Uma recente pesquisa divulgada pela Hashdex, maior gestora de criptomoedas do país, somente em 2021 o número de investidores em moedas digitais no Brasil cresceu 938%, passando de 30 mil para mais de 410 mil pessoas interessadas nesse tipo de investimento.

Somente entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, o número total de investidores cresceu 4%, atingindo 427 mil pessoas.

"A população está começando a despertar para os investimentos em criptoativos, porém esse é um universo novo para a maioria. Então é preciso tomar tomar algumas precauções para não cair em golpes ou armadilhas" diz  Cleberson Marques.

Ao Cointelegraph Marques elencou algumas dicas que os investidores podem seguir para evitar cair em golpes. Confira.

  • Busque informações sobre as criptomoedas que deseja investir: Por se tratar de um tipo de negócio novo, invista em conhecimento. Procure aprender o conceito e a mecânica de funcionamento dos criptoativos,  além das notícias que tratam do assunto. "Na internet, é possível encontrar bons conteúdos gratuitos em texto, vídeos e podcasts e até cursos, através dos quais podemos aprender muito ", diz Cleberson. O cuidado, nesse caso, é buscar fontes confiáveis.
  • Pesquise o histórico das empresas e profissionais: Segundo Cleberson Marques, na hora de investir, não é necessário ter um intermediário, mas é indicado buscar ajuda especializada.
  • Busque a procedência dos operadores: Os futuros investidores devem avaliar e pesquisar a reputação da empresa, devem observar o nível de transparência das informações, como as cotações atualizadas, a quantidade de cripto listadas e a facilidade no rastreamento das operações.
  • Histórico e confiança: Outro ponto a observar é a liquidez de negócios, que devem estar bem exposto, se as taxas cobradas são próximas as maiores exchange de mercado e se a plataforma tem selos que garantem a segurança do cliente, como exemplo o da ABCripto, Abfintechs, Gocach entre outros. As exchanges citadas pela ADVFN International Financial Awards por premiações ou que compõem o ranking do Blockchain Transparency Institute (BIT), são normalmente mais credenciadas e seguras no mercado cripto. 
  • Desconfie de retornos rápidos: O especialista alerta que resultados "faraônicos" e exorbitantes não existem. "As pessoas estão acreditando nessas promessas e acabam caindo em golpes", diz.

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Quem também conversou com o Cointelegraph e deu dicas que os investidores devem seguir para evitar cair em golpes relacionados a criptomoedas foi Rafael Izidoro, CEO da Rispar, primeira fintech a oferecer crédito em reais com garantia em criptomoedas, explica que, com o aumento da popularidade do mercado de criptoativos, é muito comum surgirem empresas de procedências duvidosas e sem uma estrutura adequada na gestão dos investimentos. 

“Uma dica é sempre buscar quem está por trás de cada projeto e verificar se operam em uma estrutura regulada que proteja o usuário. Desconfie de produtos que prometem dinheiro fácil", alerta.

Já para Lucas Schoch, CEO da Bitfy, primeiramente o investidor deve ter como principal cuidado a escolha de uma empresa idônea que possua uma carteira digital de custódia própria para armazenar, transferir e utilizar as principais criptomoedas do mercado de forma fácil e segura.

“Na Bitfy, onde todas as informações das operações estão expostas ao usuário no momento em que é realizada qualquer tipo de transação, exibindo os dados do titular da compra, valor de custos das taxas de mineração cobradas pela blockchain das moedas, as etapas para efetuar a compra e o recebimento de ativos com a máxima transparência possível”, analisa.

De acordo com Safiri Felix, diretor de produtos e parcerias da Transfero, empresa internacional de soluções financeiras baseadas em tecnologia blockchain, é fundamental entender sobre auto custódia, quando você tem total controle sobre as criptomoedas,  e adquirir uma hard wallets - dispositivo similar a um pen drive onde é possível guardar chaves e os criptoativos do investidor. 

“Especialmente quando falamos de valores maiores e posições de longo prazo, é altamente recomendável que o investidor pesquise e entenda sobre a auto custódia e adquira uma hard wallets. Ledger e Trezor são os modelos mais indicados”, acrescenta Safiri. 

Bruno Soares, CTO da Foxbit, uma das maiores e mais antigas exchanges de criptoativos do mundo, dá algumas dicas e principais cuidados básicos para proteger os ativos digitais.

