Camila Farani, do 'Shark Tank Brasil', ajuda a promover suposta pirâmide financeira de Bitcoin; CVM já comunicou MP

Camila Farani, empresária e investidora anjo brasileira, sendo a maior investidora deste segmento no Brasil e um dos 'tubarões' do Shark Tank Brasil, está ajudandando a promover uma suposta pirâmide financeira baseada em Bitcoin, segundo publicação do GAP Anti Ponzi, feita em 19 de agosto.

De acordo com a postagem compartilhada, Farani particiou, como palestrante, em uma convenção de lançamento da BinaryBit, realizada em 17 de agosto. A BinaryBit vem sendo investigada pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM) por atuar no mercado de capitais e valores mobiliários sem a autorização da autarquia.

O fato já foi comunicado ao Ministério Público e ao Ministério da Justiça pela Gerência de Orientação aos Investidores, da CVM. Segundo a CVM a BinaryBit, assim como seus supostos operadores, Marcos Monteiro, Ricardo Toro e Israel Marcos Silveira Soares não estão registrados na autarquia e "portanto, não podem exercer as atividades ou prestar os serviços regulamentados pela Lei nº 6.385/76, tais como análise, consultoria ou distribuição de valores mobiliários"

A CVM informa também que abriu um Processo Administrativo, SEI nº 19957.005764/2019-39, para averiguar denúncias sobre a empresa. O processo foi aberto pois o regulador acredita que há "indícios de oferta de investimentos que se enquadram na definição de valor mobiliário (“Opções Binárias”), para residentes no Brasil, por agentes não registrados na CVM"

 

 

Ainda de acordo com a CVM há indícios de praticas ilegais pela BinaryBit e seus operadores, como pirâmide financeira ou esquema Ponzy.

"A questão foi submetida à apreciação da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários – SMI (...) A SMI concluiu que não é verossímil que BINARY BIT faça distribuição de valores mobiliários; é mais verossímil que BINARY BIT seja uma pirâmide financeira, dados os seguintes indícios: Exigência de pagamento inicial mediante a adesão a uma de 10 opções de "pacotes" denominados "binarypacks"; Falta de uma clara e verificável contrapartida em produtos ou serviços; Promessa de retorno financeiro extraordinário (“de 1% a 3% ao dia”); Ênfase no recrutamento de novos participantes, com promessa de aumento de ganhos com a indicação de novos "afiliados"; Falta de informação sobre os riscos envolvidos; Fornecimento de pouquíssima informação sobre a empresa".

Segundo a Procuradoria Federal Especializada junto à CVM (PFE-CVM), órgão que presta assessoria jurídica para a CVM, os responsáveis pela BINARY BIT estariam praticando o esquema de Pirâmide ou Ponzi.

"Pelo exposto, a PFE recomendou que fosse oficiado o Ministério Público do Estado de São Paulo. A CVM comunicou o Ministério Público, decorrente de sua obrigação legal, conforme dispõe o art. 9º da Lei Complementar 105/2001. Também houve comunicação dos fatos ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor – DPDC do Ministério da Justiça, em função de Acordo de Cooperação Técnica entre a CVM e o Ministério da Justiça".

A BinaryBit promove rendimentos garantidos de até 3% ao dia, por meio de supostos investimentos em Bitcoin.

Como reportou o Cointelegraph, o presidente da Unick Forex, Leidimar Lopes, junto com outros diretores da empresa, afirmou que irá parcelar os saques atrasados na plataforma e que não vai pagar os rendimentos.

A suposta pirâmide financeira que afirma investir em Bitcoin criptomoedas por meio do mercado Forex (proibído no Brasil) chegou até a dizer que lançaria um banco e uma criptomoedaprópria a “CQDX”, agora afirma que só vai pagar o investimento que cada usuário fez e nenhum rendimento.