Timothy C. May, Wei Dai, Eric Hughes, John Gilmore e Nick Szabo são nomes que os entusiastas das criptomoedas já estão familiarizados. Eles são conhecidos como os pais dos primeiros protocolos de dinheiro digital e os responsáveis por parte da tecnologia que mais tarde Satoshi Nakamoto usaria para lançar o white paper ''Bitcoin: a Peer-to-Peer electronic cash system''. E de fato, há muitos nomes e tecnologias que vieram antes do Bitcoin.
Fonte: Danheld
Entretanto, o que pouca gente sabe, é que o termo 'cypherpunk' foi criado pela programadora e escritora Jude Milhon - também conhecida como St. Jude, a protetora dos hackers. No final de 1992, Eric Hughes, Timothy C. May, John Gilmore e outros entusiastas da criptografia passaram a se reunir mensalmente na baía de São Francisco. Em uma das primeiras reuniões deles, Jude nomeou o grupo de ''cypherpunks''.
Quem foi a cypherpunk Jude Milhon?
Jude Milhon foi membro da Computer Professionals for Social Responsibility, ativista, programadora, autora de vários livros e editora-chefe da Mondo 2000, uma revista de cibercultura, que abordava tópicos como cyberpunk, realidade virtual e drogas inteligentes.
A cypherpunk aprendeu a programar de forma autodidata com o guia 'Teach Yourself Fortran' e contribuiu com o Sistema Berkeley, um sistema operacional Unix e criou em 1973, o projeto Memory Community (CM), o primeiro sistema de rede pública, como alternativa aos sistemas de rede controlados pelos militares dos Estados Unidos. O CM foi desenhado como uma rede de compartilhamento de informações que conectava diversas organizações econômicas, educacionais e sociais contraculturais entre si. O sistema foi usado como meio de comunicação para arte, literatura, jornalismo, negociação e interação social.
Terminal do Community Memory no Computer History Museum. Fonte: Wikipedia
A Desobediência Civil de Judith Milhon
Em março de 1965, Milhon se envolveu diretamente com a luta pelos direitos civis e organizou a marcha pelo direito ao voto de Selma a Montgomery, Alabama. Os protestos ganharam força e ela foi presa pela primeira vez por desobediência civil. Nos meses seguintes, ela foi presa em Jackson, Mississippi, onde cumpriu pena. Quando foi libertada da prisão, Milhon mudou seu ativismo dos 'direitos civis' para as questões digitais.
Departamento de Polícia de Montgomery, 1965. Cortesia do Departamento de Arquivos e História do Alabama. (Indivíduos ativos em distúrbios civis, Vol. 1.). Fonte: thiscodenation
Durante o verão de 1968, Milhon conheceu Lee Felsenstein, um engenheiro conhecido pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento de computadores pessoais. Felsenstein apresentou Mihon a Efrem Lipkin, que se tornou seu parceiro de longa data. Efrem é conhecido por fazer frente a algumas ideias de Lee, devido as suas preocupações com o uso da tecnologia para vigilância e militarismo. No início dos anos 1970, os três formaram uma parceria em vários projetos, incluindo o projeto Community Memory.
Sua carreira como escritora
Na década de 1980, Jude Milhon começou a escrever para a High Frontiers, uma revista fundada em 1984 por Ken Goffman sob o pseudônimo ''R.U. Sirius ” que abordava temas sobre tecnologia, drogas, sexo e questões sociais.
Fonte: Wikipedia
Em 1988, High Frontiers mudou seu nome para Reality Hackers, com a Milhon ingressando formalmente como editora-chefe e escrevendo sobre o pseudônimo de St. Jude'. Em 1989, a revista mudou seu nome para Mondo 2000.
A Mondo 2000 foi uma publicação que ganhou bastante relevância e abordava temas como ficção científica, hacking, alta tecnologia, uso de drogas, sexo, anarquia e contou com contribuições de nomes importantes como William Gibson. A St. Jude mantinha uma coluna regular na Mondo chamada “Jornalismo irresponsável”.
Obras de Judith Milhon
Em 1994 a cypherpunk publica seu primeiro esboço de livro, o Hacking the Wetware: The NerdGirl's Pillow Book. A obra-guia que buscava desmistificando o funcionamento do corpo , do cérebro e do sexo, através de métodos 'hacker'. Para Milhon, o hacking é uma ''forma inteligente de contornar os limites sejam eles impostos pelo governo, seu servidor de IP, sua própria personalidade ou as leis da física”. Além disso ela escreve:
“Este livro usa temas sexuais para seduzi-lo, enquanto sutilmente o prepara para pensar como um hacker. Você pensa, logo você hackeia ... é um guia para a transformação pessoal "Jude Milhon.
Infelizmente a obra não chegou a ser finalizada.
Em 1995, ela publica o Cyberpunk Handbook: The Real Cyberpunk Fakebook e em 1997, é lançado o How to Mutate & Take Over the World: An Exploded Post-Novel.
No final de 1998 ela participou da revista Boing Boing e Wired e após sua morte, a Wired dedicou um artigo a hacker, intitulado "Hackers perderam seu protetor sagrado".