O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, anunciou esta semana a assinatura de um termo de cooperação técnica com quatro organismos de monitoramento e integridade no esporte, acordo voltado à fiscalização de manipulação de resultados e outros problemas relacionados às bets. Já a revista científica voltada à medicina Lancet alertou em editorial que “o jogo não é um tipo comum de lazer; pode ser um comportamento prejudicial à saúde e viciante”.
Para o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério, Regis Dudena, a parceria com a Genius Sports, International Betting Integrity Association, Sport Integrity Global Alliance e Sport Radar possibilita uma ação do Estado para enfrentar os problemas em torno das apostas esportivas, como a lavagem de dinheiro. Segundo ele, “a nossa experiência de regular é uma experiência muito nova. Já que o mundo já tem feito isso há bastante tempo, vamos aprender com o mundo.”
“É por isso que eu saúdo novamente essas quatro organizações que, muito gentilmente, vieram ao ministério e se dispuseram a fazer esses acordos de cooperação técnica, para que possamos compartilhar dados, conhecimentos, formação das nossas equipes de servidores que estão aprendendo a fazer isso, mas já estão fazendo muito bem”, comemorou Dudena.
Segundo informações da Agência Brasil, pelo termo de cooperação, esses organismos privados vão repassar informações sobre o mercado de apostas, além de possibilitar a qualificação de servidores para monitoramento do setor.
O acordo de cooperação tem duração de cinco anos e não prevê transferência de recursos entre as partes. Segundo o Ministério da Fazenda, a ideia é fortalecer a segurança e a proteção do mercado de apostas, do esporte e da sociedade como um todo.
Para Giovanni Rocco Neto, Secretário de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, do Ministério dos Esportes, é fundamental preservar a integridade do esporte brasileiro.
“Quando você fala de bet, você não lembra do Ministério da Fazenda, você lembra de esporte. Porque teve uma carga gigantesca de publicidade, sem critério, no esporte brasileiro, olhando para os consumidores alvo. Então, a gente tem uma grande preocupação em preservar a imagem do esporte brasileiro. Com relação, especificamente, ao tema de manipulação de resultados, é a gente ser rápido e eficiente na punição e na apuração de eventuais eventos de manipulação de resultados”, explicou.
Sérgio Floris, CEO da Sport Radar Brasil, ressaltou a importância da cooperação de ações para combater a manipulação aos declarar que “não há forma mais fácil de você destruir valor na cadeia de esporte do que com manipulação.”
Por outro lado, questões como manipulação de resultados e lavagem de dinheiro não são os únicos grandes problemas relacionados às plataformas de apostas on-line, as bets. De acordo com o editorial da Comissão de Saúde Pública da Lancet sobre jogos de azar, “os danos associados ao jogo são abrangentes, afetando não apenas a saúde e o bem-estar de um indivíduo, mas também sua riqueza e relacionamentos, famílias e comunidades, e aprofundando as desigualdades sociais e de saúde”.
“A Comissão lança luz sobre o ecossistema comercial cada vez mais complexo para jogos de azar e sua transformação digital, que oferece capacidades inigualáveis para jogos de azar. A Comissão apela aos governos e formuladores de políticas para tratar o jogo como uma questão de saúde pública — assim como para outras commodities viciantes e prejudiciais à saúde, como álcool e tabaco — e fornece recomendações para prevenir e mitigar a ampla gama de danos associados ao jogo”, diz o sumário executivo.
Para os pesquisadores, as bets podem contribuir para as desigualdades sociais porque a dependência dos apostadores compromete o orçamento familiar e favorece o endividamento, problema que pode alcançar US$ 700 bilhões em perdas líquidas globais até 2028.
Na última semana, o Santander divulgou um relatório apontando que o país pode perder 0,3% do PIB com prejuízo de R$ 36 bi nas bets em 2024, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.