A Justiça de São Paulo convedeu uma liminar para bloquear R$ 3 milhões recebidos pela sócia da empresa de investimentos em criptomoedas suspeita de fraude BWA, Jéssica da Silva Farias, que tem sede em Santos (SP). A notícia é do Portal do Bitcoin.

O processo, que corre em segredo de Justiça, é movido por Guilherme Aere dos Santos, um investidor que é acusado de ter sido mandante do sequestro o empresário Paulo Bilibio Ramos, dono da BWA, com ajuda de policiais militares no fim de 2018. Guilherme nega sua participação no caso.

O apartamento também chamou atenção da Justiça pela movimentação "estranha" em torno de sua aquisição e venda. Segundo informações, os donos da BWA, que é acusada de golpe por clientes, estão fora do Brasil.

Segundo o advogado de Guilherme Aere dos Santos, os donos da BWA “planejaram um sofisticado esvaziamento patrimonial antes de pararem de pagar seus clientes”.

Movimentação estranha

Os R$ 3 milhões teriam sido recebidos por Jéssica Farias pela venda de um imóvel de luxo em Santos (SP), mas o histórico de transações para a compra e venda do apartamento também saltam aos olhos.

O apartamento teria sido adquirido por R$ 4,9 milhões de reais apenas alguns meses antes da sócia da BWA se desfazer dele, valor de compra quase R$ 2 milhões acima da venda. O imóvel foi comprado por Rogério Aguiar de Paiva e Ana Paula Deleuse de Paiva.

O advogado de Guilherme Aere dos Santos, Samir Farhat, concorda que a transação é "estranha":

“As características e elementos (práticos e jurídicos) dessa promessa de venda para terceiros fogem bastante do usual, em operações dessa natureza e valor. Considerando que esse imóvel é de uma das sócias da empresa, ele poderia sim servir para indenizar pessoas que foram lesadas pela BWA Brasil ou qualquer das empresas do grupo econômico”. 

Ele completa dizendo que “o contexto e os reflexos jurídicos dessa promessa de venda certamente serão objeto de análise pelo Poder Judiciário”. Segundo o advogado, já são mais de 100 processos contra a BWA, alguns deles também relacionando a responsabilidade do calote da empresa a terceiros, como o Grupo Bitcoin Banco. E conclui:

“Nesses casos sempre há grande chance de existir algum tipo de fraude, seja no esquema conhecido como 'pirâmide' ou qualquer outra estrutura previamente idealizada para lesar as pessoas. É preciso ter cuidado, porque dificilmente encontra-se patrimônio da empresa ou dos sócios para satisfazer a dívida”.

Sequestro com participação de policiais

Como noticiou o Cointelegraph Brasil, em setembro de 2019 o empresário Paulo Bilibio denunciou que teria sido sequestrado a mando de Guilherme Aere dos Santos por policiais civis e um tenente da Rota e levado para um Distrito Policial na Zona Norte de São Paulo, onde teria sido mantido até prometer pagar pelo o menos R$ 1.000.000 a Guilherme Aere dos Santos.

Depois de solto, ele combinou de pagar uma segunda parcela no mesmo valor, referente a uma dívida entre o suposto mandante do crime e o empresário, combinando um encontro em um shopping de luxo de São Paulo. O empresário, então, teria chegado na companhia de dois ex-delegados da Polícia Federal, que teriam tentado negociar um fim "amigável" para a situação.

Posteriormente, os envolvidos foram soltos pela Justiça, com Guilherme Aere negando sua participação no caso.

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