  • Usar o segundo fator de autenticação;
  • Utilizar senha diferente das usadas em outros sites ou redes sociais;
  • Sempre confirmar o endereço do site, principalmente da tela de login;
  • Evitar o uso de dispositivo de terceiros e/ou rede WI-FI pública para acesso;
  • Usar computador ou dispositivo móvel com versões de programas recentes e atualizadas, além de mecanismos de segurança como antivírus e firewall pessoal;
  • Cuidado com extensões de navegadores.
  • Em caso de uso do App, utilizar o aplicativo fornecido pela Foxbit nas Lojas Oficiais Google Play e Apple Store;
  • Usar senhas com o maior número de caracteres possível e com diferentes tipos de caracteres;
  • Não usar dados pessoais no processo de elaboração da senha;
  • Troque periodicamente suas senhas;

“São dicas básicas, mas que servem para proteger seus criptoativos de forma segura e bem prática. Com isso, você pode assegurar que seus investimentos estão seguros e continuar a investir sem problemas”, conclui.

Mas e quando um projeto é hackeado?

Recentemente a plataforma que impulsiona o jogo para celular Axie Infinity sofreu uma perda de quase R$ 3 bilhões após uma invasão em seu serviço. O problema causou prejuízo para inúmeras pessoas que fazem uso da plataforma.

Apesar de ser um mercado de grande expansão, os recentes acontecimentos acendem um alerta aos investidores sobre os perigos que moedas digitais e finanças feitas de forma descentralizada. Até que ponto o investimento pode ser algo seguro?

“É bem seguro. Quando você vai pra outras criptomoedas como a  Ronin, a Wormhole, são projetos novos, nesses projetos novos eles pagam juros sobre o capital mais atrativos, e acabam se atrelando a riscos maiores, mas na maioria dos casos, é bem seguro de se investir, se atentando aos detalhes como número de clientes, tamanho da empresa e etc”, afirma Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Financial Move.

Para Andrey Nousi, CFA e fundador da Nousi Finance, as criptomoedas possuem seus bônus e ônus.

”Em muitos casos, você é o seu próprio banco e está garantindo a custódia das suas moedas. Isso te traz uma liberdade, te traz um bônus, pois você não precisa pedir a aprovação de ninguém, mas tem o ônus também, que é a sua responsabilidade de guardar bem as suas criptos. Então, inato a isso que obviamente vão existir algumas umas fragilidades volta e meia, pois o mercado de cripto é criado por contratos e esses contratos são linguagens de programações que às vezes podem encontrar falhas”, afirma Nousi.

Apesar de preocupante, Nousi acredita que comparado ao tamanho do mercado de cripto, os hackers, de maneira geral, são muito pequenos. 

“ Muitas vezes, nesses grandes ataques, o hacker tem muito mais incentivos a devolver o dinheiro ou algum tipo de acordo com o protocolo, porque mesmo que ele tenha feito o saque desses trezentos ou seiscentos milhões de dólares da própria ponte, ele não consegue sacar para sua conta, pois para se transformar de cripto para real ou dólares, você precisa de um intermediário e esses intermediários eles já possuem o endereço que estão com as moedas roubadas”, explica Nousi. 

Já Tasso Lago afirma que mesmo com o potencial risco de perdas, os ganhos são muito maiores e, mesmo assim, ainda é recomendado investir na moeda.

“É só ver os retornos que existem em cripto quando a volatilidade alta é inerente a projetos novos de tecnologia. Ainda mais falando de internet e códigos, os códigos são hackeáveis. Então é isso que acontece com relação ao mercado e o risco está precificado como retorno. Hedge de proteção contra hacker  não existe porque o protocolo inteiro é hackeado e para você se expor a protocolos novos  você está sujeito ao risco. É o risco de mercado, como podemos chamar”, explica Lago.

Outras dicas de como se proteger

Apesar dos riscos, existem dicas e macetes que podem colaborar para que o investidor deixe suas criptos um pouco mais seguras.

“Se estivermos falando de uma corretora centralizada como a Mercado Bitcoin, a Coinbase e assim por diante, é importante verificar se é uma com bom respaldo no mercado, boa reputação, que tenham grandes investidores por trás,  esteja há bastante tempo no mercado e que tenha centenas, milhares ou milhões de clientes, isso já é um bom indicador dela ser robusta ou não", disse Nousi.

Ainda segundo ele, quando se fala de protocolos descentralizados, o investidor pode avaliar a segurança disso através das auditorias.

"Os protocolos de DeFi, eles contratam auditorias externas para analisar o código delas,  os contratos inteligentes para tentar encontrar a vulnerabilidade e essas possíveis vulnerabilidades serem apontadas para o time de desenvolvedores para poderem resolver esses problemas. Então, você pode encontrar facilmente isso com o protocolo chamado CERTIK. Ele é um projeto que faz auditorias para seus clientes”, explica Nousi. 

Lago afirma que a partir do momento que o dinheiro é hackeado via Blockchain, não existe a possibilidade de estorno. Porém, segundo Nousi, a possibilidade de poder ter um retorno desse valor, acontece caso o protocolo tenha um tesouro muito grande em reserva, o que possibilitaria um possível ressarcimento aos investidores.

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