“Acredito que daqui a pouco a gente vai ter o Real em criptomoeda”, diz deputado de lei de regulação cripto

O deputado federal pelo partido Solidariedade do Rio de Janeiro e autor do projeto que visa regulamentar as criptomoedas no Brasil, Aureo Ribeiro, concedeu entrevista ao canal de YouTube Dash Dinheiro Digital, onde abordou o panorama atual das criptomoedas no país e mostrou-se otimista com a adoção universal de criptoativas, incluindo com participação da moeda oficial brasileira, o Real. 

O deputado disse ao representante da Dash Brasil, Rodrigo Di Paula, que o mercado de criptomoedas é um “avanço mundial”. Ele também comparou a descrença sobre o mercado cripto com a sofrida pela indústria de cartões de crédito antes da adoção universal pela população brasileira. Segundo ele, o futuro das criptomoedas é a adoção estatal.

“Acho que a gente vai ter uma dificuldade mundial de ter investimento no papel. Você mostrou aí um bolo de notas [...] de dinheiro da Venezuela que vale 15 centavos de Dólar hoje. O custo operacional de você emitir esse papel é muito alto, o controle - por toda a questão legal, de criminalização, no mundo - é muito grande, quando você emite um criptoativo, ele facilita. Eu acredito que, no Brasil, daqui a pouco a gente vai ter o Real em criptomoeda”

O deputado ainda disse que as criptomoedas vieram para ”facilitar a vida do usuário”, e que a regulamentação para as criptomoedas não pode ser restritiva se quiser ser competitiva. Ele também reconheceu que o “desconhecimento” da população e de seus colegas de parlamento sobre o mercado cripto ainda são uma barreira para o debate profundo sobre o tema. 

“O Brasil tem que ter uma legislação pra trazer investimentos, facilitar a vida de pessoas que querem utilizar da criptoeconomia pra fazer investimentos”, disse ele. Ele também criticou a atuação da Receita Federal sobre o mercado cripto.

“A Receita não está preocupada com o crescimento dos criptoativos, ela está preocupada em tributar, quer tributar tudo, e não entende o modelo de economia mundial, que não é um modelo brasileiro, que não tem como frear. Ou o Brasil cria um ambiente seguro pras pessoas transacionarem ou elas vão utilizar outros países que estão na frente, ganhando, no que o Brasil poderia estar na frente.”

O deputado encerrou a entrevista defendendo a necessidade da educação por parte do Estado para que as pessoas possam investir em criptomoedas com segurança.

Como o Cointelegraph publicou em janeiro deste ano, o Projeto de Lei (PL) 2.303/2015, que pretendia regular o mercado de criptomoedas no Brasil e era de autoria do deputado, foi abandonado e substituído por outro, mais moderno e atualizado, a ser apresentado neste ano.