Apesar do otimismo dos investidores com listagem e airdrop de 10.000.000 de nova criptomoeda na Binance, o Bitcoin (BTC) se lateralizava em torno de US$ 98,7 mil na manhã desta quinta-feira (6) com 66,7% de dominância de mercado. O que não favorecia a esperada temporada das altcoins (altseasons), entre outros fatores elencados pela IntoTheBlock, contrários a um possível rali exponencial dos tokens, apesar de algumas oportunidades isoladas.
De acordo com um insight publicado pela plataforma de monitoramento e inteligência onchain, as altseasons de 2017 e 2021, quando ocorreram a febre dos tokens não fungíveis (NFTs) e o frenesi de Oferta Inicial de Moedas (ICO), ficaram no passado e não devem se repetir, apesar da possibilidade de ganhos exponenciais do presente, como as memecoins da rede Solana.
Segundo a IntoTheBlock, o cenário atual não condiz com algumas previsões alvoroçadas, por causa da dificuldade encontrada por várias altcoins em recuperar máximas históricas anteriores e a fatia de mercado perdida para o BTC, tendência de queda iniciada em 2023.
A análise se apoia em três fatores para justificar o desempenho fraco das altcoins: falta de utilidade real de muitos tokens enquanto protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) apresentam promessas e projetos menores e memecoins adicionam valor mínimo, fluxo de capital institucional em direção aos fundos negociados em bolsa (ETFs) baseados em Bitcoin e condições macroeconômicas desfavoráveis, já que o aumento da inflação e a instabilidade global estão fortalecendo a narrativa do Bitcoin, porém com aperto às altcoins, consideradas mais arriscadas.
De acordo com a IntoTheBlock, “mesmo que uma ampla altseason ainda não tenha surgido, precedentes históricos sugerem que não é sensato descartar altcoins completamente”. Nesse caso, a plataforma chamou a atenção para alguns indicadores para ficar de olho, como o número de endereços ativos diários (DAA), como os da rede Ethereum, atualmente em 700 mil/dia, próximo ao pico de 820 mil/dia do pico de 2021.
A empresa observou ainda que o valor total bloqueado (TVL) atual em protocolos DeFi, cerca de US$ 141 bilhões, está bem abaixo do pico de US$ 240 bilhões de 2021.
“O mercado está mais maduro — casos de uso de empréstimos e staking em DeFi estão encontrando adoção real. Para outra temporada explosiva de altcoins, no entanto, o TVL provavelmente precisa subir muito mais para espelhar a mania do varejo de ciclos passados”, observou a IntoTheBlock.
Por outro lado, o declínio das altcoins e a queda nas atividades em rede também podem estar parcialmente relacionados à queda mais ampla do interesse público.
“Palavras-chave do Google relacionadas à atenção do varejo em cripto, como “comprar cripto” ou “Binance”, tiveram picos moderados este ano, mas apenas cerca de 50% do pico de 2021”, justificou a análise.
A IntoTheBlock acrescentou que as altseasons “são frequentemente alimentadas por uma tempestade perfeita: ralis de preços de Bitcoin, um aumento de novos participantes do mercado e narrativas convincentes que capturam a atenção do público em geral”.
“No momento, vários fatores — como incerteza macroeconômica, os holofotes sobre ETFs de Bitcoin e um ambiente de investimento mais criterioso — estão atrasando um amplo rali de altcoins”, ressaltou.
A IntoTheBlock finalizou dizendo que as “altcoins continuam sendo impulsionadores da inovação no espaço cripto. À medida que os protocolos evoluem e os casos de uso do mundo real crescem, as altcoins têm o potencial de capturar uma onda de interesse renovado — talvez mais comedida e focada em utilidade do que em ciclos anteriores”.
Alheias ao pessimismo, baleias assediaram 10 altcoins nos últimos dias, de olho no próximo ciclo de alta, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.