Coronel é acusado pela PF de ajudar Indeal e receber pagamento pelos 'serviços' com investimento em Bitcoin na pirâmide

Polícias Cívis e um Coronel da Brigada Militar, estão sendo investigados pela Polícia Federal por cometerem crimes ligados a Operação Egypto, da PF, que desmantelou a suposta pirâmide financeira baseada em Bitcoin e criptomoedas, Indeal.

Segundo informações do portal GauchaZH, os sócios da Indeal estavam sendo extorquidos por políciais civis o que, supostamente, levou a advogada deles a procurar o Coronel para identificar se havia risco de prisão ou se havia investigação em curso. O Coronel, a pedido de uma advogada, teria feito pesquisa a dados sigilosos, dentro de um sistema chamado Sistema de Consultas Integradas.

Após a pesquisa, advogada e Coronel teriam trocado mensagens pelo WhatsApp, segundo a Polícia Federal, para tratar do assunto e, depois da conversa a advogada enviou mensagem a um dos sócios da Indeal atestando que fora feita pesquisa com o nome deles e que não havia nenhum risco de prisão, sendo assim, não era necessário 'pagar' os policiais que ameaçam cumprir mandados de prisão se não fossem remunerados para isso.

Contudo, o Coronel também não teria sido 'bonzinho' a ponto de passar informações sigilosas, 'de graça'. Em depoimento à PF, a advogada disse que depois de fazer a consulta e dar a informação de que os sócios da Indeal não estavam prestes a ser presos, o oficial da BM demonstrou interesse em saber como funcionava os investimentos na plataforma da empresa.

Ela teria avisado um sócio da Indeal que o oficial tinha interesse em investir em bitcoins. A advogada afirmou à PF que, "na busca de mostrar como a empresa funcionava bem, se adotou a ideia de disponibilizar R$ 10 mil ao coronel Régis junto à plataforma da Indeal para que ele visse como, de fato o dinheiro rendia". Ainda segundo a advogada, o oficial teria dito que devolveria os R$ 10 mil investidos em seu nome.

O Coronel confessou a PF que acessou o sistema Consultas Integradas para buscar alguma informação que pudesse ajudar na identificação dos supostos policiais, "diante de tais circunstâncias e pretendendo dar auxílio aquela solicitação, eminentemente oficial, foi que efetuou tal consulta"

O oficial da BM também confirmou a aplicação de R$ 10 mil na plataforma da Indeal em seu nome e disse que "pensou que seria uma boa opção investir, inicialmente, R$ 10 mil na empresa para ver se a mesma funcionava de forma correta". E confirmou que a advogada ofereceu fazer um aporte ela mesma em nome dele e sustentou não entender que aquele "aporte" seria vantagem indevida, já que teve a intenção de devolver o valor.

Ainda segundo a reportagem, um dos sócios da Indeal questionou o que seria aquele valor de R$ 10 mil, ao que o outro sócio respondeu que seria o pagamento por um "servicinho" do qual o coronel havia feito e que o mesmo havia optado por deixar o dinheiro investido.

Além do oficial da BM e dos policiais civis citados em depoimentos, a advogada também é alvo da investigação da Polícia Federal. Procurada, a PF disse que não fala sobre o caso.

"Vamos falar mais ao final da tarde, por favor...estou em reunião na Secretaria, agora. Mas não tenho nada a esconder. O comandante da BM me chamou hoje para dar explicações e eu confirmei o que ocorreu, é o que eu disse na PF. Agora vou me defender no inquérito aberto pela BM, não pretendo mais me pronunciar para a mídia a respeito disso" disse o Coronel que declarou também a PF que "fez um favor a uma advogada que conhece há mais de 15 anos".

Como noticiou o Cointelegraph, recentemente o Ministério Público Federal (MPF) entendeu que 17 pessoas participaram da Indeal, segundo eles, um esquema criminoso, no entanto, o juiz da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, Guilherme Beltrami, não aceitou a acusação contra dois dos denunciados. Ainda no processo o Juiz revela que a Indeal movimentou mais de R$ 1 bilhão de seus investidores. 

"A investigação apurou que no período de cerca de 12 meses a InDEAL recebeu dos investidores valores superiores a R$750.000.000,00 de reais, de onde, mesmo tendo em linha de conta o giro do negócio com eventuais resgates, R$ 140.000.000,00 em criptomoedas e R$ 20.000.000,00 em contas-correntes soma cerca de R$ 160.000.000,00, o que indica, de pronto, uma diferença da ordem de R$ 600.000.000,00 (seiscentos milhões de reais). E os valores movimentados seriam, no todo, superiores mesmo a R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais)" diz o documento.