Bitcoin acima de US$ 10 mil mas usuários brasileiros vendem BTC bloqueado na NegocieCoins por até US$ 150

O Bitcoin pode ter rompido uma importante marca psicológica quando superou os US$ 10 mil, no entanto, o aumento no preço do criptoativo embora tenha sido encarado positivamente por holders e investidores aumentou o desespero de usuários das plataformas do Grupo Bitcoin Banco que ainda tem suas criptomoedas bloqueadas nas empresas do grupo.

Um levantamento feito pelo Cointelegraph identificou cerca de oito grupos espalhados em redes sociais que negociam os "Bitcraudios" como foram apelidados os Bitcoins que estão presos nas exchanges do GBB dentro de um sistema chamado Fortknoks. Nestes grupos, investidores chegam a vender 1 Bitcoin por menos de US$ 150 ou R$ 500.

No entanto, comprar um BTC no "Fortlknoks" não significa ter um Bitcoin "real", afinal, não há transação no blockchain e o comprador fica apenas com a esperança de receber seu criptoativo quando os saques acontecerem.

Na outra ponta, o GBB tem proposto alternativas para os clientes visando resolver os problemas dos saques atrasados e chegou a propor condições de pagamento que podem chegar até a 180 dias no caso de usuários com mais de 14 BTC e, para aqueles que não concordarem com o prazo, o Grupo destaca que estes "estão sujeitos a uma fila aleatória de saque", cujos critérios não foram divulgados.

Pouco tempo antes dos problemas que supostamente afetaram as plataformas do Grupo o GBB se orgulhava de ter superado a Binance e se tornado a maior exchange de criptomoedas do mundo, negociando mais de 100 mil Bitcoins em 24h, mesmo que segundo dados do WalletExplorer, os Bitcoins contidos em wallets do GBB não seriam os mesmos que os reportados.

Recentemente a exchange sofreu um novo bloqueio judicial de R$ 6.475.931,03, determinado pela Justiça do Espirito Santo. Embora tenha vencido outros processos e derrubados decisões judiciais anteriores, atualmente, são mais de R$ 13 milhões de reis bloqueados pela lei. Entretanto, em um dos bloqueios, a justiça encontrou apenas R$ 130 mil reais nas contas determinadas.

Como reportou o Cointelegraph o GBB vem respondendo a ações judiciais em 10 estados brasileiros, conquistando decisões favoráveis em alguns processos e amargando derrotas iniciais em outros. No entanto, nenhum processo em andamento esta além da segunda instância ou tem decisão final, cabendo recurso em todas as demandas.

Em sua defesa a empresa alega que, o problema ocorre por conta de atividades maliciosas que ocorream na plataformas do Grupo. Valendo-se de uma brecha na plataforma das exchanges, um suposto grupo de clientes duplicou os saldos de suas contas e efetuou saques indevidos, de dinheiro que não existia, num golpe que pode alcançar os R$ 50 milhões.

Até o momento, segundo o GBB, mais de 3 milhões de registros sobre operações de compra e venda de criptomoedas foram analisados. Cerca de 19.896 transações suspeitas de fraude foram indificadas. Como consequência da investigação, às 16h de segunda-feira (3) foram bloqueadas 2.568 contas suspeitas e os CPFs correspondentes a essas contas foram informados à Delegacia em que corre o inquérito, assim como todas as demais informações apuradas.

O GBB salienta que não nega atendimento aos usuários e que sempre tem buscado uma solução mesmo com os problemas que aferam a empresa.

"Nunca negou atendimento a seus usuários, priorizando sempre o bom relacionamento. Mesmo diante dos ataques lançados contra a plataforma, a equipe primou pela excelência no atendimento e pela resolução de conflitos. A direção do GBB também tem estado sempre à disposição para atender seus clientes e promover solução a todas as situações levantadas por aqueles que nele confiam seus investimentos. Além disso, o GBB já está atuando fortemente para solucionar a questão levada a juízo, e não medirá esforços para corrigir qualquer equívoco que eventualmente tenha sido vivido pelo cliente"

No dia 17 de junho o GBB anunciou um chat de atendimento 24h e suporte de TI “como parte das providências do GBB contra a crise deflagrada pela fraude de duplicação de saldos denunciada em maio. 

De acordo com o grupo, o serviço é inédito no segmento de criptoativos brasileiro, e deve aumentar em 25% o número de contatos feitos pelas empresas do grupo com seus clientes. Aparentemente, as equipes de atendimento e de TI foram ampliadas, estão sendo treinadas e vão trabalhar em esquema de rodízio a partir de segunda-feira.

“O novo serviço deve ajudar a dar vazão à demanda diária de atendimentos, que cresceu muito nas últimas semanas, sobrecarregando os canais de contato do GBB com seus clientes.”, informou o grupo.