A recente parceria entre a Starlink, de Elon Musk, e a T-Mobile para eliminar "zonas mortas" da cobertura de internet e telefonia móvel nos Estados Unidos coloca em risco o futuro da Helium Network (HNT), uma rede de infraestrutura física descentralizada (DePIN) baseada na Solana (SOL) que fornece conectividade em áreas remotas.

Aprovado pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC), o acordo comercial entre a Starlink e a T-Mobile busca expandir o acesso à internet em regiões isoladas, utilizando satélites para complementar a cobertura terrestre.

Inicialmente, o serviço de conectividade da Starlink cobrirá apenas mensagens de texto. No entanto, a colaboração entre a empresa de Musk e a T-Mobile prevê a inclusão de chamadas por voz e conexão à internet no futuro, podendo afetar negativamente o modelo de negócios de sucesso da Helium.

Atualmente, a rede descentralizada de dados móveis da Helium oferece esses serviços aos assinantes da T-Mobile, muitas vezes sem que os próprios saibam que utilizam um protocolo da Web3.

Expansão da Helium

No final de janeiro, a Helium atingiu a marca de 414.874 usuários ativos diários que são assinantes de serviços centralizados, mas beneficiam-se da infraestrutura descentralizada da rede DePIN para garantir conexão em zonas remotas dos EUA, segundo informações da plataforma de rastreamento de dados Solana Floor.

Urgente: A @helium, baseda na Solana, ultrapassa 400 mil usuários ativos diários de outras operadoras nos EUA.

— SolanaFloor (@SolanaFloor)

Desde janeiro de 2024, a Helium triplicou a base de usuários de seu serviço para dispositivos móveis, que oferece acesso ilimitado à internet para residentes dos EUA por US$ 20 mensais, conforme dados do próprio protocolo na disponibilizados na Dune Analytics.

Total de assinantes do Helium Mobile. Fonte: Helium Foundation/Dune Analytics 

Embora tenha sido pioneira em implementar uma abordagem descentralizada para expandir a conectividade dos serviços de telefonia e internet, a entrada da Starlink no mercado de cobertura em áreas remotas deve impactar sua relevância e participação de mercado.

A capacidade da Starlink de fornecer cobertura de internet via satélite em mais de 120 países demonstra que a empresa de Musk tem um potencial de escalabilidade muito superior ao da Helium.

Além do acordo entre a T-Mobile e a Starlink, a nova atualização do iOS da Apple também representa um desafio para a Helium. A atualização 18.3 do sistema operacional de iPhones integrou a rede de satélites da Starlink, oferecendo aos usuários uma alternativa ao serviço Globalstar para comunicação em regiões remotas.

As colaborações entre a Starlink, a T-Mobile e a Apple representam um avanço significativo na eliminação de "zonas mortas" de conectividade, levantando interrogações sobre o futuro da Helium.

O sucesso ou o fracasso da Helium na competição com soluções centralizadas de grande escala poderá ter implicações significativas para o futuro das redes de infraestrutura descentralizada.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, especialistas da indústria de criptomoedas acreditam que o setor de DePIN necessita de uma narrativa mais coesa para capturar a atenção dos investidores.

O cofundador do Movement Labs, Rushi Manche, afirmou que há diversos casos de uso de DePIN em desenvolvimento, muitos dos quais são altamente técnicos, tornando mais difícil o reconhecimento público. Além disso, ao contrário do que ocorre com a Helium, poucos conseguem adequar seus produtos ao mercado.