O bilionário Elon Musk, que algumas vezes foi ao Twitter criticar a utilização de energia fóssil para a mineração de Bitcoin (BTC), pode fomentar, ainda que indiretamente,  a atividade nos mais distantes confins do planeta. Isso, caso se confirmem as previsões de “El Sultan”, fundador do serviço de custódia de Bitcoin para instituições financeiras da Venezuela Coinspree. Segundo ele o sistema de satélites Starlink, da SpaceX, deverá favorecer os pequenos mineradores de Bitcoin que, de forma geral, ficam de fora da atividade nos ermos da Terra, onde o preço da energia elétrica é barato, mas o acesso à internet é escasso, o que favorece o monopólio das grandes fazendas de mineração nestes locais.

Em artigo publicado pela Bitcoin Magazine, El Sultan observou que, após experimentar uma redução de 60% na taxa de hash no ápice da atividade, a mineração de Bitcoin foi absorvida em sua maior parte pelos Estados Unidos, após a proibição feita pela China. O que, de certa forma, foi contra a promoção da descentralização para diferentes locais do mundo como forma de mitigar a possibilidade de ataques à rede. 

Ao citar o cofundador da Coin Metrics Nic Carter, que disse que a energia é um fenômeno local, cujas produções se concentram em locais mais remotos, como as regiões de Quebec, no Canadá, e Sichuan, na China, com a capacidade hídrica excedendo a demanda e com a dificuldade de transporte energético, El Sultan observou que a energia elétrica desperdiçada é o “amor platônico” dos mineiros de Bitcoin, compradores de último recurso que contam ainda com a neutralidade de jurisdições locais.

Por outro lato, observou ele, enquanto um serviço de acesso corporativo à internet via satélite não representa empecilho para uma para uma fazenda multimilionária de mineração, o mesmo não pode ser dito em relação aos mineradores de pequeno e médio porte próximos a estes locais de energia ociosa.

Neste contexto, a empreitada da SpaceX em implantar o sistema de internet de banda larga mais avançado do planeta pode “colocar novamente no jogo” estes mineradores, embora os custos médios de configuração de hardware para acesso ao Starlink gire em torno de US$ 600, além da mensalidade de US$ 3 mil. 

Como ponto positivo, já que El Sultan acredita na adesão de curto prazo dos pequenos mineradores junto à Starlink, estaria a redução da centralização da rede Bitcoin  do provedor de serviços de internet (ISP), que detém cerca de 60% de todo o tráfego da rede nos últimos cinco anos. Além disso, metade dos nós públicos do Bitcoin operam a parti de endereços de IP alemães, franceses e estadunidenses concentrados em quatro provedores de hospedagem (Hetzner, OVH, Digital Ocean e Amazon AWS).

Em maio, Elon Musk esteve no Brasil para o lançamento da Starlink prometendo conexão de 19 mil escolas em áreas rurais e monitoramento da Amazônia, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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