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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Novos fluxos de capital podem impulsionar 6 criptomoedas em fevereiro, aponta análise

Coinext enxerga oportunidades com Clarity Act e destaca altcoins proeminentes em início de ano.

Novos fluxos de capital podem impulsionar 6 criptomoedas em fevereiro, aponta análise
Mercado

Resumo da notícia:

  • Regulamentação nos EUA pode favorecer criptomoedas.

  • Altcoins se beneficiam com parcerias estratégicas ou avanços técnicos.

  • Bitcoin, Ethereum, XRP, Chiliz, Hyperliquid e BNB estão no radar da Coinext para fevereiro.

A Coinext divulgou esta semana um relatório destacando seis criptomoedas com potencial de valorização em fevereiro: Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), XRP, Chiliz (CHZ), Hyperliquid (HYPE) e BNB.

A sondagem da equipe de pesquisa da exchange brasileira de criptomoedas, assinado pelo analista-chefe, Taiamã Demaman, adotou dois eixos principais na escolha dos ativos. O primeiro envolve o debate em torno da Clarity Act, proposta legislativa que visa estabelecer diretrizes mais claras para a classificação e regulação de criptoativos nos Estados Unidos. A lei busca delimitar, com precisão, quais ativos devem ser tratados como valores mobiliários (securities) ou commodities, oferecendo maior segurança jurídica a emissores, investidores e instituições.

Para a Coinext, a clareza regulatória é especialmente relevante em um cenário de embates entre a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e projetos cripto de grande porte, e tende a destravar fluxos institucionais represados, além de reduzir riscos legais sobre diversas plataformas. O que levou a equipe de pesquisa a priorizar que podem se beneficiar diretamente da aprovação.

O segundo critério foca em ativos alternativos que vêm se destacando neste início de ano por meio de atualizações relevantes, parcerias estratégicas ou avanços técnicos. São escolhas que se sustentam por fundamentos sólidos e que podem ser atrativas mesmo em um cenário de mercado lateralizado, segundo a exchange. Confira a análise da Coinext:

Bitcoin

O Bitcoin segue como um dos pilares da carteira Coinext para fevereiro, sustentado por três vetores centrais: avanço regulatório, cenário macroeconômico e estrutura técnica. No campo regulatório, o BTC tende a ser um dos principais beneficiados pela possível aprovação da Clarity Act, que propõe regras claras para a classificação de criptoativos nos EUA.

Como já é reconhecido como commodity pela CFTC (Commodity Futures Trading Commission, órgão regulador do mercado de derivativos e commodities nos Estados Unidos), a formalização legislativa desse status reforçaria seu papel como reserva digital de valor e ampliaria sua atratividade institucional.

No plano macro, os Reserve Management Purchases (RMPs) do Federal Reserve (Fed) sinalizam um alívio de curto prazo, com injeção estimada de até US$ 220 bilhões em liquidez até abril. Ainda assim, o banco central projeta apenas mais um corte de juros em 2026, com a taxa encerrando o ano em 3,4%. O Fed avalia que os juros já alcançaram a “faixa de neutralidade”, o que limita a margem para estímulos adicionais, a menos que o mercado de trabalho se deteriore.

Esse cenário, de liquidez temporária e incerteza estrutural, torna o BTC uma escolha estratégica. Sua posição consolidada no mercado e a menor exposição a riscos regulatórios o colocam como ativo defensivo diante de possíveis choques. No aspecto técnico, o Bitcoin precisa romper com consistência os US$ 91,7 mil no gráfico semanal para manter o viés de alta. Acima desse patamar, os alvos passam a ser US$ 95 mil, US$ 97,7 mil, US$ 102 mil e, posteriormente, US$ 115 mil. Já a perda da região dos US$91 mil pode reativar a pressão vendedora, com suporte em US$ 85 mil e US$ 74 mil.

A dominância do BTC, atualmente abaixo de 56,6%, também é crucial: um avanço acima desse nível reforçaria a retomada estrutural do ativo, frente às altcoins. Nesse contexto, o Bitcoin permanece como a base tática da carteira Coinext, resultado de uma combinação de robustez regulatória e relevância técnica.

Ethereum

O Ethereum permanece como um dos ativos centrais do mercado cripto, sustentado por três pilares principais: relevância estrutural no ecossistema, avanços tecnológicos contínuos e perspectivas regulatórias em evolução. Trata-se do principal protocolo de contratos inteligentes em operação, com protagonismo em áreas como finanças descentralizadas (DeFi), tokenização e infraestrutura de dados.

Sua ampla adoção institucional e papel fundamental em diversas verticais tecnológicas fazem do ETH um ativo estratégico, inclusive em cenários de baixa volatilidade ou correção. Historicamente, o Ethereum tende a se recuperar mais rapidamente do que outras altcoins, funcionando como termômetro do apetite institucional por risco.

