O presidente da fintech brasileira de pagamentos e serviços Stone, Augusto Lins, disse em entrevista à Gazeta do Povo que a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus vai impulsionar a digitalização de pequenas empresas no Brasil.
A Stone é uma startup brasileira considerada unicórnio, avaliada em mais de US$ 1 bilhão, com projetos conhecidos de apoio a pequenos e médios negócios, que compreendem 50% de seus clientes. Somente em 2019, a startup movimentou R$ 129 bilhões com máquinas e estações de pagamentos.
Lins acredita que a startup deve superar a crise sem grandes impactos:
“Já passamos por muita crise, mas conseguimos sair de todas. Nossa visão é que ela começou, tem um meio e terá um fim. Não sabemos qual será o tempo de duração da crise, mas temos certeza que sairemos juntos dela”
Para apoiar pequenas e médias empresas, a Stone abriu uma linha de microcrédito de R$ 100 milhões e ofereceu isenção de taxas. O presidente da fintech garante que a empresa está agindo junto aos clientes para combater as consequências da recessão:
"Escolhemos agir em três frentes: ajudar o empreendedor a vender mais, gerir melhor o seu negócio e crescer. Uma nova frente foi criada também: contribuir com a saúde da população. As micro e pequenas empresas são responsáveis por empregar 52% dos profissionais do país e, por isso, são a mola propulsora do Brasil. Ao mesmo tempo, poucas delas estão preparadas para lidar com a crise porque não têm plano de contingência e seguro."
Os comerciantes têm tido de recorrer a entregas para conseguirem manter seus negócios, apesar de nem todos os estabelecimentos permitirem este tipo de serviço. Além disso, a Stone, que antes da crise contratava 100 funcionários por mês, teve de desacelerar sua ampliação e também trabalha para proteger seus funcionários na crise do coronavírus.
Até o processo de contratação da empresa foi modificado:
"Quando as lojas fecharam, no entanto, tivemos que desacelerar. Também mudamos o processo de contratação. Antes, havia o preconceito de a entrevista não ser presencial, mas agora a reunião a distância se tornou necessária. Concordo que fazer presencialmente é melhor, mas há casos em que realmente é difícil. Imagina fazer uma entrevista no Maranhão? É muito caro. Pelo Zoom, por exemplo, custa 2% do preço. Em relação ao início do ano, o número de contratações desacelerou muito, mas não paramos de contratar."
Finalmente, ele diz que as empresas que vão lidar melhor com a crise são aquelas que se mostrarem mais dispostas a mudar seu processo de negócios. A digitalização deve ser a força motriz para a sobrevivência das empresas diante da perspectiva de lockdown e a falta de previsão para o fim da crise:
"Vai se sair bem dessa situação quem tiver mais disposto a mudar seu processo de negócio. [...] Uma coisa podemos afirmar com certeza: todos nós seremos mais digitais. Estamos conversando de forma mais remota, entrevistando pessoas a distância e até contratando profissionais para vagas remotas. Do lado de consumo, as pessoas não estão indo mais ao banco pagar contas. O ensino a distância e a telemedicina também estão crescendo."
CONTINUE A LER
- Para incentivar restaurantes na crise do coronavirus Stella Artois 'dá' R$ 50 para brasileiros gastarem nos estabelecimentos
- Fintech apoiada pelo cofundador do Twitter lança aplicativo na Apple Store para compra de Bitcoin
- Hub de inovação de São José dos Campos (SP) recebe inscrições de startups até 11 de maio
- CPI das Criptomoedas: Deputado reúne assinaturas para abrir investigação
- Maior fabricante automotiva da Coréia do Sul, Hyundai vai usar DLT no emparelhamento de smartphones com veículos elétricos
- Samsung registra patente para 'unidade de estado sólido programável na blockchain'
- IBM e Tata tornam-se 'proprietários' de conselho de governança da plataforma DLT da Hedera