As moedas digitais estão aqui para ficar. Seja de forma descentralizada como o Bitcoin, seja gerenciadas por uma empresa privada como a USDC, ou centralizadas como as moedas digitais de banco central (CBDC). 

Novos dados de pesquisa da empresa de business intelligence Morning Consult descobriram que os consumidores em mercados emergentes são mais propensos a apoiar uma moeda digital controlada pelo governo do que aqueles em mercados desenvolvidos. Haja visto a relutância do Fed na pessoa de Jerome Powell, em pautar o assunto nos EUA.

Em 2021, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse em depoimento ao Congresso:

"Você não precisaria de stablecoins, não precisaria de criptomoedas, se tivesse uma moeda digital dos EUA".

Ao contrário do enquadramento dos formuladores de políticas, os dados também revelam que os consumidores em todo o mundo não distinguem entre CBDCs e criptomoedas privadas, com muitos mostrando apoio para ambos.

As CBDCs ainda estão na fase de desenvolvimento nascente, como o Sand Dollar das Bahamas, o eNaira da Nigéria e o yuan digital da China; três dos exemplos mais proeminentes, embora cada lançamento tenha sido repleto de obstáculos. El Salvador também lançou uma carteira digital privada para gerenciar o Bitcoin depois de fazer a oferta legal de criptomoedas no ano passado. El Salvador assumiu o Bitcoin como reserva legal, junto com o dólar que era a moeda oficial do país.

Apesar do estágio inicial da tecnologia, governos de todo o mundo, incluindo os EUA, estão explorando a viabilidade da adoção, muitas vezes estimulada pelo aumento das criptomoedas como uma forma de pagamento digital. Os criptoativos já assolam o mercado de remessas internacionais, acelerando inclusiva a obsolescência de mecanismos de transferência internacional como o SWIFT.

De acordo com a Morning Consult, mais de 90 autoridades governamentais de moeda estão explorando ou pilotando a emissão de uma versão digital de sua moeda nacional.

Os dados da Morning Consult corroboram a suposição de que os consumidores em países com menor acesso a serviços bancários e pagamentos digitais são mais propensos a apoiar CBDCs, enquanto aqueles em mercados mais desenvolvidos têm menor demanda. Na Índia, por exemplo, a Morning Consult descobriu que 36% dos adultos apoiaram fortemente a emissão de uma CBDC, em comparação com apenas 3% no Japão e 7% no Reino Unido.

Os formuladores de políticas e a indústria cripto tendem a retratar CBDCs e criptomoedas como opostos na melhor das hipóteses, e incompatíveis na pior das hipóteses.

Banco central do Brasil inicia os testes do real digital

Conforme afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no painel de abertura do Rio Crypto Summit 2022 em junho deste ano, a CBDC brasileira está sendo estruturada para herdar o arcabouço regulatório atualmente em vigor para as captações realizadas em real.

Na prática, os bancos privados poderão emitir uma quantidade maior de moedas do que o montante depositado em reais por seus respectivos clientes, em operações de alavancagem avalizadas pela monetização destes depósitos através da tokenização. Apenas instituições de pagamento obrigatoriamente terão que oferecer 100% de garantias em reais digitais.

Conforme noticiou o Cointelegraph, os primeiros testes da CBDC brasileira começaram dia 20 de outubro.

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