Popularizadas pela facilidade da digitalização, as criptomoedas alcançaram aproximadamente cinco milhões de pessoas no Brasil, número semelhante ao de pessoas físicas operando na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, com a diferença de que uma levou pouco mais de cinco anos para chegar a este número, enquanto a outra precisou de cinco décadas. 

O que serve para retratar o crescimento das criptomoedas no gosto dos investidores de varejo, também revela um dado preocupante: eles podem estar errando na mão em relação à parcela da carteira de investimentos destinada às criptomoedas. É o que apontou uma pesquisa recente da plataforma consolidadora de investimentos Gorila.

De acordo com o levantamento, a proporção de criptomoedas nas carteiras é maior entre os investidores de menor porte. Entre os investidores com até R$ 20 mil, 31% dos investimentos são aplicados em criptomoedas, em média. Já as carteiras entre R$ 20 mil e R$ 49 mil, este percentual cai para 21%. O percentual é ainda menor, 17%, para investidores entre RS$ 50 mil e R$ 299 mil, e apenas 4% para as carteiras acima dos R$ 300 mil.

Ao Valor, o presidente e fundador do Gorila comparou as criptomoedas com cassinos e disse que as pessoas com menos dinheiro apostam em retornos assimétricos, irreais, com a esperança de multiplicar em muitas vezes o capital. 

O analista especializado em criptomoedas da casa de análises Nord Research, Luiz Pedro Andrade, disse que o aumento de participantes é positivo para o mercado de criptomoedas e que acredita que daqui a alguns anos todos vão utilizar algum serviço ligado a moedas digitais. Mas ele também ressaltou que a expectativa de muitos investidores, “por desconhecimento ou ganância”, é perigosa uma vez que o cenário atual é de alegria e preocupação. 

Ele acrescentou que acredita em um efeito manada acontecendo no mercado com investidores imitando comportamento de outros para não ficarem de fora, problema que pode resultar no abandono do mercado por parte de muitos investidores. Andrade sugeriu que os investidores comecem lentamente, com apenas 2% de seus investimentos em criptomoedas, passando para 5%  e 10% que, para ele, é o limite. 

O sócio fundador da assessoria de investimentos Fatorial Investimentos, Jansen Costa, também sugeriu o equilíbrio de investimentos na parcela de renda variável da carteira argumentando que as ações e os criptomoedas são complementares. 

Para o diretor da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Bernardo Srur, a maioria dos investidores cripto ainda não são educados financeiramente para este tipo de ativo e acrescentou, além da volatilidade, riscos comuns nesse mercado, como a recorrência de esquemas de pirâmide financeira. 

Por outro lado, manter-se dentro do limite não é algo fácil quando o assunto é investir em criptomoedas. Que o diga Sabrina Byrne, uma inglesa de 26 anos que, às cinco da manhã se deu conta de que estava em uma espécie de “bar sem barman onde ela se servia uma nova bebida”. Porém, o líquido em questão não era de beber, porque os “drinks de Sabrina” representavam, na verdade, as criptomoedas. Mas foi a analogia de um bar a forma encontrada por pesquisadores para descrever o novo transtorno mental que o vício em criptomoedas acarreta nas pessoas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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