Todos os ativos financeiros passam por oscilações de preços. No caso das criptomoedas, esse fato é ainda mais constante por uma série de fatores. 

Entre eles, a especulação dos investidores e a possível falta de algumas regulamentações que possam trazer mais segurança para o investidor institucional, acostumado com as regras tradicionais de mercado.

O fato é que grandes empresas já investem e são donas de grandes fatias do mercado de criptoativos. O Cointelegraph publicou que no Brasil, segundo levantamento da Bloomberg, os bancos já são os maiores investidores do ETF de criptomoedas da Hahsdex, o HASH11.

De acordo com dados da empresa, as posições no HASH11 do Banco Credit Suisse (CSHG Asset Management) e Banco BTG Pactual somam cerca de R$ 30 milhões, sendo que o Credit Suisse é o segundo maior investidor do ETF com 471.500 de unidades e o BTG o terceiro com uma posição de 211,5 mil. 

Ou seja, os bancos que já foram grandes inimigos do mercado de Bitcoin (BTC) e criptomoedas e por anos afirmaram que os criptoativos eram bolhas, veneno de rato ao quadrado, objetos do crime organizado, pirâmide, esquema ponzi e tantas outras ofensas, agora estão 'de braços dados' com o universo cripto.

O Bitcoin (BTC) ainda é rei entre as ciptomoedas. Só para se ter uma ideia, a maior criptomoeda por valor de mercado estava custando durante a escrita deste artigo, R$238,147.21, com uma capitalização de mercado em R$4,477,700,452,425.

Esses números tornam impossível que o Bitcoin e outros criptoativos passem despercebidos aos olhos do mercado.

Por sinal, a fama dos criptoativos tem chegado aos ouvidos e ao cotidiano das famílias mais ricas, como publicou o Valor, que afirma que sob demanda dos investidores e gestores de fortunas, as famílias estão estudando o tema e já há quem inclua essa classe de ativos na alocação de portfólios. 

Os jovens são os atores principais da busca por criptoativos, segundo o jornal, que repercutiu um mapeamento recente divulgado pela CFA Institute Research Foundation, sobre o potencial impacto dos criptoativos nas carteiras dos investidores.

De acordo com o estudo, Matt Hougan e David Lawant compilaram um teste feito pela Bitwise Asset Management, que atribuiu diferentes e pequenas porcentagens de Bitcoin (até 5%) a um portfólio tradicional (que tinha 60% de ações, 40% de renda fixa).

Segundo o jornal, o resultado é que há uma melhora significativa na rentabilidade da carteira com acréscimos pequenos, enquanto o risco pouco aumentou, levando-se em conta o índice de Sharpe, que faz esse tipo de ponderação. 

Luiz Pacheco, sócio da Brainvest, disse ao Valor que a recomendação aos investidores tem sido alocar até 2,5% do portfólio em criptoativos. “Como a volatilidade é alta, não dá para investir muito mais do que isso.” 

Ele diz que segmentos relacionados ao mundo dos criptoativos como a “blockchain” (tecnologia por trás do bitcoin) são avaliados como outras estratégias antes de compor uma carteira de investimentos. 

Uma preocupação dos gestores é com o fato das transações serem descentralizadas, o que causa um alerta sobre a custódia dos criptoativos, diferentemente do que ocorre em um fundo de ações no Brasil, em que a guarda fica na B3.

O jornal cita a corretora de criptomoedas Coinbase, que fez IPO na Nasdaq, e que é uma das empresas que rapidamente se desenvolveram para prestar esse tipo de serviço.

Fernando Beyruti, do Itaú, CEO do banco nos Estados Unidos e responsável pelo private banking internacional, disse ao Valor que tem dado acesso ao investidor aos criptoativos por meio de fundos de índice no Brasil e no exterior.

Annalisa Blando, fundadora e CEO da empresa de planejamento financeiro ParMais, disse que após se unir ao Mercado Bitcoin identificou grande curiosidade dos investidores pelos criptoativos. 

A mudança de mentalidade sobre os criptoativos está atingindo todas as esferas da sociedade e o resultado é a expansão dos serviços voltados para o setor.

Um exemplo disso foi publicado pelo Cointelegraph. A rede de shoppings BrMalls, presente em várias cidades do país, vai instalar até o fim de agosto 15 caixas eletrônicos de criptomoedas.

E a empresa dona dos equipamentos garante que até o fim do ano serão 50 máquinas espalhadas pelo país, para atender a demanda.

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