No radar de colecionadores únicos ou daqueles que mantém uma obra pelo valor artístico da peça e não pela possibilidade de lucro na revenda, parte do mercado de tokens não fungíveis (NFTs) pode se considerar imune à baixa que atinge os demais setores de criptomoedas, uma vez que, para os apreciadores da arte, o valor é afetivo, estético, e não mercadológico.
Por outro lado, esta fatia de detentores de NFTs não parece ser a maioria, já que o crescimento do volume de transações neste mercado revela que a arte também pode andar de mãos dadas com os lucros, ou com as perdas. Tanto que as coleções consideradas mais valiosas de NFTs não conseguiram se dissociar da baixa do mercado de criptomoedas e acumularam perda semanal em torno de 40% segundo o monitoramento da plataforma DappRadar na tarde desta quarta-feira (15).
Apesar da baixa, no “ônibus dos apaixonados por NFTs no mundo”, seja pelo lucro, seja pela arte, os brasileiros sentam à janela. Foi o que revelou o levantamento global intiltulado Statista Digital Economy Compass 2022, pesquisa que apontou que 5 milhões de brasileiros possuem ao menos um NFT, número que representa 2,33% da população do país, que ficou em segundo lugar no ranking global de adoção de NFTs, à frente dos Estados Unidos e da China, atrás apenas da Tailândia.
Entre os brasileiros apaixonados por NFTs está o craque da Seleção Brasileira e do Paris Saint-Germain Neymar Jr., que em abril deste ano estava no top 10 das celebridades globais detentoras de valiosas coleções de NFTs. Na ocasião, o jogador adquiriu o exemplar #10953 da coleção Mutant Ape Yacht Club (MAYC) pela bagatela de 55 ETH, cerca de US$ 160 mil pela cotação do Ether no momento da compra.
O jogador “entrou no campo dos NFTs” em janeiro deste ano ao comprar dois NFTs da badalada coleção Bored Ape Yacht Club (BAYC), que na ocasião disputava a liderança de mercado com a coleção CryptoPunks, o “sonho de consumo” de João Doria Neto até o final de abril deste ano, quando o filho do ex-governador de São Paulo desembolsou 70,7 ETH, quase US$ 200 mil, aproximadamente R$ 1 milhão pela cotação do Ether na ocasião, pelo exemplar #7964 dos CryptoPunks.
Paixão à parte, as duas coleções registraram perdas significativas nos últimos sete dias. De acordo com o DappRadar, o preço-base do Bored Ape Yacht Club era de US$ 96,79 mil e registrava perda de 39,49%. Em relação à capitalização total de mercado, a coleção registrava perda de 42,99% e era avaliada em US$ 967,98 milhões, embora apresentasse um aumento de 32,53% no volume de negociações, aproximadamente US$ 13 milhões.
Os CryptoPunks registravam queda semanal de 31,76% em relação ao preço-base, US$ 56,62 mil segundo o mapeamento. Em relação à capitalização de mercado, a coleção registrava encolhimento de 32,43% e era avaliada em US$ 566,29 milhões. Por outro lado, no acumulado semanal o volume de negociações foi de US$ 8,07 milhões, o que representava uma alta de 252,58% segundo o DappRadar.
Em Portugal, a criação de NFTs é o foco de um curso de blockchain direcionado a crianças e adultos entre 11 e 17 anos promovido pela escola de programação Sharkcoders. Mas, para artistas e produtores de conteúdo, a criação de NFTs nas plataformas de marketplace é um processo relativamente simples e uma oportunidade de mercado, conforme demonstrou o tutorial do Cointelegraph Brasil.
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