Huawei não tem intenção de trabalhar com Bitcoin e foca no Brasil em meio a incertezas governamentais

A gigante mundial de telecomunicações, Huawei, não tem planos de integrar Bitcoin e criptomoedas em seus dispositivos, conforme revelou com exclusividade ao Cointelegraph, nesta sexta-feira, 28 de junho, um dos executivos da empresa que preferiu não ser identificado.

O executivo destacou também que a gigante mundial deve focar no Brasil uma expansão na América Latina e, para tanto, já está conversando com autoridades para inaugurar uma unidade da empresa, destinada a fabricação de celulares no país. A  Huawei está de olho no mercado nacional que hoje conta com cerca de 220 milhões de aparelhos ativos.

Mas o principal foco da empresa no país é o 5G e soluções de servidor e armazenamento, no qual a empresa já tem diversos contratos governamentais e no setor bancário.

No caso do 5G, o executivo revelou que a empresa já vem convesando com operadoras e com entidades governamentais, como a Anatel, buscando viabilizar a tecnologia da companhia como padrão.

5G no Brasil

De fato, em outubro de 2018, a Huawei, junto com a Claro/NET e à Rede Globo, realiazaram a primeira desmonstração da tecnologia no Brasil, quando fizeram uma transmissão de vídeo Ultra-HD 8K em uma rede experimental 5G, durante a Futurecom 2018 (que aconteceu em São Paulo nos dias 15 a 18 de outubro).

No dia 26 de junho deste ano, a operadora TIM anunciou que fez testes com a tecnologia 5G da Huawei em uma faixa de 100 MHz na frequência de 3,5 GHz com conexão a uma rede comercial. Segundo informações da TIM, na ocasião foram alcançadas velocidade de quase 1 Gbps para download e 71,8 Mbps para upload.

No entanto, apesar dos testes, entre autoridades do Governo Federal há divergências enormes sobre a Huawei. Por um lado o vice-presidente da Republica, General Hamilton Mourão, declarou que não haverá restrições a empresa no Brasil, contudo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, declarou que o governo brasileiro não fechou questão a respeito do uso de equipamentos da empresa e disse que o Itamaraty avalia se irá impor restrições parciais ou completa aos equipamentos da Huawei.

No caso do 5G, estimativas apontam que a Huawei ja opera mais de dois terços de toda as redes implementadas mundialmente fora da China. Ao Cointelegraph o executivo revelou que a empresa já tem o maior numero de contratos assinados e que sua tecnologia esta "no mínimo três anos a frente de todos os concorrentes", disse.

Sistema Operacional

Sobre os desenvolvimentos de um sistema operacional da empresa para substituir o Android do Google que seguiu as determinações de Donald Trump e irá desabilitar o sistema em aparelhos da Huawei, o executivo revelou que o desenvolvimento do sistema próprio esta "muito avançado".

Segundo ele, o sistema já sera "all in one" e permitirá a interoperabilidade entre os diferentes dispositivos da empresa, desta forma, ações feitas no celular poderão ser editadas nos notebooks e outros dispositovos da companhia.

A previsão é que o sistema seja lançado no dia 30 de outubro na nova linha de celulares Mate da companhia, o Mate X, que inclusive foi usado pela Tim no teste do 5G em questão e deve ser um dispositivo dobrável.

Ainda segundo o executivo o novo sistema operacional da Huawei (provavelmente chamado "OaK OS" ou "Hongmeng") já nascerá como um dos maiores do mundo e antes de ser uma "gambiarra" para dar conta do bloqueio do Google pode ser um forte concorrente para o Android pois a companhia estaria supostamente em conversas com as também chineas Xiaomi e Oppo para deixarem o sistema do Google de lado e adoterem o da Huawei.

Para se ter uma idéia do que isso representa, segundo os números da IDC, somadas as empresas representam 1/3 do mercado mundial de smartphones com 33,7% de participação no mercado, sendo que a Sansung lidera o mercado respondendo por 20,9% das vendas globais de celulares, seguida por Huawei, 15,8%; Apple 12,1%; Xiaomi, 9,3% e Oppo, 8,6%.

Neste campo a Huawei já teria pedido o registro da patente do sistema operacional em paises da Europa e Asia.

Guerra EUA x Huawei

O executivo revelou também que a empresa estuda uma espécie de 'retaliação' aos EUA, respondendo ao bloqueio americano com a imposição de restrições a empresas americanas de patentes da gigante chinesa

Segundo o executivo a empresa tem cerca de 56.492 patentes ativas em diversas areas e que são usadas por companhias em todo o mundo. Somente nos EUA  em 2018 a empresa conseguiu registro para 1.680 patentes e no mundo, em todas as áreas, a companhia tem mais de 102 mil patentes registradas. 

No entanto a opção de restringir patentes não é consenso na empresa que avalia que isso pode também trazer aspectos negativos e prejudicar as finanças da companhia.

Como reportou o Cointelegraph, a Huawei também estuda disponibilizar ao mercado da America Latina aplicações envolvendo blockchain.

 "Tudo vai depender de uma análise de mercado que estamos desenvolvendo e, caso haja uma demanda de mercado para blockchain iremos disponibilizar nossos serviços nesta area. Hoje estamos focados em armazenamento, 5G e telecomunicações”, revelou um executivo da companhia.