Maior empresa de comércio eletrônico da América Latina, o Mercado Livre tem planos de expandir os serviços de compra, venda e custódia de criptomoedas para todos os países da região após o sucesso da iniciativa no Brasil, informou reportagem do diário El Pais. 

Lançado em novembro do ano passado no Brasil, através do aplicativo de pagamentos da empresa, o Mercado Pago, o serviço de negociação de criptomoedas alcançou a marca de mais de um milhão de usuários ativos em dois meses.

Agora, a ideia é oferecer a possibilidade de investimento nesta classe emergente de ativos para todos os usuários do aplicativo na América Latina, revelou Osvaldo Gimenez, diretor executivo do Mercado Pago, à reportagem:

"Vamos oferecer a possibilidade de comprar, vender e manter criptomoedas em sua conta para toda a região."

Assim como acontece no Brasil, usuários de outros países da América Latina poderão comprar e vender Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Pax Dollar (USDP). Esta última é uma stablecoin atrelada ao dólar emitida e garantida pela Paxos, a mesma empresa que fornece a infraestrutura tecnológica para os serviços de negociação de criptoativos do Mercado Pago.

Além de possibilitar o investimento nas duas maiores criptomoedas do mercado aos usuários latinoamericanos da plataforma, o Mercado Livre oferece uma alternativa de dolarização para cidadãos de muitos países que sofrem com a inflação e a desvalorização de suas moedas nacionais, destacou Gimenez:

"É uma oportunidade alternativa de investimento que achamos muito interessante e tem despertado muito o interesse dos usuários. Em um momento em que o dólar vem se valorizando, os investimentos que os usuários fazem através da nossa plataforma são pequenos. Para nós é mais uma forma de oferecer opções de diversificação de portfólio."

Atualmente, o Mercado Livre contabiliza 38 milhões de usuários ativos na América Latina e o oferecimento de serviços de negociação de criptomoedas tem o potencial de expandir a base de usuários da empresa na América Latina, uma região em que grande parte da população não tem acesso a serviços bancários regulares, disse Gimenez:

"Na América Latina, metade das transações de varejo são pagas em dinheiro e quase metade da população, somos 650 milhões na América Latina, ou não têm conta bancária ou mantêm uma que utilizam basicamente para sacar seu salário em dinheiro. Acredito que esse é o contexto mais importante da região e que vai facilitar o nosso crescimento. Além disso, país a país, há níveis ligeiramente mais elevados de inflação ou taxas de juros que têm impacto em menor escala. Acho que essas duas macrotendências são as que mais impactam [nossas operações]."

Consolidado como um dos principais provedores de serviços financeiros para população de baixa renda no Brasil e na Argentina, o executivo enxerga as melhores oportunidades de crescimento da empresa no México e no Chile na atual conjuntura.

Mercado Livre e as criptomoedas

A maior plataforma de comércio eletrônico e serviços financeiros da América Latina comprou US$ 7,8 milhões em Bitcoin no primeiro trimestre de 2021, surpreendendo o mercado. O investimento foi parte de uma estratégia de diversificação de sua tesouraria, conforme revelou trecho do relatório apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) na ocasião:

"Como parte de nossa estratégia de tesouraria, neste trimestre compramos US$ 7,8 milhões ou R$ 40 milhões em Bitcoin, um ativo digital que incluímos em nossos ativos intangíveis de duração indefinida."

O mais recente balanço divulgado pela empresa registra prejuízo contábil de US$ 11 milhões em ativos digitais no primeiro trimestre deste ano. As perdas ocasionadas pela desvalorização do Bitcoin e o atual ciclo de baixa do mercado, como visto pelas declarações de Gimenez, não alteraram a estratégia para criptomoedas da empresa.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Mercado Livre teve um prejuízo de US$ 10 milhões em sua tesouraria no 2º trimestre deste ano por conta da estratégia de investimentos em Bitcoin. 

Apesar do prejuízo, o Mercado Livre registrou um crescimento de 79,3% do lucro líquido em suas operações na América Latina no segundo trimestre deste ano. A receita líquida do grupo no período somou US$ 2,6 bilhões, um crescimento de 52,5%, e o lucro líquido somou US$ 123 milhões.

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