João Gianvecchio, gerente de digital assets no banco BV, revelou em uma entrevista com o Cointelegraph Brasil, durante o WebSummit Rio, que a instituição estuda permitir a compra e venda de Bitcoin e criptomoedas para seus clientes.
"A gente está sim estudando, começar eventualmente com uma operação de cripto simples, parecida com o que o mercado está operando, de compra e venda, de cripto no modelo fechado. E eventualmente, vendo o apetite desse mercado, a gente consegue depois ir expandindo para outros tipos de hipóteses", disse.
Segundo Gianvecchio, a união entre o mundo das finanças descentralizadas (criptomoedas) com as finanças centralizadas, caminha para tornar o futuro da digitalização da economia em um 'meio termo' entre descentralização e centralização, na qual haverá um certo grau de governança e um certo grau de descentralização.
"Até porque o cliente final, sempre prezar muito pela segurança do dinheiro. Então eu acho que a gente caminha para um meio termo", apontou.
Gianvecchio afirmou que nesta 'integração' o Banco Central tem desempenhando um papel fundamental com a agenda BC# que busca criar um mercado financeiro mais inclusivo, reduzindo as fricções para obter uma redução de custos.
"E aí que eu acho que entra a tokenização, porque quando a gente coloca essa camada aqui de programabilidade, de utilização dos smart contracts, você consegue melhorar a experiência do cliente em produtos financeiros e você vai ter uma criação de produtos novos, vai recriar os produtos atuais, tentando deixar a vida do cliente", afirmou.
O gerente de ativos digitais do BV, citou como exemplo que atualmente boa parte da população tem acesso restrito a certos tipos de investimento e, quando há a criação de uma camada de tokenização, fragmentando um investimento, é possível tornar ele mais acessível em diversas plataformas.
"Você passa a dar acesso a esse tipo de produto para qualquer tipo de cliente que o BV tem", afirmou.
Casos de uso Drex
Para o executivo do BV, além da fragmentação dos investimentos, há outros pontos a serem explorados no Drex, como o uso da tokenização para facilitar as operações de crédito.
"Hoje via o Marco Legal de Garantias, você pode pegar um bem rural, um bem móvel, fragmentar esse bem, uma vez obviamente que esse bem vai estar registrado em uma blockchain e utilizar ele como uma garantia de uma operação de crédito.
Aqui você já tem muita redução de custo. Por exemplo, hoje há muito ruído para você conseguir colocar o seu carro em garantia. Uma vez que você tokeniza e tem toda uma jornada em on-chain (o registro do carro em blockchain, o crédito tokenizado, o gravame podendo ser realizado em blockchain), você vai começar a criar novas jornadas de produtos financeiros", afirmou.
Recentemente, o banco BV, um dos maiores bancos do Brasil no setor de financiamento veicular, anunciou a entrada no mercado de tokens RWA vinculados ao setor de financiamento. Para tanto, segundo o banco, alguns testes já vem sendo realizados internamente em um ambiente controlado.
A proposta do BC é que todo processo de financiamento e transferência do veículo possa ser feito digitalmente e em blockchain e, para isso, anunciou uma parceria com a Cconsensus e Parfin para a digitalização de documentos.
A primeira fase dos testes envolveu uma operação do tipo C2C (de cliente para cliente), na qual duas pessoas físicas negociaram a compra e venda de um veículo, realizando uma troca instantânea conhecida como DvP (entrega versus pagamento).
"A ideia é que o banco conduza toda a operação de financiamento, desde a simulação até a quitação do gravame e a conclusão da alienação do veículo após o pagamento das prestações pelo comprador, o que proporcionará maior agilidade e eficiência na operação", destacou Carlos Bonetti, diretor-executivo de riscos e operações do banco BV.
O Banco BV vem anunciando parcerias no mercado de tokens RWA desde 2022, quando fechou uma parceria com a Liqi para a tokenização de recebíveis do banco. Já em 2023, o consórcio liderado pelo banco foi um dos selecionados pelo Banco Central do Brasil para participar dos pilotos do Drex.