Aos poucos, o mercado do ouro vai dando mostras de cansaço e acumulando desvalorização, contrariando as narrativas de um ativo de proteção econômica relacionados ao metal precioso.

Depois de bater o recorde de US$ 2.000 por onça em 2020, o ouro tem enfrentado desvalorização nos últimos meses e abriu esta semana em queda, depois de também ter encerrado uma má semana na última sexta-feira.

O preço do ouro no mercado futuro caiu 1,2% só na última sexta-feira, na maior queda do metal desde 18 de março, segundo dados do portal Investing.com. No mercado à vista, o ouro também caiu, 1,2%, chegando a US$ 1.711 e sob risco de perder o suporte de US$ 1.700.

Outros indicadores também mostram pessimismo para o mercado de ouro, o que levou o estrategista da Blueline Futures, da bolsa de Chicago, a comentar:

“Nem os 10 anos nem o dólar podem ser considerados ameaçadoramente altos para o dia, mas o ouro não teve um movimento considerável em nenhuma direção na semana passada, então o viés de redução agora é provavelmente exagerado. O ouro pode cair abaixo do suporte de US$ 1.700, mas deve se recuperar.”

Foi mais uma semana sem que o ouro vencesse sua primeira resistência à vista, em US$ 1.750. Nos últimos seis meses, a inflação e a desvalorização das moedas tiraram do ouro o título de ativo "porto seguro", perdendo 20% de valor desde a máxima de US$ 2.100.

Enquanto isso, seu maior rival, o Bitcoin (BTC), chamado no criptomercado de "ouro digital", acumulou alta de mais de 900% nos últimos 12 meses, descorrelacionando seus preços do mercado de ouro e do mercado financeiro.

Nesta segunda-feira, o banco mais antigo dos Estados Unidos, o BNY Melon, lançou um relatório para discutir as semelhanças entre o ouro e o Bitcoin. No estudo, o BNY Melon, que vai adotar o Bitcoin em suas reservas, reconheceu o BTC como reserva de valor e meio de troca:

"A definição de moeda mais comumente aceita é uma reserva de valor e um meio de troca. Por essas contas, o Bitcoin se encaixa na descrição de uma moeda nascente."

O tradicional banco norte-americano vai além na comparação entre os dois ativos:

"O Bitcoin também é frequentemente comparado ao ouro. Na verdade, existem muitas semelhanças e o ouro é um modelo válido para o Bitcoin. Afinal, o ouro foi aceito como reserva de valor e meio de troca por séculos (hoje em dia, principalmente como uma reserva de valor, já que quase nenhuma reconhece o metal como meio de troca). Acreditamos que o ouro também é a única "moeda" aceita globalmente que contornou a questão da entidade sancionadora. O fornecimento também é bastante limitado. Teoricamente, todos são livres para extrair ouro e Bitcoin e nenhum dos suprimentos é monopolizado pelos governos. Outras semelhanças incluem ausência de deterioração biológica ou temporal. "

Nas comparações entre o Bitcoin e o ouro, porém, a transferência de valor já é apontada como uma das maiores diferenças entre os dois, com o ouro perdendo na disputa, já que a forma física do ouro é controlada entre fronteiras de países e até disputada por governos, como o caso da Venezuela, que busca acesso a uma reserva de ouro apreendida no Reino Unido.

O perfil Documenting Bitcoin publicou no Twitter um meme sobre as diferenças entre o BTC e o ouro como meio de troca e transferência de valores:

No momento, o mercado de Bitcoin tem capitalização de US$ 1,09 trilhão, enquanto o ouro tem valor de mercado total de US$ 10,9 trilhões.

Nesta segunda-feira, o Bitcoin é negociado nas exchanges globais a US$ US$ 57.800, tentando alcançar e transformar os US$ 58.000 em um nível de suporte.

No Brasil, com o dólar disparando no começo do dia, o BTC chegou a R$ 359.000, recuando, junto com a moeda norte-americana, para os atuais US$ 330.000.

Como noticiou o Cointelegraph Brasil, o nível de US$ 58 mil é fundamental para buscar novas máximas históricas acima de US$ 62.000.

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