O Brasil criou um sistema em blockchain inédito que pode beneficiar pesquisas e pesquisadores de todo o mundo, isso porque o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) concluiu a primeira fase do projeto dARK no portal Oasisbr, uma ferramenta que democratiza o acesso à produção científica brasileira.
O dARK ID, agora integrado ao Oasisbr, é um identificador persistente e descentralizado que utiliza tecnologia blockchain. Esse sistema permite que instituições de ensino e pesquisa atribuam identificadores de forma autônoma e gratuita, sem depender de modelos centralizados e caros, como o DOI
Com base em uma rede colaborativa chamada Rede dARK, os dados são armazenados e gerenciados por diversas instituições participantes, garantindo maior equidade e sustentabilidade. Segundo Washington Segundo, coordenador-geral do Ibict, a proposta é transformar a forma como a ciência aberta é identificada, acessada e avaliada.
“Esse marco fortalece o acesso aberto à produção científica, promovendo a inclusão de instituições de toda a América Latina”, afirmou Washington.
Impacto para a ciência e a colaboração acadêmica
Bianca Amaro, coordenadora do projeto CEOS IS e tecnologista do Ibict, destaca que o dARK representa um passo importante para fortalecer a produção científica na América Latina.
“Com essa infraestrutura, outras instituições da região podem adotar o modelo e avançar na interoperabilidade de seus sistemas”, explicou.
O dARK foi projetado como uma solução de baixo custo para superar barreiras enfrentadas por instituições em países em desenvolvimento. Além disso, sua implementação em parceria com a LA Referencia, organização que promove a ciência aberta na América Latina, facilita a expansão para outros países.
Com financiamento internacional da Global Sustainability Coalition for Open Science Services (SCOSS), o projeto também visa integrar o sistema a repositórios acadêmicos de código aberto.
Por que o dARK é importante?
Identificadores persistentes são essenciais para o acesso e a citação de documentos de pesquisa, mas os sistemas tradicionais muitas vezes apresentam custos elevados e centralização.
O dARK resolve esses problemas ao permitir que instituições gerenciem identificadores de forma gratuita e descentralizada, reduzindo custos e garantindo resiliência em casos de instabilidade financeira ou técnica.
Segundo o Ibict, a publicação de todo o código e documentação do dARK em acesso aberto permitirá que outras comunidades acadêmicas adaptem e contribuam para o desenvolvimento do sistema.
"O Brasil dá um passo significativo em direção à criação de um ecossistema de PIDs mais inclusivo e acessível.A contribuição da Rede LA Referencia como parceira abre caminho para que outras instituições latino-americanas adotem a infraestrutura dARK e avancem na interoperabilidade de seus sistemas de identificação”, avalia Bianca Amaro, tecnologista do Ibict e coordenadora do Projeto CEOS IS.