A pandemia de coronavírus impactou positivamente o setor financeiro digital no Brasil, com fintechs como Nubank, Inter e Next tiveram grande fortalecimento e levou instituições tradicionais a fortalecerem seus produtos digitais para atender à demanda de clientes em quarentena.
O jornal mineiro Diário do Comércio trata nesta quinta-feira da revolução dos bancos digitais no Brasil, que impõem às instituições financeiras tradicionais a aceleração da digitalização.
Outros fatores também impõem aos bancos tradicionais a digitalização de seus produtos, como a implantação dos pagamentos instantâneos do sistema PIX e do Open Banking, que deve começar ainda neste ano pelo Banco Central.
Sem agências físicas e com burocracia simplificada, além de taxas mais baixas, os bancos receberam enorme adoção neste ano, em especial depois da imposição da quarentena devido à pandemia.
A diretora financeira e de relações com investidores do Banco Inter, Helena Lopes Caldeira, diz no texto que a pandemia "confirmou" a estratégia adotada pelos bancos digitais:
“No Inter, a pandemia nos ajudou a corroborar que nossa estratégia estava certa. Hoje não é preciso contato físico para realizar negociações financeiras e receber suporte. Hoje, por causa da doença, o ideal é que não seja físico. Então, a forma de conexão tem que ser diferente. Foi muito importante ser um player em que o cliente não teve que mudar a forma como se relaciona com o banco. Começamos a nos estruturar melhor para fazer essas conexões via videoconferência, por exemplo, com muito mais facilidade, porque as pessoas estão se familiarizando”
Com 14 mil contas abertas por dia útil no primeiro trimestes no Banco Inter, Helena Caldeira também diz que a pandemia abriu oportunidade para o lançamento de produtos não-financeiros:
"Nos questionamos se somos o Banco Inter que funciona através de uma plataforma, ou uma plataforma que também tem um banco. Um produto que ganhou espaço foi o nosso marketplace. Podemos gerar uma conveniência grande para o cliente, com a possibilidade de dar um cashback, por exemplo. Claro que essas novidades não são intuitivas. É inteligência aplicada sobre os dados. Queremos ser parceiros do cliente, não queremos ofertar produtos que não façam sentido pra ele”
Ela completa dizendo que não houve mudança no perfil dos clientes, mas que a demanda fez com que o banco digital ampliasse sua atuação de mercado.
O diretor de Inovação e novos negócios da empresa de tecnologia financeira Matera, Alexandre Pinto, diz na matéria que a tendência da digitalização já existia. Segundo ele, com o PIX, novos modelos de negócios devem surgir e impactar a receita dos bancos:
“O mercado financeiro ia em um ritmo mais lento porque estamos falando de dinheiro e confiança. Pode haver um impacto sobre os bancos em termos de receita, já que farão menos TEDs e boletos. Eles têm ao seu favor a capilaridade e a cultura, mas o brasileiro gosta de tecnologia e acredito em uma rápida aderência à ferramenta. O PIX será uma espécie de ‘internet das contas’ possibilitando o surgimento de novos modelos de negócios, como o de pequenos pagamentos. O Brasil está preparado e sai na frente de grandes mercados como os Estados Unidos, por exemplo, que só vai fazer algo semelhante a partir de 2023."
Os números não escondem o crescimento dos bancos digitais. O Banco Next, por exemplo, teve crescimento de 46% em transações, com a plataforma de investimentos Ágora cresceu 76%.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária mostra que as transações bancárias digitais - internet e mobile banking - foram responsáveis por 74% das transações do país em abril, um mês depois da eclosão da pandemia. Somente no Banco do Brasil, as transações digitais cresceram 76%.
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