A Mastercard anunciou nesta quarta-feira, 29 de maio, o lançamento do piloto de um sistema inovador que visa simplificar significativamente as transações peer-to-peer (P2P) de criptomoedas

O  Mastercard Crypto Credential elimina a necessidade dos tradicionais endereços de blockchain, longos e complexos, substituindo-os por nomes de usuário simples e diretos, para facilitar e tornar mais seguro o envio e o recebimento de criptomoedas.

Inicialmente, o sistema estará disponível para clientes qualificados de exchanges parceiras da Mastercard, cujas operações concentram-se nos mercados latinoamericano e europeu. Com o Mastercard Crypto Credential, usuários de criptomoedas do Brasil, Argentina, Chile, Espanha, França, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Suíça e Uruguai poderão realizar transferências domésticas e internacionais em diferentes moedas e redes blockchain. 

Em última instância, o objetivo do novo sistema é expandir a adoção dos ativos digitais nesses países, aumentando a segurança e a confiabilidade das transações.

Em comunicado à imprensa, o vice-presidente executivo de Produto e Engenharia da Mastercard, Walter Pimenta, ressaltou a importância de tornar as transações de ativos digitais mais simples e intuitivas:

 “À medida que o interesse em blockchain e ativos digitais continua a crescer na América Latina e em todo o mundo, é essencial continuar entregando soluções confiáveis e verificáveis em redes blockchain públicas, e a Mastercard continua a investir em sua tecnologia, padrões e parcerias para oferecer pagamentos simples e seguros aos usuários de ativos digitais.”

O Mastercard Crypto Credential utiliza metadados para que os remetentes não precisem ter conhecimentos técnicos para identificar quais ativos ou redes blockchain são suportados pelo destinatário das transações. 

Mercado Bitcoin e Foxbit participam do piloto do Mastercard Crypto Credential

Inicialmente o piloto do sistema será disponibilizado para testes a um grupo seleto de usuários. No futuro, a Mastercard e seus parceiros pretendem expandir o alcance  do Mastercard Crypto Credential para mais de 7 milhões de usuários. No Brasil, o Mercado Bitcoin e a Foxbit serão as primeiras exchanges a oferecer acesso ao produto aos seus clientes.

"Como líderes em soluções inovadoras de blockchain no mercado latinoamericano, como tokenização de ativos do mundo real e a CBDC [moeda digital de banco central] brasileira, acreditamos na iniciativa da Mastercard e em seu potencial de abrir caminho para um futuro mais ágil e eficiente das transações financeiras globais", disse Roberto Dagnoni, CEO da 2TM, proprietária do Mercado Bitcoin.

Além de participar do piloto do Mastercard Crypto Credential, a Foxbit também anunciou nesta quarta-feira o lançamento de um cartão de crédito pré-pago emitido pela Mastercard. 

No comunicado à imprensa, o CEO da Foxbit, Ricardo Dantas, destacou a importância de oferecer soluções que "enriqueçam a experiência dos usuários do dinâmico universo das criptomoedas":

"Nosso trabalho coletivo, que inclui a adesão ao ecossistema Mastercard Crypto Credential e o lançamento do Foxbit Card, alinha-se perfeitamente à nossa missão de expandir a usabilidade e a acessibilidade das criptomoedas, oferecendo aos nossos clientes mais maneiras de gerenciar e aproveitar ao máximo suas finanças digitais."

Como funciona o Mastercard Crypto Credential

O processo de adesão ao sistema começa com a verificação do usuário de acordo com os padrões estabelecidos pela Mastercard, garantindo que todos os participantes atendam aos critérios de segurança e conformidade da empresa.

Como pode ser utilizado em transações transfronteiriças, o Mastercard Crypto Credential está submetido à Travel Rule (ou Regra de Transferência, em tradução livre). O dispositivo regulatório exige que as instituições financeiras, incluindo exchanges de criptomoedas, coletem e transmitam informações específicas sobre os remetentes e destinatários de transações acima de um determinado valor para evitar crimes de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

Uma vez validada a verificação, é gerado um nome de usuário que pode ser usado para envio e recebimento de fundos em qualquer uma das exchanges integradas ao sistema.

Quando uma transação é iniciada, o sistema verifica se o nome de usuário do destinatário é válido e se a sua carteira suporta o ativo digital e a blockchain associadas à operação. Se a carteira do destinatário não suportar o ativo ou a blockchain, o remetente é notificado e a transação não prossegue, protegendo todas as partes envolvidas contra a perda potencial de fundos.

Futuramente, os casos de uso do Mastercard Crypto Credential deverão ir além das transferências de valor P2P. Operações envolvendo NFTs (tokens não fungíveis), emissão de ingressos e outras soluções de pagamento poderão ser adicionadas ao sistema, informou a empresa.

A Mastercard tem investido continuamente em soluções e empresas do setor de criptomoedas e tecnologia blockchain. Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, a empresa brasileira Parfin, que integra o consórcio de desenvolvimento do Drex, foi selecionada pela Mastercard para o programa ‘Start Path Blockchain and Digital Assets’, cujo objetivo é aprimorar as experiências de usuário e expandir casos de uso da tecnologia blockchain.