BTX Digital, que vai lançar banco com blockchain para Revista Caras e Igreja Universal, investe em empresa de operador da Minerworld

O BTX Digital, que pretende revolucionar o mercado de serviços financeiros no Brasil, anunciou que comprou uma parte minoritária da HubChain, empresa que afirma desenvolver serviços em blockchain voltados ao setor financeiro, cujo sócio, Rodrigo Pimenta, é apontado como desenvolvedor do Bitofertas, a "exchange fake" da Minerworld, uma suposta pirâmide financeira com Bitcoin que já teve condenações, bloqueios judiciais e investigações na Polícia Federal.

"A BTX comprou participação minoritária na HubChain Technologies, uma fatia, segundo seus executivos, suficiente para que não desse acesso a outros competidores à tecnologia de desenvolvimento de ecossistemas completos de banco digital", segundo aponta o jornal Valor Econômico.

A BTX pretende criar o Caras Bank, um banco digital que utilizará a tecnologia blockchain e será o braço de serviços financerios da Revista Caras. O banco já teve um investimento inicial de R$ 100 milhões para, entre outras coisas, a compra de maquininhas de captura de cartões (POS) e terminais de autoatendimento (ATM) próprios, revela a publicação.

Ainda segundo a publicação a  BTX fechou uma parceria com a Federação de Comércio (Fecomércio) do Ceará e agora negocia a extensão do projeto de banco digital com as unidades de outros Estados e também acertou também a criação do Student Bank, com a Associação de Estudantes do Brasil. Já com a Igreja Universal, a BTX está construindo o Magbank.

Em nota encaminhada ao Cointelegraph a Hubchain destacou que:

"Em relação à notícia veiculada no site Cointelegraph na data de hoje, que afirma que a empresa Hubchain Tecnologia e seu sócio Rodrigo Pimenta, engenheiro graduado na USP, foram operadores da Minerworld, viemos esclarecer o seguinte: 1. A Hubchain não tem qualquer relação com a Minerworld ou com a Bitofertas. A Hubchain não está sequer sendo investigada em nenhum processo que envolve a Minerworld. A empresa Ypse Comunicações, que também tem como sócio o engenheiro Rodrigo Pimenta, prestou o serviço para a BitOfertas, através de contrato de prestação de serviços para desenvolver tecnologia da plataforma e realizar a manutenção necessária, somente do ponto de vista tecnológico. A empresa Ypse também não está sendo investigada em nenhum processo que envolve a Minerworld. 2. A Ypse cancelou seu contrato de prestação de serviços com a BitOfertas por causa do envolvimento da BitOfertas nos escânda-los da Minerworld, bem como por falta de pagamento. Após encerrar o contrato, a Ypse ficou com um prejuízo de centenas de milhares de reais em serviços não pagos e está buscando judicialmente o recebimento da ex-cliente Bitofertas. A Hubchain e a Ypse são empresas sérias do ramo de desenvolvimento de tecnologia e não tem qualquer envolvimento nos negócios dos seus clientes, bem como não são coniventes com qualquer ação irregular, ilegal ou antiética de quaisquer de seus clientes. A Hubchain e a Ypse estão munidas de toda a documentação comprobatória dos fatos aqui esclarecidos e tomarão todas as providência necessárias para reestabeler a verdade. A Hubchain e a Ypse estão abertas a prestar quaisquer esclarecimentos necessários."

Já a BTX Digital, em nota disse que:

A BTX DIGITAL E PARTICIPAÇÕES é uma empresa internacional com fortes investimentos no Brasil e busca selecionar os melhores parceiros e prestadores de serviços do mercado. A BTX tem como valores essenciais a transparência, integridade e honestidade e possui uma política de compliance rigorosa. Por isso realiza o due diligence nas empresas com quem se relaciona, com o objetivo de selecionar as empresas que adotam estes mesmos valores. Os nossos parceiros e prestadores de serviços passaram por profunda auditoria e due diligence e os resultados foram excelentes, além de terem sido recomendadas por clientes pela excelência dos serviços e pioneirismo. Sobre a notícia veiculada no site Cointelegraph na data de hoje, que sugere que a BTX possui algum tipo de relação com a Minerworld ou Bitofertas, viemos esclarecer que não temos, tivemos ou teremos qualquer tipo de relação com as empresas chamada Minerworld ou Bitofertas. Condenamos toda e qualquer conduta ilícita ou danosa às pessoas ou à propriedade, bem como condenamos quaisquer condutas realizadas de má-fé. A BTX tem experiência no seu mercado de atuação e trabalhou muito para construir sua reputação. Assim, faremos tudo o que for necessário para promover e estabelecer a verdade. Estamos à disposição para esclarecimento de quaisquer dúvidas.

Como reportou o Cointelegraph, após aplicar um suposto golpe financeiro envolvendo Bitcoin, Cícero Saad Cruz, diretor da Mineworld, resolveu processar ex-investidores por supostamente praticarem atos de injúria contra ele e sua famíla utilizando canais de comunicação nas redes sociais.

Somente no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, são sete ações que tem como base o mesmo teor. As ações teriam sido abertas em junho motivadas por supostas ofensas que Cruz teria recebido por conta da divulgação de seu casamento que ocorreria mesmo com milhares de clientes aguardando ressarcimento de valores aplicados na suposta pirâmide financeira.

As peças trazem prints de grupos de WhatsApp, de acordo com a publicação, e argumentam que os interpelados pretendiam, de alguma forma, atrapalhar a cerimônia de casamento realizada em São Paulo no último dia 22 de junho. Num dos prints anexados à respectiva ação.

“Cadeia neste bandido, obrigar a devolver tudo que ludibriou” (sic), dizia, segundo a peça, um usuário após informações do casamento de luxo serem vazadas nas redes.

A reportagem buscou contato com a Minerworld mas até o momento não obteve reposta.