Para Alexandre Pinto, diretor de Inovação e Novos Negócios da Matera, o futuro dos pagamentos não será feito nem por meio de QR Code, NFC, ou cartões físicos.

Segundo destacou o especialista em coluna no TecMundo, os pagamentos do futuro serão invisíveis e até mesmo sem a necessidade de humanos.

Pagamentos do futuro

Independente se o Bitcoin vai substituir ou não o dólar.

Se a criptomoeda ganhará espaço e adoção como forma de pagamento, o que importa é a experiência do usuário na hora do pagamento e, as tendências vem mostrando o uso dos pagamentos invisíveis.

Alexandre define como pagamento invisível aquele que não é necessário nenhuma ação do usuário.

Assim, o usuário não precisa escanear um código, digitar um senha, aproximar uma pulseira ou um cartão, ele simplesmente paga, "sem ação".

"O pagamento invisível acontece quando não precisamos executar nenhuma ação específica relacionada com o ato de pagar. Provavelmente, o caso mais conhecido de pagamento invisível é o Uber", destaca.

Desta forma, segundo ele, um dos melhores exemplos de pagamento invisível são os realizados por meio do uso das carteiras virtuais .

As chamadas “e-wallets” que podem ser conectadas com cartões de crédito ou débito e até mesmo com contas bancárias, como é o caso do Facebook Pay, recentemente lançado no Brasil e que permite pagamentos no WhatsApp.

"Mais recentemente, empresas vêm combinando as e-wallets com outras tecnologias para oferecer experiências inovadoras de pagamento invisível. Conversar com assistentes virtuais (Alexa, Siri, Cortana, …) e fazer compras online enquanto estamos cozinhando ou fazendo outra atividade não é mais uma cena de ficção científica", argumentou.

Pagamento por reconhecimento facial

Alexandre também destacou que a tendência dos pagamentos invisíveis já está em transformação e vem associando novas tecnologias para proporcionar uma experiência de pagamento ainda mais automática e "sem fricção".

O diretor da Matera cita como exemplo o Amazon Go, que por meio de uma combinação de e-wallet com reconhecimento facial proporciona uma experiência única de compra.

"A Amazon Go, rede de lojas da gigante norte-americana, utiliza câmeras, algoritmos de reconhecimento de imagem e sensores RFID para proporcionar a experiência “just walk out shopping”: entre no supermercado, escolha e coloque os produtos na sua sacola e simplesmente vá embora, sem passar por um caixa ou “self checkout”.", disse.

China, mais uma vez, lidera com blockchain

Na linha da argumentação de Alexandre a China desde 2019 possui um sistema de pagamentos invisíveis com o uso de blockchain.

A experiência, inédita no mundo, usa uma aplicação em blockchain e uma integração entre o governo, Huawei e a Tencent, com o WeChat Pay.

Desta forma usuários do metrô de Shenzhen só precisam entrar na estação e pegar a condução desejada. 

Não há catracas, bilhetes, códigos ou qualquer coisa do tipo.

Câmeras instaladas na estação registram os passageiros e, por meio de reconhecimento facial, realizam o pagamento direto, via WeChat.

Tudo fica registrado em uma plataforma em blockchain para garantir a autenticidade das cobranças e a auditoria dos pagamentos.

Pagamentos não vão precisar mais dos humanos

Porém o diretor da Matera vai ainda mais longe e destaca que os pagamentos, no futuro, também não vão precisar dos humanos.

Serão feitas entre máquinas em uma grande rede conectada de dispositivos de Internet da Coisas (IoT).

"Com o advento da Internet das Coisas (Internet of Things, IoT), alguns tipos de transações financeiras serão realizados sem a intervenção de seres humanos. Geladeiras e despensas possuirão sensores capazes de detectar quando o leite ou o feijão está prestes a acabar e automaticamente farão o pedido e o pagamento ao site de e-commerce do supermercado preferido (“machine to machine payments”)", prevê.

PIX e Open Banking

Para o especialista o PIX do Banco Central do Brasil é uma das facetas desta nova era dos pagamentos.

Além disso, o Open Banking que vai colocar em "pé de igualdade" grandes bancos e fintechs também é reflexo desta nova era dos pagamentos digitais e invisíveis.

"No Brasil, a nova rede de pagamentos instantâneos (PIX) deve impulsionar ainda mais essa evolução, pois oferecerá transferências em tempo real por um custo muito baixo, requisitos essenciais para redução da fricção do “fast money”", disse.

Dinheiro físico será igual Fax

Portanto, para o especialista o dinheiro físico está com os dias contados e seu destino é ser obsoleto.

Entendendo o dinheiro como tecnologia ele será substituído por outra que atenda melhor os requisitos de uma nova era.

"Finalmente, o surgimento de novos tipos de e-wallets que fazem uso mais intenso de biometria, ou até mesmo com chips implantados no corpo, despertará preocupações pertinentes sobre privacidade e segurança (...) Como consequência, cartões, dinheiro em espécie e celulares como meios de pagamento terão o mesmo destino dos CDs/DVDs, telefones fixos e aparelhos de fax", finaliza.

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