Embora o boom das criptomoedas, atingido em novembro de 2021, quando o Bitcoin (BTC) chegou aos US$ 69 mil, tenha sido acompanhado pelo lançamento de diversos produtos no ecossistema cripto, o mesmo não ocorreu em relação aos fundos de índice negociados em bolsa, os ETFs, na sigla em inglês, listados na Bolsa de Valores do Brasil, a B3. Isso porque, dos 13 ETFs com exposição às criptomoedas negociados na bolsa brasileira, oito deles foram lançados em 2022.
A exemplo da derrocada do mercado de ações, que arrastou as criptomoedas e favoreceu os investimentos de renda fixa, os ETFs amargaram perdas que chegam a -78%. Apesar disso, o mercado testemunhou a entrada de novos players, a diversificação de produtos e, inclusive, o crescimento da capitação líquida de diversos ETFs, o que parece ter despertado o otimismo de diversos gestores, segundo uma publicação do Valor Investe desta sexta-feira (20).
O WEB311, focado em contratos inteligentes e na Web3, lançado em março do ano passado pela gestora brasileira Hashdex, acumulava retração de -78%, já o QBTC 11, primeiro ETF 100% lastreado ao Bitcoin da América Latina, lançado em junho de 2021 pela gestora brasileira QR Asset Management, registrou queda de -57,99%, enquanto o primeiro ETF de finanças descentralizadas (DeFi) do mundo, o DEF11, lançado em janeiro do ano passado pela Hashdex, acumulou baixa de -62,7%.
De maneira geral, as quedas foram menores para os ETFs mais recentes, como o META11, que busca espelhar a performance do setor de cultura digital em blockchain, lançado em maio do ano passado pela Hashdex e que acumulou retração de -30,06%, e o novato BIT11, lançado em novembro do ano passado pela Itaú Asset junto com a Galaxy Digital, um ETF também exposto ao Bitcoin, cuja queda, nesse caso, foi de -0,19%.
Segundo Erch Marinelli, analista de criptoativos da Genial Investimentos, plataforma online de aplicações financeiras, o preço do Bitcoin em 2021 ocorreu na seara de injeção de liquidez iniciada um ano antes pelos bancos centrais em razão da pandemia, mas “a conta chegou” através do aumento da inflação do remédio amargo da elevação da taxa de juros. Avaliação semelhante feita pelo diretor de investimentos da QR Asset, Alexandre Ludolf, que observou que as quedas não pouparam empresas “queridinhas” dos investidores, como os papéis das gigantes tecnológicas Tesla e Netflix, dentre outras.
Apesar do desempenho negativo, os ETFs parecem manter o entusiasmo das gestoras. É o que se pode concluir pela avaliação de alguns executivos, como Samir Kerbage, diretor de tecnologia da Hashdex. Ele observou que a empresa registrou uma capitação líquida de RS$ 783,4 milhões e um salto de 149,5 mil para 183,9 mil cotistas entre os meses de dezembro de 2021 e 2022.
Em um contexto mais amplo, outros números parecem corroborar para o entusiasmo dos gestores, já que, entre os 10 ETFs com mais cotistas na B3, quatro são de cripto, o que foi impulsionado por uma alta de 121% ao longo de um ano, segundo um levantamento da plataforma TC Economatica, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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