O XRP foi o token de alta capitalização que mais valorizou desde a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, em novembro. Os ganhos de 426% foram impulsionados pelas perspectivas de confirmação da vitória da Ripple, emissora do XRP, no caso contra a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), e pelos potenciais avanços regulatórios no país.
Gráfico diário XRP/USDT desde a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. Fonte: TradingView
A aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o lançamento de um ETF de XRP no Brasil antecipa um movimento que deve ter reflexo em outras jurisdições, incluindo os EUA, potencializando a adoção institucional da criptomoeda.
Em dezembro de 2024, a Ripple ganhou sinal verde do órgão regulador de Nova York (NYDFS) para o lançamento de uma stablecoin atrelada ao dólar, o RLUSD. Os executivos da empresa projetam que o ativo possa alcançar uma capitalização de mercado de US$ 2 trilhões até 2028, uma vez que as stablecoins vêm se destacando como um dos setores de maior crescimento no ecossistema de criptomoedas.
Desde o lançamento, o RLUSD atingiu uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 100 milhões, uma marca que o USDT, líder do setor, levou cerca de três anos para alcançar.
Na esfera política, a Ripple tem investido milhões para viabilizar a inclusão do XRP em uma eventual reserva de ativos digitais a ser criada pelo governo dos EUA. Durante a campanha, Trump prometeu que, se eleito, criaria uma reserva estratégica de Bitcoin.
Para frustração da comunidade cripto, a medida não figura entre as prioridades iniciais de seu novo mandato. Em sua primeira entrevista como “Czar das Criptomoedas” da administração Trump, David Sacks declarou que a reserva estratégica seria objeto de estudo, deixando em aberto o modelo e os ativos a serem adotados pelo governo.
Aparentemente, o lobby da Ripple está fazendo efeito. Na terça-feira, Trump publicou uma postagem em sua rede social, Truth Social, compartilhando uma reportagem que cita o “efeito Trump" como razão para a disparada do preço do XRP e os acordos comerciais fechados pela Ripple nos EUA.
A ascensão da Ripple e do XRP coincide com crises nos ecossistemas de suas principais rivais, a Ethereum (ETH) e a Solana (SOL). A primeira enfrenta problemas de governança enquanto o Ether registra um desempenho inferior à média do mercado no atual ciclo de alta.
Já a Solana foi vitimada pelo escândalo da LIBRA, memecoin apoiada e logo depois rejeitada pelo presidente da Argentina, Javier Milei, que pode acabar resultando em sua destituição do cargo mediante processo de impeachment.
O caso Milei associado à derrocada das memecoins de Trump e da primeira-dama Melania abalaram o mercado de memecoins, provocando uma queda de 41% no preço do SOL desde as máximas históricas de US$ 293 registradas em 19 de janeiro, de acordo com dados da CoinGecko.
Todos esses fatores sugerem que o momento é favorável ao XRP, que já ocupou o posto de segunda maior criptomoeda do mercado no passado, atrás apenas do Bitcoin (BTC), segundo o boletim semanal de mercado da gestora brasileira de ativos digitais QR Asset Management:
“À medida que o mercado se adapta às novas tecnologias e a regulamentação se torna mais favorável, a tecnologia blockchain se posiciona como uma nova fronteira para os métodos tradicionais de transferência de valores. Esse cenário, aliado à contínua expansão da rede Ripple, tem atraído tanto investidores de longo prazo quanto entusiastas da tecnologia blockchain. A institucionalização do mercado de criptomoedas contribui para a adoção da Ripple.”
Os analistas da QR Asset destacam que a Ripple está envolvida no desenvolvimento de infraestruturas de pagamento para moedas digitais de banco central (CBDCs), credenciando-se como uma alternativa ao sistema SWIFT, método tradicional para transmissão e liquidação de transações transfronteiriças.
Ao promover a convergência entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema de criptomoedas, a Ripple pode assumir um protagonismo global, afirma a QR Asset.
Desafios da Ripple
O boletim alerta, no entanto, que o sucesso da Ripple e a manutenção da tendência de alta do XRP dependem dos avanços regulatórios nos EUA, especialmente do veredito do caso contra a SEC:
“Ainda existem questionamentos importantes sobre a viabilidade regulatória de seu modelo de negócios e a discussão sobre se seu token, XRP, deve ser classificado como um valor mobiliário ou uma commodity será crucial para o crescimento da empresa.”
A consolidação de uma ampla base de usuários, por sua vez, é fundamental para a expansão do ecossistema XRPL, pois as atividades na rede ainda são irrisórias quando comparadas às da Solana e da Ethereum. As receitas deixam isso evidente, como destaca a QR Asset:
“É possível observar um salto nas taxas geradas na rede da Ripple a partir do final de novembro do ano passado. Os valores passaram de algo entre US$ 1.500 e US$ 2.000 por dia para pelo menos US$ 10.000."
A rede da Ripple somou apenas US$ 1,15 milhão em taxas em 2024. A título de comparação, no mesmo período a Ethereum gerou US$ 1,99 bilhão e o Bitcoin ficou em segundo lugar, com US$ 922 milhões.
O suprimento circulante e a pressão inflacionária do XRP também representam riscos para o preço do token.
De acordo com o Relatório de Mercado do XRP do quarto trimestre de 2024, a Ripple detém 4,48 bilhões em XRP, equivalentes a US$ 12,2 bilhões, que podem ser despejados no mercado a qualquer momento.
Há ainda 38,9 bilhões em XRP, equivalentes a US$ 106,7 bilhões, a serem liberados nos próximos anos. O aumento da oferta tende a ter um efeito negativo sobre o preço dos tokens.
Os ETFs de XRP podem ser um instrumento importante para gerar demanda pelo token, posicionando a Ripple como um dos “agentes-chave do movimento de institucionalização do mercado de criptomoedas”, conclui o boletim da QR Asset.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, as chances de aprovação de um ETF de XRP nos EUA, ainda em 2025, atualmente são de 81% no mercado preditivo Polymarket.