No campo regulatório, o ETH pode ser um dos maiores beneficiários da eventual aprovação da Clarity Act. A medida tende a reforçar o entendimento de que a estrutura descentralizada do Ethereum e seu modelo de consenso não caracterizam um valor mobiliário, o que abriria caminho para sua inclusão em ETFs e outros produtos financeiros regulados, além de reduzir riscos jurídicos de longo prazo.

A rede, atualmente em processo de reorganização institucional liderado pela Ethereum Foundation, tem priorizado melhorias na camada base (Layer 1) e avançado em sua visão pró-privacidade. Um dos destaques recentes é o foco na segurança pós-quântica: a fundação criou uma equipe dedicada, lançou redes de teste e destinou US$ 2 milhões em prêmios para estimular pesquisas que aumentem a resiliência criptográfica do protocolo.

Do ponto de vista técnico, o ETH segue pressionado abaixo dos US$ 3,1 mil, consolidando-se em uma zona de indefinição. A superação desse patamar pode destravar alvos em US$ 3,3 mil e US$ 3,5 mil, com potencial de extensão até US$ 4,1 mil. Por outro lado, uma perda de momentum pode levar o ativo a testar suportes em US$ 2,7 mil.

O Ethereum foi escolhido para fevereiro por combinar protagonismo tecnológico com a possibilidade de avanços regulatórios significativos nos EUA. Sua base sólida e potencial de valorização o tornam uma escolha estratégica diante de um cenário ainda incerto.

Ripple (XRP)

A Ripple representa um dos casos mais emblemáticos do setor cripto no debate regulatório. Após anos de litígio com a SEC sobre a classificação do token XRP, a possível aprovação da Clarity Act surge como um divisor de águas. A legislação busca estabelecer critérios objetivos para a definição legal de criptoativos nos Estados Unidos e pode oferecer segurança jurídica definitiva ao projeto. Com regras claras, o XRP teria melhores condições para se consolidar como um ativo de primeira linha no mercado regulado, encerrando o vácuo normativo que ainda limita seu uso como infraestrutura financeira institucional.

No campo tecnológico, o XRP Ledger avança para uma nova fase de desenvolvimento com foco em aplicações financeiras automatizadas. A Ripple começou a integrar inteligência artificial em seus fluxos transacionais, otimizando rotas e decisões em tempo real. Essa combinação entre IA e liquidação descentralizada aumenta a eficiência do sistema e reforça sua atratividade para instituições financeiras globais.

Do ponto de vista institucional, a Ripple firmou uma parceria estratégica com a DXC Technology, uma gigante do setor bancário, para integrar sua tecnologia à plataforma Hogan. Essa infraestrutura movimenta mais de US$ 5 trilhões em depósitos e atende cerca de 300 milhões de contas no mundo todo. A iniciativa permitirá que bancos ofereçam serviços de custódia e pagamentos com ativos digitais sem a necessidade de modificar suas arquiteturas centrais, acelerando a adoção de soluções blockchain em larga escala.

Tecnicamente, o XRP é negociado em torno de US$1,90, dentro de uma zona de neutralidade entre médias móveis relevantes. Segundo o portal Blockchain News, o ativo apresenta um cenário construtivo, com potencial de consolidação entre US$ 2,20 e US$ 2,40 no curto e médio prazo, desde que mantenha fechamentos acima de suportes técnicos intermediários. O XRP foi incluído na carteira de fevereiro por combinar avanço institucional, inovação tecnológica e perspectiva regulatória favorável.

Chiliz

A Chiliz (CHZ) é uma plataforma blockchain voltada ao setor esportivo e de entretenimento, desenvolvida para fortalecer o vínculo entre clubes e torcedores por meio de fan tokens. Esses ativos permitem que os fãs participem de decisões simbólicas dos times, tenham acesso a recompensas exclusivas e interajam em plataformas como a Socios.com. Além do engajamento, a rede também oferece uma infraestrutura eficiente para transações digitais dentro desse ecossistema.

Com a aproximação da Copa do Mundo FIFA de 2026, a Chiliz voltou a ganhar relevância no mercado, impulsionada pela expansão dos fan tokens por meio das plataformas Socios e Locker Room. Desde meados de dezembro de 2025, o ativo apresenta valorização consistente, com capitalização de mercado acima de US$ 565 milhões e forte volume de negociação. O lançamento de tokens de seleções nacionais como Argentina, Portugal e Itália elevou a demanda por CHZ, impulsionada pelo crescente interesse dos torcedores por experiências digitais exclusivas.

No campo da inovação, a Chiliz também tem se destacado pela integração de Real World Assets (RWAs) ao financiamento esportivo. Por meio do protocolo Decentral, clubes agora podem tokenizar receitas futuras, como direitos de mídia e transmissão, e utilizá-las como colateral para captar stablecoins em ambiente on-chain. Essa solução representa um avanço relevante no chamado SportFi, ao aplicar a infraestrutura blockchain para resolver desafios financeiros reais enfrentados por organizações esportivas.

