A diretora sênior da gigante de pagamentos PayPal no Brasil, Paula Paschoal, disse em entrevista ao portal Exame que a digitalização dos serviços financeiros e da economia no país vai "mudar a relação com o dinheiro" e que a inclusão digital será inevitável.

Segundo ela, a pandemia acelerou as mudanças em direção à digitalização:

"Muito mudou, mas ainda vai mudar muita coisa nos próximos anos na maneira como nos relacionamos com o dinheiro. Uma das grandes mudanças foi nossa relação com o smartphone. De ser usado para fazer ligações a controle remoto das nossas vidas, o smartphone é um fator chave para o acesso a serviços financeiros. O brasileiro já passa bastante tempo online e trazer meios de pagamentos para o online é importante."

Ela també destacou a bancarização forçada pela pandemia, com o auxílio emergencial do governo brasileiro pago pela Caixa Econômica levando à criação de um banco digital com nada menos que 60 milhões de "clientes", que receberam o dinheiro de forma digital.

Paschoal comenta que essa população antes desbancarizada "amadureceu" e "está sendo incluída no mercado.

Ela também comentou o perfil do público brasileiro do PayPal no Brasil:

"Nosso público é qualquer pessoa que quer comprar no Brasil ou no mundo através da internet ou de aplicativos. Tem sim o público que quer ter a experiência de comprar fora do Brasil em sites internacionais, mas temos uma presença muito forte nas compras feitas no Brasil também.[...] O brasileiro não olha se o preço final cabe no bolso, olha se o parcelado cabe no orçamento. O Brasil também é o único país do mundo em que o boleto é usado para carregar a carteira digital."

A diretora sênior do PayPal vê o Banco Central "muito ativo, trazendo inovações, incentivando a competição" nos últimos 10 anos, o que acabou por beneficiar "compradores e vencedores que usam nossas ferramentas". Quando perguntada sobre os investimentos do PayPal em Bitcon e o lançamento do suporte a criptomoedas para pagamento, ela comentou:

"Sempre temos que ser cuidadosos para que a tecnologia ajude a diminuir o vão e democratizar os serviços financeiros. Não podemos deixar que a complexidade do mercado e siglas nos separem. Mas eu acredito no amadurecimento e na desmistificação dos serviços financeiros, na popularização dos serviços que chegaram para trazer mais opções para os clientes. A inclusão é uma questão de tempo."

Para o futuro da gigante de pagamentos, ela vê o Brasil "saindo de uma situação de pandemia" com uma sociedade mais próxima e diz que estamos "mais digitais como consumidores". Ela finaliza:

"O caminho da economia digital será encurtado, não vamos usar mais tanto dinheiro e sim soluções digitais, pagamentos por QR Code, aproximação. Quanto mais digital a economia, mais inclusiva será, porque os meios de pagamentos digitais são mais eficientes, custam menos e significam mais dinheiro na mão de quem precisa. Esse é um caminho sem volta. Outro ponto para a próxima década é ter uma sociedade mais igualitária, com mais diversidade presente nas empresas, para que todos tenham oportunidades iguais."

Desde que lançou pagamentos em criptomoedas em sua plataforma, em 12 de novembro, nos EUA, as ações do PayPal dispararam 17%.

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