Os cerca de dez mil habitantes da pequena região de Jackson Hole, no estado de Wyoming (EUA), cabem dentro de um grande ginásio. Porém, a “pequena notável” Jackson Hole é o coração do mundo entre os dias 25 e 27 de agosto, porque é lá que acontece a conferência de 2022 que reúne os bancos centrais de 70 países, evento organizado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, há 40 anos.
Como quem senta no sofá para assistir um filme ou uma partida de futebol, o Bitcoin (BTC), assim como o mercado de criptomoedas e o mercado financeiro tradicional, permanece de olho nos possíveis sinais vindos de Jackson Hole, enquanto algumas altcoins parecem ignorar o que acontece no mundo ao imprimirem altas que podem ser consideradas surpreendentes nas últimas horas.
Alguns destes sinais podem ser considerados positivos ou menos negativos. Por exemplo: apesar de a economia dos Estados Unidos mirar para desaceleração, a atualização da previsão de queda no produto interno bruto (PIB) dos EUA diminuiu para -0,6%, retração menor do que a estimada em julho, que era de -0,8%. O que foi atribuído à redução dos pedidos de auxílio desemprego. Por outro lado, um sinal de alerta veio do Brasil, que registrou deflação de 0,73% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de agosto, o que pode ser um indicador de debilidade econômica.
O monitoramento de um possível novo pacote de estímulos econômicos do governo chinês também está no radar dos investidores de criptomoedas, que podem correr “do” ou “para” o ecossistema cripto ao sabor dos acontecimentos de Jackson Hole. Enquanto isso, o Bitcoin permanece sem piscar os olhos para a conferência.
Na manhã desta sexta-feira (26), o BTC era trocado de mãos por US$ 21,2 mil com recuo diário de 2% e 39,7% de dominância de mercado, cujo volume total era de US$ 1,03 trilhão, de acordo com o monitoramento do CoinMarketCap. A retração do BTC se repetia pela maioria das altcoins, entre elas o Binance Coin (BNB), negociado a US$ 292 (-3,71), o SOL, trocado de mãos por US$ 34,11 (-5,56%), o DOGE, transacionado por US$ 0,067 (-4,86%) e o DOT, precificado em US$ 7,33 (-4,43%).
Por outro lado, o mapeamento também exibia vários tokens acumulando ganhos diários significativos, como o TFUEL, negociado por US$ 0,069 (+11,84%), o VGX, trocado de mãos por US$ 0,56 (+106%), o BTRST, cotado em US$ 2,48 (+29%) e o STG, negociado por US$ 0,95 (+12%).
Entre os destaques estava o Sonm (SNM), que se apresenta como um fornecedor de “serviços em nuvem baseados em hardware distribuído ao nível do cliente, incluindo PCs, equipamentos de mineração e servidores.” O criptoativo potencializou a alta registrada no dia anterior e era trocado de mãos por volta de US$ 0,59 ao imprimir uma valorização diária de 185%, de acordo com o que apresentava o gráfico. O percentual é praticamente o mesmo da evolução diária da capitalização de mercado do projeto, que se encontrava na 540ª posição no ranking com US$ 26,2 milhões em capitalização e um volume diário de transações de US$ 31,1 milhões, com alta de 12.839%.
Gráfico semanal do par SNM/USD. Fonte: CoinMarketCap
Pelo que demonstra o mapeamento semanal do SNM, é possível perceber que a ascendência do preço do token começou na última quarta-feira (24), coincidentemente quando a exchange de criptomoedas Binance incluiu o par SNM/BUSD em sua plataforma de negociações a partir desta sexta. De lá pra cá, o ganho acumulado do SNM representava 400%, pelo que demonstrava o gráfico.
Na ocasião, a Binance, entre outros pares, anunciou ainda o trading LOOM/BUSD, que também se refletiu na alta do LOOM, token que integrou um grupo de altcoins que dispararam até 92%, enquanto um canal de monitoramento on-chain alertava as sardinhas contra as baleias da Binance em relação à recuperação do Bitcoin, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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