Analistas do banco de investimento multinacional americano Morgan Stanley estimaram as mudanças prováveis nos depósitos dos bancos da zona do euro, caso um euro digital seja amplamente adotado.
De acordo com os analistas, a moeda digital do banco central da União Europeia (CBDC) pode sugar 8% dos depósitos de clientes de bancos da zona do euro, informou a Reuters na quarta-feira. Essa participação pode ser muito maior em países menores, como Letônia, Lituânia, Estônia, Eslováquia, Eslovênia e Grécia, disseram.
As estimativas dos analistas foram baseadas em um cenário de “caso de urso”, no qual todos os cidadãos da zona do euro com mais de 15 anos enviaram 3.000 euros (US$ 3.637) para uma carteira digital do euro controlada pelo Banco Central Europeu. Conforme relatado anteriormente, esse valor poderia ser um limite teórico das participações totais do CBDC por residentes, de acordo com o membro do conselho executivo do BCE, Fabio Panetta.
“Isso poderia teoricamente reduzir os depósitos totais da área do euro, definidos como depósitos de famílias e empresas não financeiras, em 873 bilhões de euros, ou 8%”, disseram analistas do Morgan Stanley.
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O Morgan Stanley também disse que a adoção do euro digital pode aumentar ligeiramente o índice médio de empréstimos para depósitos (LDR) dos bancos da zona do euro, aumentando a chance de que os bancos não tenham liquidez suficiente para cobrir necessidades de fundos imprevistos. O LDR médio aumentaria de 97% para 105%, estimaram os analistas, observando que os bancos em conjunto “dificilmente notariam” o efeito, uma vez que o LDR anteriormente disparou para 105% no final de 2019, antes da pandemia de COVID-19.
Muitos bancos em todo o mundo expressaram preocupação com o fato de os bancos centrais obterem mais poder sobre a oferta de moeda ao adotar um CBDC. Na semana passada, um documento de discussão do Banco da Inglaterra modelou um cenário em que um quinto de todos os depósitos de varejo no Reino Unido eram mantidos em novas formas de moeda digital ou CBDC. “Como resultado dessa saída potencial, os bancos comerciais teriam que adaptar seus balanços em resposta para manter seus atuais índices de liquidez”, escreveu o banco.
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