No centro de polêmicas globais, as criptomoedas revolucionaram o mundo das finanças ao trazerem para este universo investidores de varejo que jamais passarão sequer pela calçada de bolsas de valores. Que o diga Jerónimo Ferrer, um argentino que percorre diariamente as ruas de Buenos Aires apresentando as criptomoedas como alternativa para a fragilidade da economia do país sul-americano, onde a fome e a linha da pobreza atingem aproximadamente metade da população. 

Por trás das criptomoedas existe a blockchain, uma tecnologia disruptiva revolucionária, abraçada inclusive por diversos governos, que promete se consolidar como um divisor de águas para a criação de um novo modelo de internet, calcada na descentralização, segurança e privacidade: a Web3.

O engenheiro da NAVA Technology for Business Otávio Viana está entre os entusiastas que acreditam nas vantagens deste novo modelo, entre elas o aumento significativo na segurança das transações via internet, conforme noticiou a Exame.

“Os dados poderão ficar armazenados no blockchain, garantindo maior segurança e privacidade. Isso vai contribuir para a criação de ambientes de negócios mais sustentáveis”, explicou o profissional da empresa de serviços e soluções de negócios e tecnologia. 

Em tese, a Web3 também pode ser o encerramento da custódia de dados das pessoas por empresas de tecnologia e, consequentemente, o fim de figuras como o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tendo que comparecer a julgamentos para se defender de processos que envolvem acusações de uso indevido de usuários, que chegam aos borbotões aos tribunais. 

Embora possivelmente prefiram os tribunais a perderem a tutela dos dados dos usuários, Zuckerberg e outros empoderados das gigantes tecnológicas já trabalham para ter a blockchain a seu favor. Exemplo clássico é o metaverso, uma espécie de menina dos olhos do CEO da Meta, calcado na blockchain.

A empreitada pode ter entre suas explicações a descentralização, principal característica da blockchain a serviço da Web3, que promete dar aos usuários a autocustódia de suas informações.

No rol das vantagens da Web3 sobre o atual modelo de internet, a Web2, também está a segurança, uma vez que todas as atividades dos usuários deverão passar por assinaturas de chave privada. Experiência que traz na bagagem mais de dez anos da tecnologia blockchain, sem registros de invasão cibernética. 

Além disso,  Otávio Viana ainda ressaltou que a Web3 pode remodelar a internet para que seja mais veloz, resistente ao cibercrime e transparente, por meio de mecanismos de avaliação de autenticidade, transações e contratos inteligentes, o que pode colocar na berlinda fraudes e perfis fakes. 

Apesar de a blockchain ter ganhado força no mundo tecnológico a partir do lançamento do Bitcoin em 2009, os conceitos por trás da tecnologia já estavam no radar dos especialistas em tecnologia. Entre ele o criador da Web1, Tim Berners, que colocou em prática a web semântica, que possui semelhanças com a blockchain. 

“Considerando os seus benefícios, a Web 3.0 trará uma mudança radical na forma como compramos, realizamos pagamentos, interagimos uns com os outros e nos divertirmos. Os algoritmos também entenderão os desejos e perfis dos usuários de forma mais consistente. O acesso seguirá sendo feito por meio de navegadores e as aplicações conhecidas como DApps também passarão a operar de forma descentralizada, possibilitando o acesso direto aos blockchains”, finalizou Otávio Viana. 

Engana-se quem pensa que o potencial da blockchain se resume a questões limitadas ao universo tecnológico e de finanças. Para se ter uma ideia do alcance desta tecnologia disruptiva, ensinada até para crianças portuguesas, ela oferece um rol de possibilidades de combate à fome, que no Brasil, por exemplo, já atinge 33,1 milhões de pessoas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil

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