Embora o Banco Central do Brasil (BC) venha defendendo que o Drex será uma ponte que ligará o mercado financeiro tradicional com o mercado de ativos digitais, para Anton Bukov, co-fundador da 1inch, a CBDC nacional é uma tentativa 'fraca' de integração entre CeFi e DeFi.

Segundo declarou Bukov em entrevista ao Cointelegraph Brasil, a proposta do Drex é promissora, mas para que todo seu potencial de integração seja realizado ela precisa ser emitida em uma blockchain pública de layer 1 ou 2, com integração com EVM e não em uma blockchain privada, como ocorre hoje com o Hyperledger Besu.

"O Drex, a CBDC do Banco Central do Brasil, é um começo promissor, mas ainda é uma tentativa relativamente fraca de verdadeira integração com o mercado cripto. Para que um CBDC como o Drex tenha uma interação significativa com o ecossistema criptográfico mais amplo, ele precisaria ser emitido na rede principal Ethereum ou pelo menos em uma solução de Camada 2, mesmo que seja um L2 autorizado", afirmou.

Para Bukov, isto permitiria maior compatibilidade com plataformas financeiras descentralizadas (DeFi) e outras aplicações do universo cripto, permitindo integração e utilidade reais dentro do ecossistema.

"Sem este nível de integração, a Drex permanece um tanto isolada do verdadeiro potencial do mercado de criptomoedas", disse.

Durante a entrevista, Bukov destacou que o mercado latino-americano é de grande interesse para a 1inch. Segundo a rede, mais de cem milhões de pessoas na América Latina não têm atualmente acesso ao sistema financeiro tradicional e eles acreditam que o DeFi pode resolver esta questão nos próximos anos devido à sua maior eficiência, transparência e justiça.

"O DeFi proporciona um acesso mais equitativo e aberto aos serviços financeiros, com um nível de proteção contra influências externas, o que é crucial para capacitar os indivíduos e garantir a liberdade financeira. Estamos particularmente entusiasmados com as oportunidades no Brasil e comprometidos em ajudar a trazer esses benefícios para a região. Além disso, já temos algumas parcerias na América Latina, incluindo Ripio, uma bolsa DeFi com Gitcoin, bem como colaborações com POAP e Mimic na Argentina", disse.

Confira a entrevista completa

Crescimento da 1inch

Cointelegraph Brasil (CTBR): Como a 1inch está garantindo as melhores taxas?

Anton Bukov (AB): A 1inch inovou ao introduzir o conceito de agregação em rotas complexas, envolvendo várias fontes de liquidez e tokens intermediários. Ao dividir inteligentemente as ordens e roteá-las por várias exchanges descentralizadas (DEXes), a 1inch assegura que os usuários obtenham sempre as taxas de troca mais eficientes, mesmo em um mercado fragmentado.

Essa abordagem permite à plataforma acessar as maiores fontes de liquidez e minimizar o slippage (deslizamento de preço), garantindo preços de execução superiores em comparação com outras plataformas.

Recentemente, a 1inch apresentou o mecanismo Fusion, que aprimora ainda mais suas capacidades. O Fusion cria um ambiente competitivo para resolvers, utilizando o modelo de leilão holandês.

Esses resolvers não apenas agregam liquidez on-chain, mas também conectam liquidez de diferentes blockchains, exchanges centralizadas (CEXes) e até de suas próprias fontes privadas de liquidez. Ao permitir que resolvers participem desse ecossistema dinâmico, a 1inch garante que os usuários acessem as melhores condições de troca, independentemente de onde a liquidez esteja.

CTBR: Quais são os benefícios esperados a longo prazo do Protocolo de Agregação da 1inch para o ecossistema DeFi?

AB: A emergência de agregadores como a 1inch contribuiu para uma maior diversidade entre os protocolos de DEX e uma distribuição mais ampla de liquidez. Isso tem gerado um impacto positivo no ecossistema, beneficiando tanto desenvolvedores quanto usuários.

Ao permitir uma distribuição mais justa de volumes de troca entre os protocolos, com base em sua liquidez e precificação, a 1inch ajuda a criar um ambiente mais equilibrado e competitivo. Isso não só melhora a estabilidade e eficiência do ecossistema DeFi, como também estimula a inovação e o desenvolvimento de novos protocolos.

CTBR: Quais são as melhorias de segurança no modo Fusion e como elas protegem contra ataques de "sandwich"?

AB: No modo Clássico, o usuário envia a transação diretamente, o que o expõe a riscos como o MEV (Maximal Extractable Value), onde ocorrem ataques de front-running ou "sandwich" devido à visibilidade pública no mempool. No modo Fusion, o usuário apenas fornece uma assinatura digital de sua intenção, e participantes profissionais (chamados de resolvers) executam as transações em seu nome.

Esses resolvers utilizam mempools privados e outras estratégias para proteger contra o MEV, reduzindo significativamente o risco de ataques de "sandwich". Além disso, os usuários ficam protegidos contra o risco de transações revertidas e as taxas de gás associadas.

