas revelarem que, nos EUA, habilidades digitais não são requisitos exclusivos da área de TI, um outro levantamento, realizado no Brasil, mostrou que a situação é bastante parecida no no país, com uma demanda crescente por profissionais especializados em tecnologia - inclusive na tecnologia blockchain.

A situação, atualmente, é comum em diversas áreas de atuação, algumas sem nenhum vínculo direto com tecnologia - como é o caso do Direito. Os advogados com conhecimentos avançados de tecnologia estão entre os mais procurados do mercado.

A Robert Half, uma consultoria de recrutamento, publicou uma pesquisa feita com 200 advogados dos Estados Unidos que afirmam priorizar certas habilidades na hora da contratação. 48% falaram de cibersegurança, 43%, data analytics, 31% citaram inteligência artificial e 17% falaram da blockchain.

Enquanto isso, no Brasil, a Telenses Group se juntou com a Digital House para criar a primeira edição da Paradigma Digital, pesquisa criada a fim de entender a demanda por habilidades e profissionais digitais no nosso país. Disse Luiz Valente, CEO da Telenses Group:

“O profissional de TI ainda é o profissional mais demandado, pois há uma crença na maior parte das organizações de que para que a transformação digital ocorra, ela deve partir da área de tecnologia da informação. Isso não necessariamente é uma verdade absoluta. Claro que a parte técnica é fundamental, mas estamos falando de algo maior: cultura, mindset e isso independe da área de contratação.”

À parte a área de TI, as três áreas que mais demandam contratação de profissionais digitais são: finanças, com 64%; logística, com 58%; e jurídico, com 56%. Apesar da crescente demanda por Marketing Digital, a área judicial acabou sendo mais demandada.

O gráfico que mostra as especializações mais difíceis de se contratar (acima), dá pistas sobre o cenário do mercado brasileiro. Leandro Bittioli, Senior Manager da divisão de recrutamento da TI & Digital falou a respeito:

“A grande dificuldade de encontrar profissionais do direito digital acontece pois são habilidades e competências muito novas. As áreas jurídicas estão passando por grandes transformações digitais, buscando desburocratizar uma série de processos para ganhar agilidade e digitalizar o que antes precisava obrigatoriamente do papel impresso.”

O CEO da Digital House, Carlos Júlio, completou:

“A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que entra em vigor em Agosto/2020, está criando nas empresas uma urgência em entender como a transformação digital está impactando no direito. Já temos diversas leis com foco no digital, mas poucos advogados especializados nisso.” 

Atualmente, Direito Digital é um curso que só existe em pós-graduações e cursos livres.

Diferentemente do Marketing, que ganhou um curso voltado para a área digital já na graduação, o processo de transformação na área jurídica não está acontecendo de forma tão abrupta, embora já existam sinais claros de que, quanto mais cedo se atualizar, mais oportunidades o profissional de Direito terá.

Direito e blockchain

Um ótimo exemplo da união de direito e blockchain é a OriginalMy, que utiliza a tecnologia para validar e autenticar documentos em cartório de maneira automatizada.

Outros casos de uso são registro de provas de autoria, certificação de autenticidade de conteúdo online, comprovação de documentos e arquivos digitais e assinatura de documentos em quaisquer locais no mundo.

Além disso, a The Police Foundation criou um relatório chamado "Reforming Justice for the Digital Age" (ou “Reformando a Justiça para a Era Digital”, na tradução livre), que dá uma ideia de como a blockchain irá revolucionar o sistema judiciário britânico, tornando-o mais rápido, mais barato, mais eficaz e mais seguro, citando casos em que governos já utilizam a tecnologia como na Estônia e nos Estados Unidos.

O uso constante do protocolo digital de confiança no Direito é uma realidade que tende a só aumentar ao longo do tempo.

Atualmente, já existe uma grande demanda de contratação, sendo a área com maior dificuldade no meio digital. E, quando os órgãos públicos começarem a adotar essa nova tecnologia, isso ficará ainda mais evidente.