A Consensys, desenvolvedora de software e de infraestrutura para a rede Ethereum (ETH) anunciou duas marcas importantes nesta terça-feira, 15.

A empresa atingiu US$ 7 bilhões em valor de mercado após levantar US$ 450 milhões em uma rodada de financiamento de série D liderada pela ParaFi Capital. Enquanto isso, o produto mais popular da empresa, a carteira digital não custodial MetaMask, superou a marca de 30 milhões de usuários mensais em janeiro deste ano.

A Consensys foi fundada em 2014 para abrigar startups dedicadas ao desenvolvimento de projetos vinculados à então nascente blockchain do Ethereum. O crescimento da empresa nos últimos dois anos foi impulsionado majoritariamente pelo lançamento e pela popularização da MetaMask, e pela consolidação da Infura como a principal plataforma de infraestrutura da rede idealizada por Vitalik Buterin.

MetaMask

Além de ser utilizada para o armazenamento e negociação de NFTs, tokens ERC-20 e outras criptomoedas compatíveis com o Ethereum Virtual Machine (EVM), a MetaMask é a principal interface da Web3. Os mais de 30 milhões de usuários mensais do aplicativo o utilizam para acessar protocolos descentralizados com diferentes fins. Desde jogos play-to-earn até uma vasta gama de serviços DeFi, como exchanges descentralizadas (DEX), protocolos de empréstimo e agregadores de yield farming.

Em apenas quatro meses, a base de usuários da MetaMask cresceu 42% - e a comunidade cripto brasileira é uma das principais responsáveis por essa expansão, ao lado de usuários dos EUA, Filipinas, Alemanha e Nigéria.

Os próximos passos do desenvolvimento do produto incluem o lançamento de uma nova interface do usuário, uma DAO (organização autônoma descentralizada) e um token nativo, cujo possível airdrop há tempo vem gerando expectativas na comunidade de usuários. Comenta-se que a distribuição dos tokens seria feita de modo a recompensar todos aqueles que utilizam ou já utilizaram o serviço de swap de ativos integrado à interface da MetaMask.

O CEO da Consensys, Joe Lubin, no entanto, preferiu não adiantar informações concretas a respeito do token ou um possível airdrop, mas revelou que a MetaMask pretende implantar uma “descentralização progressiva”, que passa pela formação de uma DAO. A organização autônoma descentralizada não terá participação nas decisões de governança do produto. Seu foco estará majoritariamente voltado para criar novas formas de financiamento para o desenvolvimento da MetaMask."

Recentemente, a MetaMask esteve envolvida em uma polêmica depois que usuários venezuelanos revelaram ter tido seu acesso à rede bloqueado pelo aplicativo. Parte da comunidade cripto, então, questionou até onde vai a descentralização da MetaMask, considerando-se que há uma empresa que responde pelo produto e que ela está sujeita às leis das jurisdições em que opera.

Em um comunicado conjunto com a Consensys, a equipe da MetaMask justificou o bloqueio por conta de uma atualização necessária para atender requisitos determinados pelas sanções impostas à Rússia pelas potências ocidentais. O bloqueio do acesso a cidadãos venezuelanos teria se dado por uma incorreção "acidental" ocorrida durante a realização dos ajustes.

Nova rodada de financiamento da Consensys

Pouco tempo depois de levantar um financiamento de US$ 200 milhões, em novembro de 2021, novas empresas se juntaram a ParaFi Capital, Third Point, Marshall Wace, True Capital Management e UTA VC, o fundo de capital de risco da United Talent Agency, para uma nova rodada de aportes. 

Temasek, SoftBank Vision Fund 2, Microsoft, Anthos Capital, Sound Ventures e C Ventures contribuíram para que a empresa recebesse agorramUS$ 450 milhões, tornando-se uma empresa avaliada em US$ 7 bilhões -  um marco histórico para uma empresa de software e infraestura da indústria cripto, como destacou Lubin em comunicado enviado à imprensa:

"Penso na ConsenSys como uma máquina de capacidades amplas e profundas para o ecossistema de protocolos descentralizados, capaz de capitalizar rapidamente em grande escala sobre novas construções fundamentais que surgem, tais como ferramentas de desenvolvimento, carteiras, auditorias de segurança, DeFi, NFTs, DAOs e muito mais".

Como uma empresa nativa do ecossistema cripto, todos os recursos captados pela empresa nesta última rodada serão convertidos em Ether. Trata-se de uma questão de cultura da empresa e de estratégia financeira, informou a nota à imprensa.

A ConsenSys mantém reservas denominadas em ETH, stablecoins e outros tokens, e está se aproveitando da sua própria infraestrutura para alocar estes ativos em protocolos DeFi, e empenhá-los em staking, antencipando a transição da rede Ethereum do atual mecanismo de consenso baseado em Prova-de-trabalho (PoW) para o de Prova-de-participação (PoS).

Uma parte dos fundos será destinada à atualização da MetaMask com foco na experiência do usuário, bem como no desenvolvimento e na implementação de um novo sistema para promover a integração com uma grande variedade de protocolos de blockchain, além de reforçar os mecanismos de segurança da carteira.

Com quase 700 funcionários com dedicação em tempo integral atualmente, a equipe da ConsenSys deve se expandir ao longo deste ano com a contratação de 600 novos funcionários. Recentemente a empresa anunciou a abertura de oito vagas para profissionais brasileiros.

A ConsenSys também integra o grupo de empresas que vai trabalhar sob a coordenação do Banco Central para desenvolver e implementar o Real Digital, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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