Segundo o portal Changelly, após a análise dos preços históricos da Chiliz, projeta-se que, em 2026, o token CHZ tenha um valor mínimo de US$0,0436, podendo atingir até US$ 0,0543, com média anual de US$ 0,0448. Por esses fatores: inovação, tração institucional e sensibilidade a grandes eventos esportivos, a Chiliz foi incluída na carteira Coinext de fevereiro como uma aposta temática estratégica.

Hyperliquid

A Hyperliquid é uma exchange descentralizada de alta performance voltada para negociação de derivativos, construída sobre sua própria blockchain Layer 1 personalizada. Em 2025, a plataforma consolidou-se como a principal infraestrutura para derivativos on-chain, com mais de US$3 trilhões em volume negociado, 25% de participação de mercado e receita de US$911 milhões, segundo o DeFiLlama. Parte desse sucesso é atribuída ao modelo de livro de ordens centralizado, ou CLOB, às otimizações técnicas, como o HIP-3, que melhora a velocidade e a eficiência da execução das ordens, e às margens competitivas, que permitiram o retorno de US$420 milhões aos holders do token HYPE.

Esse desempenho está diretamente ligado a uma mudança estrutural no DeFi, marcada pela consolidação de infraestruturas robustas, amadurecimento de produtos e crescente entrada de capital institucional. A descentralização passou a representar uma vantagem operacional concreta, e a Hyperliquid emergiu como uma das maiores beneficiárias desse novo ciclo, especialmente no segmento de derivativos perpétuos.

Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, grandes carteiras acumularam HYPE de forma planejada, com foco em staking e minimização do impacto no preço. Uma dessas baleias realizou lucro de US$7 milhões em janeiro, após meses de rendimento com 2,3% APY. No mesmo período, a TVL da Hyperliquid atingiu pico de US$ 6 bilhões antes de se estabilizar na faixa de US$ 4–5 bilhões, sustentada por taxas consistentes e uso ativo do protocolo.

Para fevereiro, o portal CoinDCX projeta leve aumento na volatilidade, com o preço do HYPE reagindo a lucros realizados e novas acumulações. Caso o sentimento de mercado se mantenha positivo, o ativo pode subir entre 8% e 10%, com potencial de alcançar US$ 33,50 até o fim do mês. Por esses fatores, a Hyperliquid integra a carteira Coinext como uma aposta em infraestrutura DeFi com alta tração institucional e sólido desempenho técnico.

BNB

O BNB atravessa um momento institucional relevante, impulsionado pelo avanço de produtos financeiros regulados e por melhorias em sua infraestrutura. Nos Estados Unidos, a Grayscale protocolou junto à SEC o pedido para lançar o Grayscale BNB Trust, um ETF à vista que acompanha o desempenho do token sob o ticker GBNB. O produto permitiria exposição ao BNB sem necessidade de custódia direta, mas ainda depende do registro na Nasdaq e da aprovação regulatória.

A proposta segue iniciativa semelhante da VanEck e também exclui o staking, refletindo as incertezas jurídicas que ainda envolvem a prática nos EUA. Se aprovado, o ETF pode ampliar significativamente o acesso institucional ao ativo, hoje mais concentrado em ETPs fora do mercado americano. Na Europa, esse movimento já avançou. A gestora sueca Virtune lançou o Virtune BNB ETP na Nasdaq Estocolmo, com exposição 1:1 ao BNB, taxa de administração de 1,95% e custódia da Coinbase. Totalmente lastreado no token, o produto amplia o portfólio de ETPs cripto da gestora e consolida a adoção institucional do BNB no continente.

Do ponto de vista técnico, a rede iniciou 2026 com o hard fork Fermi na BNB Smart Chain. A atualização reduziu o tempo de bloco de 0,75 para 0,45 segundo, aumentando a velocidade e a confiabilidade da rede.

A combinação de dois sistemas – um voltado à estabilidade, outro ao desempenho – aumentou a eficiência do ecossistema. Também foram implementadas as Super Instructions, melhorias no código da máquina virtual que tornam a execução de transações e contratos inteligentes mais rápida e econômica. A BNB Chain se fortalece assim como infraestrutura escalável para DeFi, negociação em tempo real, jogos on-chain e tokenização de ativos.

Segundo o portal MEXC, o BNB exibe estrutura técnica construtiva, operando acima das médias móveis e com RSI em zona neutra. A região entre US$ 955 e US$ 980 representa resistência importante, enquanto o suporte em US$ 906 é decisivo para manter o viés altista. Por esses fatores, o BNB foi selecionado para integrar a carteira Coinext em fevereiro de 2026.

Enquanto isso, as criptomoedas tentam reação enquanto Bitcoin espreita Fed e shutdown, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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