CoinShares, a maior e mais antiga empresa de investimento em ativos digitais da Europa, confirmou em e-mail enviado ao Cointelegraph Brasil que tinha posições na FTX e que assim que os problemas na exchange foram revelados tentou sacar os ativos mas até o momento não obteve sucesso.

Segundo a empresa 190 Bitcoins (BTC) e 1.000 Ethereum (ETH) estão 'travados' na FTX. Além disso a empresa revelou que também tem um saldo na FTX de aproximadamente US$ 25,9 milhões em USD e USDC e aproximadamente US$ 110 mil de outros ativos.

 “À luz do alto nível de escrutínio público sobre a posição financeira da FTX e no espírito de transparência, decidimos divulgar nossa exposição atual à FTX. Graças à nossa abordagem prudente ao risco, reduzimos substancialmente nossa exposição a FTX em resposta ao aumento da volatilidade e incerteza, antes da decisão da FTX de congelar mais saques", disse o CEO da CoinShares, Jean Marie Mognetti.

No entanto ele afirmou que apesar de perder milhões na FTX a saúde financeira do Grupo continua forte, "Conforme anunciado recentemente nos resultados de ganhos recentes do Grupo, o valor patrimonial líquido da CoinShares em 30 de setembro de 2022 era de £ 240,6 milhões”.

Já o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, teria revelado ao CEO da Binance, CZ, que as reservas de Bitcoin do país não estava custodiadas na FTX. Embora questionado pela população e por diversas organizações de fiscalização de gastos públicos Bukele nunca revelou onde estão custodiados os BTCs que fazem parte do tesouro do país.

Menos #tothemoon e mais descentralização

Sobre a possível falência da FTX e os problemas de liquidez da empresa que podem afetar muitas outra companhias no mercado de criptaotivos, Bradley Duke, fundador e co-CEO do ETC Group, afirmou que embora toda a verdade possa não ser divulgada o fato é que as maiores empresas de criptomoedas estão falhando em proteger os ativos dos clientes e fornecer a transparência necessária sobre os depósitos sob custódia.

Já Mikkel Morch, presidente da ARK36, afirmou que o caso é uma grande decepção para todo o mercado. Segundo ele, depois do caso, espera-se que daqui para frente, o setor de criptomoedas seja menos sobre "ganhar dinheiro rápido" e mais sobre "descentralização, transparência e integridade".

“Apesar de toda a conversa sobre o amadurecimento das criptomoedas, parece que agora, mais do que nunca, a indústria deve fazer um exame de consciência. Sim, todos nós queremos criar valor para nossos investidores, mas ainda mais, queremos criar uma base tecnológica para um sistema financeiro mais eficiente e mais equitativo. Mas se você se alavancar até os ouvidos e assumir riscos desnecessários e não divulgados com os fundos de seus clientes, você está fadado a falhar miseravelmente em ambos os casos.”, disse.

Temple Melville, CEO da The Scotcoin Project Community Interest Company (CIC), afirmou que o buraco no balanço da FTX só aumentará à medida que seu token desaparecer e que o mesmo provavelmente se aplicará a todas as suas empresas irmãs, pois compraram muitos tokens FTT para apoiá-lo.

"Os temores de contágio são reais, mas a notícia positiva é que a Coinbase disse que não detém FTT e nenhuma exposição ao FTX.”, disse.

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