O Banco Central do Brasil terá que imprimir mais moeda para sustentar o tripé econômico, segundo o economista e matemático Aloísio Araújo.
A impressão de mais dinheiro é um tema latente entre adeptos de Bitcoin e criptomoedas.
Para os entusiastas de criptoativos, o fato do BTC ter um limite de impressão de moedas é, entre outros, uma de suas principais características tornado-o deflacionário.
Ao contrário das moedas nacionais que são inflacionárias reduzindo o valor do dinheiro e o poder de compra das pessoas.
Além disso, a constante emissão de moedas nacionais, segundo entusiastas de criptoativos, causa uma falta de liquidez nos governos nacionais e aumenta a dívida pública.
Impressão de moedas
Contudo, para Araújo a impressão de 'novo dinheiro" pelo Banco Central visa justamente conter a inflação devido à frágil situação de nossas conta públicas.
Em entrevista ao jornal Valor, o economista destacou que rejeita a impressão de dinheiro como uma solução heterodoxa de financiamento dos gastos do governo para o combate à pandemia, nos moldes do que é defendido pelos partidários da chamada Teoria Monetária Moderna (MMT, na sigla em inglês).
“Não vejo nenhuma base teórica”, afirma.
Desta forma, segundo destacou ao Valor, a impressão de dinheiro pode ser uma solução justamente para preservar a ortodoxia.
“O principal objetivo tem que ser a perseguição da meta de inflação; o tripé básico tem funcionado na economia brasileira, com teto de gastos, juntamente com o câmbio flutuante.”
No entanto, segundo ele, é pouco provável que o Brasil seja obrigado a emitir moeda.
Porém, opção, segundo ele, deve ser considerada.
"Não estou falando em emitir dinheiro para reativar a economia (...) . É uma situação diferente, tem que ser conversado com o Tesouro. Seria uma situação anômala. Qual seria a alternativa que você teria? Nós nunca vamos emitir moeda. Mas aí você abandona o sistema de metas? Abandonar o sistema de metas seria muito ruim.", declarou.
Ex-Diretor do Banco Central do Brasil
Quem concorda com a opinião de Araújo sobre a impressão de novo dinheiro é André Lara Resende, economista e doutor pelo MIT, que foi diretor do Banco Central, presidente do BNDES e um dos formuladores do Plano Real que publicou em 17 de maio, um artigo na Folha de São Paulo.
"Para agir de maneira eficaz é urgente superar falsas premissas sobre políticas monetária e fiscal e rever a proibição de o Banco Central emitir moeda para financiar o Tesouro", diz o economista.
Resende alega que o Estado deve gastar o que for necessário na saúde e na ajuda assistencial aos que estão sem emprego, sem renda e sem alternativas.
Porém como não pode aumentar os impostos, o que afetaria ainda mais a população, só resta, segundo ele, duas alternativas para o Estado: imprimir mais dinheiro ou aumentar a dívida pública.
Nesta linha, segundo ele, a moeda contemporânea, sem valor intrínseco, é apenas um certificado de dívida, sem prazo de vencimento, ou seja, uma perpetuidade, que não paga juros, mas essencialmente um certificado de dívida pública.
"Tanto o Estado quando o sistema bancário criam moeda. A moeda é um passivo do Estado, mas o sistema bancário tem permissão para criar um passivo que, em última instância, é do Estado. Os bancos que têm conta no Banco Central podem criar moeda e obrigá-lo a sancionar essa expansão", afirma.
Enquanto isso, recentemente o Bitcoin cortou, pela metade, a quantidade de novas moedas em circulação com o halving.
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