1inch Fusion

CTBR: Quais são os principais feedbacks de usuários e desenvolvedores sobre o 1inch Fusion?

AB: Os usuários destacam a melhora significativa nos preços de execução com o 1inch Fusion. Graças ao mecanismo de leilão e à capacidade de preencher parcialmente as ordens, o preço final costuma ser melhor do que o inicialmente esperado.

Isso ocorre porque o formato de leilão oferece tempo suficiente para que até mesmo liquidez inativa seja ativada, levando a resultados mais favoráveis para os usuários.

Os desenvolvedores enfatizam que o modelo de leilão do Fusion permite uma integração mais segura das funções de swap de ativos em seus protocolos. A natureza competitiva do leilão garante que a melhor taxa seja obtida, minimizando o risco de manipulação e melhorando a segurança geral nas trocas de ativos.

CTBR: O que inspirou a 1inch a colaborar com a Notcoin e a Sign para lançar o Triangle, e qual o valor único que cada parceiro traz para essa iniciativa?

AB: A plataforma TON oferece ótimas perspectivas, com potencial para atingir dezenas de milhões de usuários globalmente nos próximos anos. Os fundadores da 1inch têm vasta experiência no desenvolvimento de protocolos shard (contratos inteligentes), o que os posiciona de maneira eficaz para aproveitar o crescimento e a escalabilidade da TON.

Cada parceiro traz forças únicas para a iniciativa Triangle. A Notcoin é conhecida por sua abordagem inovadora em finanças descentralizadas, oferecendo uma nova perspectiva sobre tokenomics e modelos de governança.

Já a Sign contribui com sua expertise em comunicação segura e identidade digital, com forte foco em privacidade e segurança. Juntas, essas empresas criam uma sinergia poderosa, combinando suas especialidades para impulsionar a inovação dentro da Triangle.

CTBR: Como o Triangle apoiará o crescimento do ecossistema Telegram & TON, e quais recursos estarão disponíveis para os fundadores participantes?

AB: O Triangle oferecerá suporte significativo ao ecossistema Telegram & TON, proporcionando aos fundadores participantes acesso a uma vasta gama de recursos e orientações. Um dos principais benefícios é o acesso a mentores influentes do espaço Web3, incluindo o CEO da Sign, Xin Yan, o cofundador da Berachain, Smokey, David Ching da Animoca Brands, Max Power da LayerZero e Andrew O’Neill da S&P Global Ratings.

Esses líderes da indústria fornecerão insights valiosos para ajudar os fundadores a navegar nas complexidades da tecnologia blockchain e do ecossistema TON.

Além da mentoria, os participantes terão acesso a recursos técnicos, oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas que podem acelerar o desenvolvimento e a adoção de seus projetos. O Triangle tem como objetivo capacitar fundadores a construir projetos impactantes que promovam a inovação e o crescimento dentro do ecossistema Telegram & TON.

CTBR: Quais são os novos casos de uso Web3 que o Triangle visa promover no ecossistema Telegram & TON?

AB: O Triangle focará em promover o desenvolvimento de Mini Apps do Telegram como uma entrada fundamental no ambiente Web3. O objetivo é trazer os usuários desses Mini Apps para o espaço Web3, onde eles possam possuir diretamente ativos e conteúdos, interagir com protocolos descentralizados e se conectar com outros participantes de maneira segura e transparente.

Aproveitando a interface familiar e amplamente utilizada dos Mini Apps do Telegram, o Triangle visa tornar a transição para o Web3 mais fácil para os usuários. Essa abordagem democratiza o acesso a tecnologias descentralizadas, permitindo que os usuários assumam o controle de seus ativos digitais e interações de maneiras antes impossíveis no ambiente Web2.

CTBR: Quais novos recursos estão chegando ao portal de desenvolvedores da 1inch e como eles ajudarão a comunidade Web3?

AB: O portal de desenvolvedores da 1inch está lançando diversos novos recursos emocionantes que beneficiarão muito a comunidade Web3. Um dos principais destaques é a API Fusion, que facilita a integração dos serviços de agregação e liquidez da 1inch em outros aplicativos. Além disso, a nova API Web3 RPC oferece um conjunto robusto de ferramentas para desenvolvedores interagirem com redes blockchain, tornando mais fácil criar e gerenciar aplicativos descentralizados.

Em breve, o portal também oferecerá a API Cross Chain, a primeira solução self-custodial desse tipo, que simplificará as operações entre cadeias para desenvolvedores.

CTBR: Quais são os planos para melhorar ainda mais a 1inch Wallet para aumentar a segurança e a funcionalidade do usuário?

AB: O foco para melhorar a segurança da 1inch Wallet está em fornecer aos usuários uma visão clara e compreensível do que acontecerá em uma transação antes que ela seja enviada, ou de qual mensagem o usuário está assinando.

Essa transparência ajuda os usuários a evitar golpes e erros próprios. O recurso Scam Protection, alimentado pela API 1inch Shield, desempenha um papel crucial ao analisar transações e alertar os usuários sobre riscos potenciais. Integrar provedores como Blockaid, TRM Labs e Hypernative fortalece ainda mais a segurança.