O Ministério de Relações Exteriores, publicou um alerta nesta semana, sobre o aumento dos casos de brasileiros vítimas de tráfico humano em países do Sudeste Asiático, composto por nações como Mianmar (Birmânia), Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Malásia, Singapura, Indonésia, Filipinas, Brunei, Timor-Leste.
Segundo o comunicado do ministério, as vítimas, em sua maioria jovens com conhecimento de informática. Eles são recrutadas por meio de redes sociais com falsas promessas de emprego em “call centers” ou empresas de tecnologia na Tailândia.
"Tais ofertas são direcionadas a brasileiros e contemplam salários competitivos, comissões por ativos vendidos e passagens aéreas. Uma vez naquele país, as vítimas são levadas de forma irregular para Myanmar, Laos e Camboja", destaca o Ministério.
O governo alertar que os traficados são forçados a realizar diversas fraudes online, como jogos de azar, golpes envolvendo criptomoedas e relacionamentos amorosos falsos para extorsão de outras vítimas. Uma vez traficados, as vítimas são obrigadas a aliciar outras vítimas, com foco em pessoas de mesma nacionalidade que elas.
"Recomenda-se a todos os que receberem tais ofertas profunda atenção. Para auxiliar na identificação de possíveis situações de tráfico de pessoas, o Itamaraty produziu em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública cartilha sobre trabalho no exterior e folheto específico para quem se encontre no Sudeste Asiático", destacou o comunicado.
Brasileiros vítimas de tráfico humano
Em 2023, vários brasileiros foram aliciados para trabalhar em Mianmar sob falsas promessas de emprego na Tailândia. Ao chegarem, tiveram os passaportes confiscados e foram forçados a cometer fraudes online. O governo brasileiro realizou ações diplomáticas para resgatar as vítimas.
Já em 2024, autoridades investigaram o aliciamento de brasileiros para trabalhar em cassinos ilegais no Camboja. Os traficantes prometeram altos salários, mas ao chegarem ao país, as vítimas foram mantidas sob vigilância e obrigadas a cumprir jornadas exaustivas, além disso, também foram obrigadas a cometer fraudes online.
Além disso, recentemente, brasileiros foram identificados entre vítimas de um esquema de tráfico humano que operava na Malásia. As vítimas eram atraídas por oportunidades falsas e acabavam presas em condições análogas à escravidão.
Elas eram obrigadas a realizar diversos trabalhos online, inclusive golpes com criptoativos, cassinos e outras fraudes.
Em outro caso, um grupo de brasileiros foi localizado no Laos, onde eram mantidos em cárcere privado por redes de tráfico humano. Eles foram resgatados após denúncias e operações coordenadas entre governos e ONGs internacionais.
Algumas brasileiras também foram enganadas com promessas de empregos como modelos ou influenciadoras digitais, mas acabaram vítimas de redes de exploração sexual na Indonésia e nas Filipinas. As investigações seguem em andamento, e algumas vítimas já foram resgatadas.