O cenário macroecnômico favorável que muitos analistas de criptomoedas aguardavam para sinalizar uma retomada de alta do mercadose materializou na semana passada, com os índices S&P 500 e Nasdaq fechando o pregão na sexta-feira com altas de 5,9% e 8,8%, respectivamente, e o índice do dólar (DXY) nas últimas horas do domingo, 13, flutuando abaixo de 107 pontos.

A semana positiva para as ações dos EUA foi motivada por dados do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA (CPI) abaixo da expectativa do mercado – 7,7% realizados contra os esperados 7,9% no acumulado do ano. Em tese, todos os ativos de risco deveriam ter se beneficiado da queda. E, de fato, as criptomoedas chegaram a reagir positivamente, mas logo sucumbiram às turbulências enfrentadas no seio da própria indústria.

No entanto o "cisne negro" de proporções épicas materializado pelo colapso da FTX e do império do ex-bilionário Sam Bankman-Fried (SBF) abalou o mercado de criptomoedas, com o Bitcoin (BTC) acumulando perdas semanais de 21,9%.

À medida que os desdobramentos do caso FTX permanecem em aberto e a os múltiplos efeitos do contágio ainda estão por ser revelados, inclusive a ameaça de que outras exchanges de criptomoedas possam enfrentar crises de liquidez e insolvência em seguida, a tendência é que o mercado siga em retração, sem uma perspectiva clara de fundo à vista, afirma Diego Consimo, analista e fundador da Crypto Investidor em uma análise exclusiva para o Cointelegraph Brasil.

Na segunda-feira passada, 7, antes do recrudescimento da situação da FTX, Consimo antecipara a retração do DXY e previra que o Bitcoin estava pronto para testar uma nova resistência em US$ 22.500. Com o Bitcoin fltuando em torno de US$ 20.700 na ocasião, seria necessária uma alta de mais de 8%.

Embora incomum para o preço do BTC ao longo de 2022, dadas as variações positivas do S&P 500 e do Nasdaq uma valorização de tal monta não seria implausível para a maior criptomoeda do mercado, desde que os desdobramentos do caso FTX não tivessem terminado em caos absoluto, como lamenta Consimo:

"O cenário perfeito para o Bitcoin reverter aconteceu, mas infelizmente o golpe da FTX e seu efeito cascata afetaram o mercado cripto decisivamente. O S&P 500 e a Nasdaq começaram sua reversão de mercado rumo ao teste de suas LTB (Linhas de Tendência de Baixa) históricas graças à confirmação da divergência Bearish que antecipamos há semanas e que finalmente se concluiu."

Conforme o gráfico abaixo, Consimo antecipa que o DXY deve se manter em queda, retornando à faixa de 100 pontos nos próximos dias.

Gráfico semanal anotado do índice do dólar (DXY). Fonte: Crypto Investidor 

Embora dados mostrem que entidades de todos os portes tenham "comprado a queda" do Bitcoin à região de US$ 15.600, a partir de agora o preço do BTC deve enfrentar uma resistência forte na região de antigo suporte, destaca Consimo:

"No curto prazo, com a perda do suporte anterior, a região dos U$20.000 a U$18.000 se tornou uma super resistência para o Bitcoin. Com isso, acredito que possamos testar a região dos U$14.000 como suporte em breve."

Naturalmente, tudo dependerá do tamanho do contágio do colapso da FTX, cuja origem está associada ao colapso do ecossistema Terra, ocorrido em maio. Ou seja, não é algo que será mensurado nos próximos dias e nem mesmo até o final desse ano. A fase final do atual ciclo de baixa do mercado deve se estender por tempo ainda indeterminado, confirma o analista:

"Nesse momento o Bitcoin deveria estar seguindo o S&P 500 e a Nasdaq, mas o efeito cascata da falência da FTX pode estar apenas começando. Diversas empresas tinham negócios ou exposição à FTX e à Alameda e que agora podem estar com a própria liquidez comprometida. Ainda não sabemos qual será a tamanho do estrago que esse evento irá causar, mas sabemos que os principais suportes do gráfico mensal do Bitcoin são U$14.000, U$10.000 e U$6.000.

Gráficos de períodos de tempo mais estendidos são mais úteis para mensurar o comportamento de longo prazo do Bitcoin. No momento, como se pode ver abaixo, a tendência de baixa prevalece.

Gráfico mensal BTC/USDT (Binance) com destaque para principais zonas de suporte. Fonte: Crypto Investidor

 Após seu fechamento semanal mais baixo em dois anos, o par BTC/USD opera estável, com variação positiva de 0,4% nas últimas 24 horas. Na tarde desta segunda-feira, 14, está cotado a US$ 16.570, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Uma notícia positiva para os hodlers, no entanto, mostra que o fluxo de saída de Bitcoin das exchanges está próximo a seus níveis históricos mais altos, um fator que pode contribuir para limitar a pressão vendedora sobre a maior criptomoeda do mercado. Pelo menos por enquanto.

Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletem as posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar uma decisão.

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