Resumo da notícia
Detran-PR testa identidades digitais tokenizadas para veículos com blockchain, combatendo fraudes e criando histórico completo.
Piloto inclui mil veículos e rastreia até 40 componentes, com apoio de Vetrii, Tecpar, BV e Finep.
Projeto posiciona o Paraná como pioneiro em modernização pública e inovação automotiva no Brasil.
O Presidente do Detran-PR, Santin Roveda, destacou em uma publicação nas redes sociais que o estado vem avançando nos testes para o uso de blockchain na tokenização veicular, criando uma espécie de “RG Digital tokenizado” do veículo, chamado de Passaporte Veicular Digital.
O projeto, que vem sendo conduzido pelo regulador em parceria com a Vetrii, Instituto de Tecnologia do Paraná - Tecpar, e banco BV, cria um registro digital único para cada veículo, reunindo informações importantes sobre o histórico do veículo, inclusive protegendo contra fraudes comuns no mercado automotivo, como a modificação do hodômetro para reduzir a quilometragem do carro.
Inicialmente, segundo a Vetrii, o projeto vai abranger as informações de veículos novos no pós-venda, ou seja, logo após eles saírem da concessionária para o primeiro comprador e, após isso, registrando todos os ‘passos’ do veículo, como possíveis colisões, revisões, manutenções preventivas, entre outras.
“Sabe aquela insegurança na hora de trocar de carro, sem saber se ele já bateu, se mexeram no odômetro ou qual é o histórico real do veículo? Isso acabou. Com tokenização e segurança em blockchain, você acompanha toda a história do carro direto na palma da mão. A tokenização transforma um veículo físico em um ativo digital, garantindo informações completas, verificáveis e à prova de fraude, trazendo muito mais qualidade e confiança para você. Já temos mil veículos em fase de testes, e muito em breve essa solução estará disponível para todos”, disse Roveda.
Iniciativa teve apoio de fundo de inovação
O projeto foi desenvolvido com apoio do Parque Tecnológico da Indústria, que recebe financiamento da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O espaço oferece suporte técnico e promove conexões entre startups e grandes empresas.
A ideia surgiu como resposta a demandas ambientais e regulatórias. Na Europa, por exemplo, a adoção de passaportes digitais para baterias será obrigatória até 2027. No Brasil, há projetos em tramitação que tratam da rastreabilidade desses equipamentos.
Em um encontro recente sobre o tema o diretor de Tecnologia do Detran-PR, Ismael de Oliveira, o projeto representa uma virada estrutural para o órgão.
“O Paraná se posiciona como pioneiro ao adotar iniciativas que modernizam e desburocratizam os serviços públicos, possibilitando transferências mais rápidas, redução de fraudes e históricos confiáveis para toda a frota”, afirmou.
Ele explicou que cada automóvel selecionado no piloto receberá um token exclusivo, capaz de rastrear entre 15 e 40 componentes, dependendo do modelo. “Isso traz segurança, evita clonagens e falsificações e inaugura uma nova era para o setor”, completou.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, reforçou que a inovação exige coragem e experimentação. Para ele, a prova de conceito em andamento será decisiva para estruturar o futuro modelo do Detran.
“Todo processo de inovação traz desafios. A POC existe para entendermos, na prática, como será o cadastro dos veículos no Detran. Estamos confiantes de que essa nova estrutura representará uma quebra de paradigma”, declarou.
De acordo com Carlos Sakuramoto, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, a rastreabilidade total proporcionada pela blockchain permite controlar os mais de 5 mil componentes de um veículo, garantindo reuso seguro e ampliando políticas de ESG no setor.
“A tokenização tem o poder de transformar toda a cadeia, permitindo que o ciclo econômico se feche do berço ao reuso”, disse.

